A energia abastecida na estrada

Publicação: 2018-12-14 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter

Do forró ao frevo, quando Elba Ramalho canta todo mundo reconhece. Sua voz é uma das mais características da Música Popular Brasileira e embala gerações há 40 anos. Com público cativo em Natal, a artista retorna à cidade pela segunda vez neste ano (a primeira foi com o show O Grande Encontro) para ecoar sua voz no Teatro Riachuelo no próximo domingo (16), às 18h.

Elba Ramalho chega a Natal para show em que relembra canções de seus 40 anos de carreira
Elba Ramalho chega a Natal para show em que relembra canções de seus 40 anos de carreira

Em aproximadamente uma hora e meia de show, Elba vai mostrar todo seu amor à música repassando quatro décadas de canções. Como a artistas é sinônimo de festa, o público pode se preparar para uma apresentação dançante, mas com momentos preciosos em que a cantora mostrará versões acústicas para alguns dos seus sucessos.

O público também pode se preparar para ouvir novidades. Elba lançou no final de novembro nas plataformas digitais seu mais novo álbum, o 38º da carreira, intitulado “O Ouro do Pó da Estrada”. A turnê do novo trabalho só começa em fevereiro do próximo ano, mas a cantora promete apresentar para os potiguares algumas das novas canções.

“O disco novo diz muito sobre meus 40 anos de carreira, mas não deixa de estar ligado ao momento atual que estou vivendo. É um disco bem Elba, bem regional, ao mesmo tempo que bem pop e universal, se aproximando do som que se tem feito no mundo”, descreve a artista nesta entrevista ao VIVER,  por telefone.

Responsável pelo texto de divulgação do álbum, Zélia Duncan comenta o arrebatamento provocado pelo trabalho logo na primeira faixa. “Já na abertura ['Calcanhar'], de Yuri Queiroga e Manuca Bandini, Elba diz a que veio. 'eu vou seguir você, até doer o calcanhar'. Esse 'você' sou eu, vocês, a música, o sonho, a vida. Sem descanso. Tem uma pegada, um suingue, um peso, um rockn’roll de manguebeat nesse sertão paraibano de Elba, nessa produção de Yuri Queiroga e Tostão Queiroga. Com direito a texto 'na beira do mundo, querendo voar', de Bráulio Tavares. Isso não é apenas uma abertura, é uma invasão das boas, abram as portas e os ouvidos, O Ouro do Pó da Estrada vai passar!”, escreveu Duncan.

Para Elba, o título do álbum, assim como a primeira faixa, sintetizam bem tanto o disco como o momento atual dela. “A música de abertura, 'Calcanhar' fala um pouco do que é a trajetória de um artista. Que é andar e andar. E essa poeira que a gente vai levantando na estrada, ela se transforma em ouro. Tudo é aprendizado”, comenta a cantora paraibana que estreou no mundo fonográfico em 1978, no disco “A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, com a gravação “O Meu Amor”, um dueto com Marieta Severo. Seu primeiro álbum, “Ave de Prata”, foi lançado no ano seguinte.

Antes de cantar, Elba trilhava carreira no teatro, iniciada em Campina Grande e sequenciada no Rio de Janeiro. Seu desempenhos marcantes em espetáculos como “Morte e Vida Severina”, “Uma cena para dois povos”, “A incrível história de Pedro Bacamarte”, dentre outros, lhe rendeu a possibilidade de atuar na peça “Ópera do Malandro” – onde a interpretação de “O Meu Amor” se tornou um grande sucesso, lhe abrindo as portas para a carreira na música.

“A experiência do teatro está comido até hoje. Sou uma atriz que sobe no palco para cantar. O jeito de pisar, de me mexer, de olhar para o público. A atriz me respalda para que eu transforme um espetáculo que poderia ser intimista em algo mais aberto e comunicativo”, revela Elba, uma artista que quando sobe no palco é para deixar tudo de si para os fãs. “Eu tenho o palco como meu estado pleno de liberdade. É onde acontece minha relação com o sagrado, divino e profano. Sempre procuro me divertir, através de pequenos textos, das músicas, da conversa com o público, em que revelo bastante de quem sou”.

Energia inesgotável
Um palco em que Elba revela bastante de quem é, do que absorveu da vida e da música, é o  carnaval. É lá onde ela deixa tudo de si e mais um pouco. E com tantos carnavais nas costas, ela se mostra a cada fevereiro uma artista inesgotável, cuja voz é uma das marcas da festa no Nordeste.

Filha de músico de orquestra, Elba aprende muito do que é carnaval acompanhando o pai nos eventos em Pernambuco e na Paraíba. Mas foi no contato com importantes compositores nordestinos que ela iniciou sua trajetória como uma das maiores intérpretes do carnaval do Brasil, requisitada de norte a sul do país.

“Ainda no começo da minha carreira eu me vi diante do maior compositor de frevo de Pernambuco, que é o Carlos Fernando, compositor de 'Banho de Cheiro'. Eu andava com ele, o Alceu, outro dos maiores intérpretes dos grandes compositores do carnaval de Pernambuco. Fizemos o 'Asas da América' juntos, onde todo mundo cantava”, lembra a cantora. “E então fui aprimorando aquilo que eu já trazia da infância. Por participar várias vezes do carnaval, fui me identificando. Hoje toco na Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Natal”.

Sobre Natal, Elba revela ter uma ligação especial. “Tenho um relação por causa da cultura, dos compositores, mas também porque tenho um irmão engenheiro que mora ai, e uma filha, a caçula, que é potiguar. Sempre achei Natal como uma das cidades mais modernas do Nordeste”. 

Serviço
Show “Elba Ramalho 40 anos de sucessos”

Dia 16 de dezembro, às 18h

Teatro Riachuelo

Ingressos: R$ 80 (meia) e R$ 160 (inteira).



continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários