A estrela franco-canadense

Publicação: 2020-04-05 00:00:00
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Não é que eu esteja de fato cumprindo a quarentena, mesmo já tendo adentrado o clube dos sexagenários, com seis décadas completadas em outubro passado. Há a hora do supermercado, da padaria, do caixa eletrônico e até da sagrada cerveja em petit comitê, com dois ou três (no máximo) confrades, só para não interromper uma tradição de mais de trinta anos. Mas tem a pressão da mulher e dos filhos, e então, obediente, entro em maratona de filmes e séries na TV.

Créditos: Divulgação

As opções são vastas, os trocentos canais de tudo, os streamings Netflix, Apple TV, Oldflix, Prime Vídeo e, principalmente, o mundo espetacular do YouTube, onde buscamos e quase sempre encontramos o saudosismo que nos habita. Não tem como não lembrar dos televisores em preto e branco, com botões de som, brilho e sintonia, além de um maior com os três ou quatro canais que existiam no passado. E na sexta-feira, eu tive um encontro com uma deusa.

Fiz um intervalo na 4ª temporada de Casa de Papel para ver, ali mesmo na Netflix o thriller “Um Agente na Corda Bamba”, um dos tantos clássicos estrelados por Clint Eastwood; e “Terremoto”, o cult-catástrofe com o grande Charlton Heston.

Mas não são os dois atores o motivo da coluna deste domingo. Meu encontro foi com a atriz Genevieve Bujold, uma das mais belas estrelas que conheci ali por 1973 ou 1974 no filme “As Troianas” que chegou em Natal com algum atraso.

Ser linda, como Genevieve naquele tempo, era dividir o protagonismo de uma produção com beldades do quilate anatômico de Katharine Hepburn, Vanessa Redgrave e Irene Pappás, e mesmo assim dominar os olhares masculinos.

Até ver aquele rosto perfeito, o olhar meigo de canceriana e o nariz afilado como feito de marfim, minha preferência era Raquel Welch, a voluptuosa sereia de Chicago. Mas Genevieve Bujold era uma miragem, um convite à infidelidade.

No espaço de dez anos, entre o filme com Heston (1974) e o outro com Eastwood (1984) sua plástica se manteve linda, como se as formas não percebessem o tempo ao redor. Uma charmosa mulher, apetitosa aos 32 e aos 42 anos.

Nos tantos filmes que estrelou, mantinha sempre duas tonalidades nos cabelos, às vezes no negro natural, fios de ébano, e castanho avermelhado, como uma descendente de Pocahontas. Aos 16 anos, em Montreal, optou pelas artes.

Com origens francesas, sempre teve Paris no caminho, onde foi vista por uma assistente do cineasta Alain Resnais, que logo a colocou no filme “A Guerra Acabou”, atuando ao lado de um ícone da França e da Europa: Yves Montand.

As artes dramáticas e a música, que aprendeu em Montreal, abriram-lhe as portas do teatro e do cinema, na Europa e nos EUA. Tudo começou em 1961, encenando textos de Shakespeare e de Marguerite Duras nos tablados.

Toda a década de 1960 foi fértil para ela, atuando em filmes franceses, italianos, ingleses, fazendo teatro até na Rússia. Então, em 1969, veio o reconhecimento internacional com a marca de Hollywood, ao lado do ator Richard Burton.

O produtor Hall B. Williams a convidou para interpretar a rainha Ana Bolena, mulher de Henrique VIII, no filme Ana dos Mil Dias. No ano seguinte já estava em “Coração Ardente”, contracenando com o compatriota Donald Sutherland.

Quando namorou o divorciado personagem de Charlton Heston em “Terremoto”, estava na vida real desmanchando o casamento. Não dava tempo parar, fez inúmeros trabalhos pela década afora, inclusive “Coma”, de Michael Crichton.

Hoje aos 77 anos, Genieve Bujold vive no seu país natal, em paz com a extensa carreira de uma infinidade de filmes, peças e séries. A imagem de juventude, a beleza morena que revi no sábado, é o retrato do que de melhor o século 20 produziu.

Cloroquina

Um dos mais renomados virologistas do país, Paolo Zanotto, da USP, afirmou na sexta-feira que o uso da hidroxicloroquina é o método mais eficaz para salvar milhares de vidas e evitar uma tragédia histórica.

Twitter

Sean Lennon, o herdeiro de John e Yoko, arretou-se com os seguidores no Twitter. Implorou a todos que parassem de enviar para ele trechos ou a íntegra da canção “Imagine”, do pai. “Estou vagamente familiarizado com isso”, disse.

Morte

Os fãs das séries da DC Comics estão de luto com a repentina morte do jovem ator Logan Williams, de apenas 16 anos, que atuava na série The Flash, tendo interpretado Barry Allen quando adolescente. A causa mortis é desconhecida.

Homem-Aranha

O herói da teia encontrou um vilão quase imbatível. Seu nome é coronavírus, que provocou a suspensão das filmagens do novo filme do aracnídeo, que seriam feitas nas cidades americanas de Atlanta, Nova York e Los Angeles.


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