“Esporte é um direito social inalienável da população”

Publicação: 2015-03-22 00:00:00
Desenvolver o esporte amador em um Estado pequeno e com poucos recursos é um grande desafio. Cuidar de um esporte que virou mania no Brasil, mas que engatinha ainda no Rio Grande do Norte é um problema maior ainda. Igor Ribeiro Dantas, presidente da Federação Norte-rio-grandense de Voleibol acredita que pode resolver essa equação e afirma que já tem resultados para comemorar.
Presidente da Federação Norte-riograndense de Vôlei critica falta de investimentos  e políticas públicas para o esporte potiguar
O presidente da entidade acredita que as políticas públicas são falhas e que a forma de gerir o esporte precisa ser mais inclusiva.

Qual o principal desafio para fazer o voleibol do RN crescer em nível nacional?


As carências e fraquezas das políticas governamentais para o esporte e a mentalidade individualista e curta dos atores do esporte potiguar. 

O que fazer para evitar a dependência do Estado?


Primeiramente há de se lutar pela construção de uma politica pública participativa, reafirmando, o esporte como direito social inalienável dos cidadãos em nosso Estado, contribuindo com métodos e práticas que se aproximem da construção de uma sociedade justa, solidária, referenciada socialmente, que dignifique a vida humana.

Um centro de treinamentos de alto rendimento no Estado poderia ser a solução?


A revitalização do esporte de alto rendimento passa principalmente pela sua massificação no Estado. Entretanto, considero que um centro de treinamento de alto rendimento seria um importante instrumento indutor dessa política, criando condições para que pelo menos os talentos conhecidos possam ser desenvolvidos e se tornem ícones, estimulando a prática do esporte entre os jovens potiguares.

Estimular a criação e o desenvolvimento de clubes seria uma alternativa?


Não me parece que o modelo clubístico vingou no Brasil, especialmente porque eles são maciçamente vinculados ao futebol profissional ou a categorias sociais (clubes da Caixa, do Banco do Brasil, de empregados de empresas, etc). A alternativa pelas escolas é digna de elogios, mas a sua implementação não tem atendido a expectativa de fazer o Brasil uma nação esportiva. Primeiro porque às escolas públicas não são dadas as condições mínimas de estrutura e pessoal para a prática esportiva e as escolas particulares optam por discriminar o esporte pela visão equivocada de que prejudica o rendimento escolar. Do mesmo modo as universidades não dão importância ao esporte de rendimento, o que é ainda mais prejudicial, porque milhares de atletas abandonam o esporte ao chegar na universidade. Temos ainda obrigação de mencionar que o currículo dos professores de educação física está cada vez mais minimizando a importância e diminuindo a carga horária  das aulas práticas/treinos, em uma verdadeira contra mão para o desenvolvimento do esporte no país.

Qual a diferença do voleibol do RN hoje sob sua gestão?

Não temos medo de dizer que estamos fazendo um trabalho sério e produtivo, reconhecido pela imensa maioria dos adeptos do voleibol do RN e motivo de elogios da CBV e dos colegas presidentes de outras federações. Resgatamos o vôlei de praia do RN, fazendo um dos melhores circuitos adultos do país e viabilizando seleções permanentes de praia, o que fizeram o RN ser hoje um dos três melhores do Brasil na categoria de base. No voleibol in door o diferencial é a ação forte na interiorização do esporte. A FNV voltou a realizar, agora com mais estrutura, mais etapas e muito mais participantes, o Campeonato Interiorano, de longe o melhor do norte-nordeste do país, além de apoiarmos inúmeros torneios pelo Estado. Um outro diferencial é a capacitação permanente dos nossos árbitros e treinadores, seja com cursos regulares, palestras ou estágios dos nossos principais técnicos em Saquarema com a Comissão Técnica das Seleções Brasileiras.

Quais os principais problemas que encontrou?


Sem culpar o meu antecessor, o querido amigo Professor Jorge Moura, recebemos a FNV sem a menor estrutura, dinheiro e colaboradores, que na sua maioria estavam fazendo oposição a gestão anterior. Logo depois perdemos a nossa sede, em razão das obras do Palácio dos Esportes. Com o tempo, fomos mostrando com ações efetivas que viemos para somar e construir uma nova realidade, pautada no profissionalismo e parcerias. Desde então recebemos a adesão de quase todos o profissionais que atuam na área e hoje podemos afirmar que unimos o voleibol do Rio Grande do Norte.

Quanto a federação recebe anualmente para funcionar? de quanto precisaria para executar os projetos?

A FNV recebia até o mês passado apenas dois mil reais por mês da CBV para suas despesas administrativas. Todas as outras despesas eram bancadas através de recursos advindos de projetos apresentados a própria CBV, órgãos públicos e  empresas privadas. Vale salientar que não recebemos absolutamente nada de equipes, árbitros, clubes, treinadores e atletas. Nós mesmos viabilizamos as importâncias que contabilizamos como anuidades dos clubes. Todos os valores de inscrições e taxas de arbitragem eventualmente recebidos são totalmente destinados para a remuneração dos profissionais que colaboram com a FNV, fato inédito entre as federações e uma decisão corajosa que tomamos no inicio da nossa gestão. Tivemos até o ano passado um grande patrocinador que infelizmente não renovou o patrocínio para este ano. A partir de agora teremos uma subvenção mensal de cinco mil reais e o nosso planejamento atinge um montante de investimentos de aproximadamente 250 mil reais anuais.

Quais os principais projetos em execução hoje?

A construção de um centro de treinamento de vôlei de praia, cujas negociações com entidades estão em curso, e de um centro de treinamento de voleibol, este com maior envergadura, para o qual estamos firmando uma parceria com certeza exitosa com o nossos amigos do esporte Carlos Eduardo Alves, prefeito do Natal e Luiz Eduardo Machado, competente secretário de esporte da nossa capital. Não posso deixar de mencionar a COPA NATAL, também em parceria com a Prefeitura do Natal, que deverá levar competições de voleibol de quadra e vôlei de praia para os quatro cantos da cidade este ano. Outro projeto que sofreu interrupção, mas que devo retomar é o RN PRÓ VÔLEI, um programa de iniciação esportiva junto com as prefeituras do interior. Depois da conclusão desses empreendimentos, estarei cumprindo a minha missão no voleibol. Um projeto de curto prazo, para o qual envidarei todos os meus esforços de convencimento e articulação, será trazer a Seleção Brasileira Adulto Masculina para um jogo amistoso em Natal, ainda este ano, ação para a qual espero contar com o apoio do Governo do Estado e da Prefeitura do Natal, pela dimensão e repercussão do evento.

Quem:
IGOR RIBEIRO DANTAS

presidente do Conselho Estadual de Desporto, tem 58 anos.  Foi Relações Públicas e Chefe do Cerimonial do Governo do Estado, Secretário de Turismo de Natal e Coordenador de Marketing da Secretaria de Turismo do Estado. Atualmente exerce o cargo de Ouvidor da CAERN, empresa da qual é advogado de carreira. Proprietário de empresa de organização de ventos, Igor se formou também em jornalismo e já teve colunas sobre economia no Diário de Natal e de turismo na Brazilturis, a mais importante revista de turismo do país. Também militou na área acadêmica, tendo ensinado as matérias de  planejamento e gestão de eventos em diversas universidades. Na juventude praticou vários esportes, como basquete, natação, atletismo, voleibol e handebol, mas foi no voleibol que se destacou como um dos melhores da sua geração, tendo integrado durante 15 anos as seleções estaduais da modalidade e participado de dezenas de competições nacionais e regionais.