“Esperamos abrir um novo mercado no Nordeste”

Publicação: 2017-04-30 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O Internacional de Porto Alegre ganhou a fama, no mundo inteiro, como o primeiro clube brasileiro a priorizar o profissionalismo. Pensando nas categorias de base, o Alvirrubro deixou nas mãos de um ex-ídolo do futsal brasileiro e mundial: Ortiz, a missão de coordenar toda a categoria. A estrela estará no Rio Grande do Norte, com o time Sub-17 gaúcho de 22 a 28 de maio competindo na Supercopa Sub 17, considerada o principal torneio de bases das regiões Norte e Nordeste.
Ortiz foi campeão mundial com a Seleção de Futsal, com o Inter/RS e agora comanda as bases coloradas que virão jogar no RN
O time liderado por Ortiz ficará, na primeira fase da Supercopa, na cidade de Goianinha, num grupo onde já está confirmada a presença local do Palmeira. O idealizador da competição, Maurício Maeterlink define-se como um sonhador e planeja, em poucos anos, tornar a Supercopa tão importante como a “irmã gêmea” paulista. “Trabalhamos o ano todo para realizar este torneio. Nesta edição, ao contrário de outras, já fomos procurados pelos grandes clubes, ou seja, o torneio está consolidado e nosso intuito é crescer. A Supercopa movimenta garotos de várias partes do Brasil e permite aos potiguares serem apresentados aos olheiros, que vêm de todas as partes, sem o custo que seria para levá-los a um teste fora do Rio Grande do Norte. Além disso, movimenta a economia formal e informal em vários municípios, além do intercâmbio, essencial para o crescimento das bases aqui no Estado”, comentou Maeterlink.

A competição é dividida em oito grupos de quatro, com um grupo em Goianinha, cujo cabeça de chave será o Internacional/RS e mais o time da casa, que é o Palmeira; Um grupo em São José de Mipibú, com o time da casa e mais uma seleção local; Uma chave em Macaíba, com o Cruzeiro da cidade ou uma Seleção do Município; Uma chave em São Gonçalo, com o Sport/PE  e um time local. Em Natal ficarão sediadas as outras quatro chaves. Uma delas terá o América como cabeça de chave, outra o ABC, outra o Porto de Caruaru e o Jacuipense da Bahia.

Ortiz, como é o trabalho de coordenar as categorias de base do Inter?
Temos 11 categorias. É um trabalho incessante. Temos por volta de 30 atletas por categoria, o que faz a gente ter por volta de 300 jogadores. É um trabalho intenso, que ocupa vários departamentos. Temos o departamento de psicologia, fisioterapia, médico, assistente social, enfim, envolve inúmeros departamentos para dar as melhores condições para formação e desenvolvimento dos atletas. Fora isso, temos projetos dentro das categorias que pensam na melhor formação do atleta. Temos elementos de aprimoramento técnico, que são feitos com os atletas que têm uma projeção maior dentro do clube, não só na questão técnica, mas também na questão cognitiva, com um trabalho em conjunto com a psicologia. Temos trabalhos da questão física, para os jogadores que precisam ganhar mais nesse aspecto, entre outras coisas. É um trabalho bem grande, bem complexo para que a gente consiga formar o maior número de jogadores para a equipe principal.

Como é a estrutura do Inter?
Hoje nós temos um CT alugado, pois com a concessão do Beira Rio para a Copa do Mundo, nós que treinávamos no entorno do estádio antigo fomos deslocados para esse novo CT, que era de uma equipe menor aqui no Rio Grande do Sul, mas um CT muito organizado, mas ainda carente para o nosso número de categorias. Esse CT foi contruído para quatro categorias e nós estamos com 10 ou 11 categorias treinando aqui. Então é uma luta diária a questão de campo, apesar nós termos dois sintéticos com ginásio, cinco campos mais dois espaços mais específicos e mais um ginásio de futebol de sete. Então temos todos os departamentos, com salas, mas todos com carências por espaços maiores, mas que no momento tem dado conta para o nosso dia a dia. Estamos esperando a construção do novo CT e quando nos mudarmos para lá teremos mais condições, com mais de um campo por categoria e com certeza o trabalho será ainda mais valorizado.

