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Esportes
A evolução tática no “esporte bretão” nos últimos 30 anos; mudanças chegaram nos clubes do RN
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2022 Atualizado: 12:24:03 - 14/05/2022
A Agência Estado/Estadão mergulhou na questão tática do futebol, trazendo os termos atuais e tudo que isso significa. No Rio Grande do Norte, com a chegada de Fernando Marchiori no ABC e João Brigatti, no América, o desenvolvimento tático surgiu nas entrevistas de ambos e ficou muito claro que o futebol está em constante mutação. 
Adriano Abreu
O técnico do ABC, Fernando Marchiori é um adepto convicto dos novos termos e das táticas

O técnico do ABC, Fernando Marchiori é um adepto convicto dos novos termos e das táticas


Nos últimos 30 anos, algumas mudanças foram verificadas no esporte mais popular do planeta. O futebol viu, principalmente, transformações significativas no aspecto tático, da forma de atuar das equipes. Com o avanço da tecnologia, as informações e dados sobre jogadas, sistemas e estratégias fluíram de forma mais rápida e dinâmica do que nunca dentro de campo. Uma turma de profissionais, incluindo treinadores, se propôs a pensar sobre o assunto. E colocar em prática.

Hoje em dia, o futebol de alto nível tem algumas marcas importantes, como a diminuição dos espaços, aumento da pressão sobre a bola e, também, da intensidade do jogo. Mudanças como essas ajudaram a transformar o futebol nas últimas três décadas. “A evolução nunca para: continuar fazendo a mesma coisa é esperar pela extinção”, avalia Jonathan Wilson, uma das principais referências na análise tática, no livro A pirâmide invertida: A história da tática no futebol.

“A evolução tática veio junto com a parte física, que tomou um “bum” muito grande e isso vem sendo fascinante. Nós que mechemos com a parte tática podemos estudar, olhar os jogos e, dentro do que estuda e gosta, com sua filosofia, metodologia, aplicar e fazer com que haja um desenvolvimento diário. É muito gratificante. Usamos isso conforme temos de elenco, olhando jogo a jogo. Aí é onde acredito que você pode surpreender. É não repetir uma mesma situação várias vezes e com esses estudos pode mudar características do atleta, do jogo e causar desconforto no adversário”, comentou o técnico abecedista, Fernando Marchiori.

“O futebol evoluiu demais, porque houve uma comparação do futebol brasileiro, que tem suas características com jogadores mais técnicos, com o futebol da Europa, que tem um estilo mais moderno, um futebol de mais imposição e os torcedores aqui querem ver o seu time jogando igual ao Real Madri, mas para isso precisa haver uma qualificação dos atletas e isso já está acontecendo, e agradecemos demais, uma qualificação dos treinadores, com as licenças da CBF. Eu consegui fazer a licença A e a Pró. Ou seja, estudando e passando para o nosso atleta o futebol vai ter essa condição. O nosso futebol é de busca de resultados sempre e isso é bom até para trazer o torcedor de volta. Essas mudanças principalmente no que diz respeito às transições ofensivas e defensivas foram muito importantes e estamos vendo uma evolução muito grande no futebol brasileiro. Ficamos muito felizes com isso”, explica João Brigatti, técnico do América.
Adriano Abreu
João Brigatti afirma que a evolução do futebol permitiu melhor preparação dos técnicos e atletas

João Brigatti afirma que a evolução do futebol permitiu melhor preparação dos técnicos e atletas


“É importante ver grandes jogos nacionais, internacionais e nossos, fazer os estudos, rabiscar e fazer com que os sistemas se conflitem para que você possa encontrar soluções. Cada dia mais isso vai tomando conta dos trabalhadores do mundo do futebol. Temos que seguir sempre em evolução”, conclui Marchiori.

O campo ficou “menor”
Nos últimos 30 anos, muita coisa mudou no futebol mundial. Um dos principais aspectos foi a “diminuição do campo”, ou seja, atualmente os setores dos times estão mais agrupados. As equipes buscam jogar de forma compactada, em bloco único, tanto para atacar quanto para se defender.

“As equipes atualmente atuam mais compactas e a partida se parece muito com o futsal, já que são muitos jogadores dentro de um pequeno espaço. Além disso, a pressão na bola é intensa, fazendo com que o jogador precise cada vez mais da velocidade de raciocínio na tomada de decisão. O jogo, por ter ficado mais apertado, ficou muito tático”, analisou Pedrinho, ex-jogador e atualmente comentarista esportivo do SporTV, ao Estadão.

Mais espaçado
Os setores dos times eram mais espalhados no campo em todas as fases do jogo.

Mais compactado
Hoje em dia, o futebol de alto nível exige que as equipes diminuam o espaço entre defesa, meio-campo e ataque, aproximando os jogadores tanto na hora de defender quanto de atacar.

Intensidade do jogo
Menos espaço, mais pressão. O jogo mais intenso tem sido outro fenômeno marcante do futebol atual. O ritmo mais acelerado é um dos marcos que separa o antigo do moderno. Além disso, os jogadores estão mais velozes, e isso é parte do fenômeno da evolução física dos atletas, através da maior participação da ciência no futebol.

“O ritmo do jogo aumentou. Os jogadores correm muito hoje em dia, e a maneira tradicional de interpretar esse fato é a de que o time que mais corre é o que vence. Nossa análise, no entanto, mostra que essa visão é superficial demais. Nosso foco agora está nos detalhes dos sprints dos jogadores, onde acontecem, como são feitos e em qual direção”, diz o técnico Joachim Löw no livro Entre Linhas - de Ajax a Zidane, a construção do futebol moderno nos gramados da Europa.

Goleiros que saibam usar os pés
Há 30 anos, o futebol viu uma mudança significativa na regra do recuo para o goleiro. Sem poder mais receber a bola com as mãos, os goleiros precisaram usar os pés. A alteração trouxe transformações importantes no jogo.

Atualmente, cada vez mais atletas da posição são treinados para utilizar os pés, participando ativamente da saída de bola e também para ajudar a defesa. Manuel Neuer, do Bayern de Munique e da seleção alemã, é uma referência desta transformação.

Jogo de posição
O Jogo de Posição é uma filosofia criada há várias décadas, sendo aprimorada por Johan Cruyff e aperfeiçoada posteriormente por vários treinadores, em especial Pep Guardiola. Ela usa a posse de bola e a ocupação inteligente de espaços para envolver e gerar superioridades no adversário, através de amplitude e profundidade. A equipe se posiciona pautada pela posição da bola.

“Pep divide o campo em diferentes seções, formando visualmente uma espécie de tabuleiro, e busca evitar que muitos jogadores ocupem uma mesma linha, tanto horizontal quanto verticalmente, quando o time tem a bola. Isso evita passes previsíveis para o lado, permite movimentações mais fluidas e faz os jogadores se distribuírem de maneira uniforme no campo, facilitando a pressão caso percam a posse”, explica Michael Cox, autor do livro Entre Linhas - de Ajax a Zidane, a construção do futebol moderno nos gramados da Europa.

No livro Guardiola Confidencial, o técnico explica que a sua estratégia é movimentar a bola de um lado para criar espaço do outro. "Em todos os esportes coletivos, o segredo é sobrecarregar um lado para que o adversário ajuste sua defesa. Você sobrecarrega um lado, os atrai para lá, e eles deixam o outro lado fraco. É por isso que você tem de passar a bola, mas somente com uma intenção clara".

Contrapressão
O nome em alemão Geggenpressing, que na tradução literal significa “contrapressão”, quer dizer a tentativa de uma equipe de retomar a bola o mais rapidamente possível depois de perdê-la. Nesse caso, não é se opor à pressão, mas de pressionar o contra-ataque do time adversário. Isso ajuda a provocar o erro do oponente na tomada de decisão. A ideia não é nova, mas foi aperfeiçoada.

O técnico alemão Jürgen Klopp, do Liverpool, é o principal expoente do conceito, que orienta a pressão sobre o jogador que está com a bola, a recomposição e a manutenção da estrutura da equipe.

“O melhor momento para recuperar a bola é imediatamente depois de perdê-la”, explicou o técnico do Liverpool, Jürgen Klopp. “O adversário ainda está tentando se orientar, procurando o melhor passe. Ele terá sido obrigado a tirar os olhos do jogo para fazer o desarme ou a interceptação e terá gasto energia. As duas coisas o deixam vulnerável.”

Com a bola
O time vermelho ataca, empurrando o azul para o seu campo de defesa.

Perda da bola
Mas o time vermelho perde a posse de bola, seja por desarme ou erro de passe, e agora o azul é quem está com ela.

Pressão imediata
Em vez de focar em voltar para a defesa, o time vermelho faz uma pressão, com todos os jogadores próximos da bola, para retomar imediatamente a posse dela.

O espaço no futebol
Saber como se posicionar é fundamental para um time ter um bom desempenho em campo. Mas não existe uma fórmula única. Abordagens diferentes podem levar ao caminho da vitória. Expressões que tratam sobre o uso do espaço, como “amplitude”, “profundidade” e “entrelinhas”, passaram a ser comuns em entrevistas de técnicos.

Amplitude
A ideia prevê colocar jogadores bem abertos no campo, criando espaços pelo meio e abrindo a defesa adversária.

Profundidade
Está relacionada ao comprimento do campo. Uma equipe que consegue ter profundidade “empurra” o adversário contra o seu gol.

Entrelinhas
A movimentação de jogadores entre as linhas de marcação adversária é um pedido de muitos técnicos, pois confunde a marcação do oponente e cria oportunidades.

Outros termos táticos que você já ouviu por aí…

 TERÇO FINAL
Se dividirmos um campo de futebol em três partes, o terço final é a parte mais próxima do gol adversário.


 TRANSIÇÃO
À exceção da bola parada, o futebol pode ser dividido em quatro fases: quando o time tem a bola, quando o adversário é quem está com ela e os dois momentos em que uma equipe vai de uma para outra fase. Ou seja, nas duas últimas, surgem oportunidades para explorar a lentidão do adversário neste momento de transição.

PERIODIZAÇÃO TÁTICA
É uma metodologia em que se busca adaptar o treino ao modelo de jogo proposto pelo técnico. Nada de atividades longas ou focadas só na parte física. São treinamentos intensos em intervalos de tempos mais curtos.

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