A escola, um canal de apoio às famílias

Publicação: 2020-06-21 00:00:00
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Camila Duarte
[Professora de História da rede estadual do Rio Grande do Norte.]

Com o isolamento em decorrência da Covid-19, percebemos ainda mais a importância da escola enquanto um canal de informação e de auxílio para estudantes e suas famílias.

Diante dos problemas estruturais e históricos que já assolam o nosso país - como a insegurança alimentar, a violência geral e doméstica e a falta de acesso à internet - as escolas públicas de São Gonçalo do Amarante (RN), tornaram-se sinônimos de “portos seguros”.

Com o agravamento da pandemia, as desigualdades, infelizmente, se ampliaram. Só no primeiro trimestre de 2020, o Brasil já contabilizava 12,8 milhões de desempregados, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mesmo período, o Rio Grande do Norte somava 237 mil desocupados — sem emprego formal, nem informal — sendo 110 mil da região metropolitana, onde está a unidade escolar onde atuo.

Entre estas pessoas, estão mães, pais e cuidadores de muitos dos nossos alunos que ficaram ainda mais expostos ao desemprego ou à informalidade dentro desta crise, que não é apenas sanitária, mas também social e econômica.

Para além das ressignificações que a escola já tem vivido, como os inúmeros desafios ligados à educação a distância que não chega a todos os estudantes, é preciso chamar a atenção também para a necessidade de entender a realidade em que eles estão inseridos nesse momento.

Embora mapear o acesso à internet entre os alunos e alunas seja uma demanda urgente para prosseguir com o ano letivo - que, inclusive, evidencia como a educação a distância pode ser excludente - é preciso ir além e entender como as famílias foram afetadas pela crise.

Para garantir o direito à educação, precisamos garantir também outros direitos básicos aos nossos meninos e meninas, como a alimentação, a moradia e a segurança frente a situações de violência.

Seguindo as orientações de nosso estado, a merenda foi redistribuída para as famílias que se encontravam em situação de maior vulnerabilidade social, por exemplo, por meio da entrega de cestas básicas.

O que não quer dizer que não tenhamos que lidar com inúmeros desafios como a demanda maior do que os recursos disponíveis. Neste sentido, vale ainda apontar o óbvio em momentos de crise generalizada como o que vive o país: a necessidade de se garantir condições mínimas de existência para que, assim, nossos estudantes possam se dedicar aos estudos seja durante, seja após o isolamento social.

Para saber efetivamente quais são estas condições, as escolas podem e devem seguir na construção deste diagnóstico. Um primeiro passo pode ser, por exemplo, se conectar ainda mais à comunidade do entorno, às famílias e à rede de proteção que atua no território. Apenas somando os esforços de vários atores, incluindo o Estado e suas políticas públicas, é que iremos conseguir garantir o mínimo aos nossos estudantes e colaborar para uma melhor garantia de seu direito à educação.