Além dos treinos o clube também hospeda os atletas?
Temos uma estrutura para alojar até 100 atletas, que se alimentam com cinco refeições diárias, colégio com acompanhamento escolar, todas as condições médicas através de um convênio, ou seja, todos estão muito tranquilos.

Como funciona a busca por talentos?
O Internacional está sempre em busca. Tem avaliadores por todo País, por zona estamos com oito avaliadores, divididos em zona Nordeste, Norte, São Paulo, onde temos mais avaliadores, Zona Sul, dentro do próprio estado, que é importante pela cultura e ter jogadores que realmente são torcedores do clube e que se identificam com o clube na hora de uma partida, pois isso faz a diferença. Além disso, em todos os torneios que nós vamos participar a busca é sempre grande e sempre trazemos jogadores para teste e às vezes até contratado nesses torneios que à gente participa. Ou seja, além dos avaliadores olharem nossa equipe que está participando, eles observam novos talentos para o grupo.

O que vocês esperam da Supercopa?
Esperamos abrir um novo mercado no Nordeste. A gente sabe a importância da região dentro do cenário da formação de jogadores. Eu particularmente quando joguei 22 anos de futsal e tive a oportunidade de jogar no SUMOV (Fortaleza), que foi uma dos mais tradicionais e campeões do futsal brasileiro, vi e tenho conhecimento de o quanto de atletas tem na região, que são promissores e que muitas vezes não tem a condição de estar num clube maior. Então esses torneios proporcionam a que os clubes da região Sul possam busca-los e dar essa oportunidade para eles, independente das condições climáticas que são completamente antagônicas, com muito calor e às vezes o jogador que vem do Nordeste tem um pouco de dificuldade porque aqui o frio assusta de vez em quando, mas a gente nota que os que vem são determinados para vencer na vida  e acabam se adaptando mais rapidamente do que aqueles que realmente não estão preparados para isso e acabam desistindo. Enfim, acho de suma importância e eu fui uma das pessoas que batalhei muito para que desde o ano passado a gente participasse desta competição porque vejo nela um grande polo de captação de talentos, tanto pela questão da competitividade que a gente vai atrás, de competir contra equipes de nome do Nordeste, mas principalmente pela oportunidade de levar o nome do Internacional à essas cidades, para que a gente possa estar cada vez mais divulgando a marca do clube. Temos a certeza também que tudo está sendo feito pela organização para nos dar as melhores condições e nós também temos a certeza que estaremos preparados para fazer uma grande competição e cada vez mais deixar o torneio com uma visibilidade muito grande não só na região como no país todo. Acho que a presença do Inter e de outras equipes grandes do País vão valorizar o máximo possível.

O fato de você ter sido um grande ídolo ajuda seu trabalho?
Fui um ídolo em um outro esporte que é o futsal, não só no Brasil, no Mundo, pela Seleção Brasileira, onde estive por 12 anos, fui campeão mundial, sul americano, panamericano, de Mundialitos e Copas Américas, além dos títulos pelos clubes onde consegui as mesmas coisas sendo campeão mundial de clubes, sul-americano, seis vezes do Brasileiro, da Liga Nacional e outros. Ou seja, conquistei todos os títulos que um atleta pode ter dentro de uma carreira e, claro, como eu encerrei a carreira no Internacional, jogando sete anos pelo clube, conseguindo o Mundial pelo clube, Sul-americana, esses títulos importantes, isso ajudou muito no meu trabalho, pois sou um cara que não sou só um ex-atleta, sou formado em educação física e isso é uma coisa que a gente prega muito aqui, a questão do ex-atleta seja um cara que esteja querendo adquirir conhecimento e não querer participar sem ter conhecimento. Enfim, a gente ter conquistado o que conquistou faz com que a gente tenha um respeito maior, mas claro, sempre com argumentos, com conhecimento, educação, para conseguir as coisas. Ou seja, facilita bastante, mas o trabalho é respeitado, mas tu tem que ter argumentos, tem que ser um exemplo para os atletas. No momento em que tu falas e não é um exemplo tu acaba jogando fora a tua convivência com os atletas e com os demais.


continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários