A fome ameaça o planeta

Publicação: 2017-10-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Alcyr Veras
Economista e professor universitário


O pior flagelo da humanidade é, indiscutivelmente, a fome. Ela aniquila, anula, e humilha a dignidade humana.

Segundo o relatório de uma pesquisa elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Européia (UE), a fome no mundo aumentou de 80 milhões de pessoas em 2015 para 108 milhões em 2016, registrando um percentual de crescimento de 35%. Se considerarmos a mesma variação anual, no final deste ano de 2017 chegaremos a quase 140 milhões de famintos.

O mencionado relatório, que se baseou em várias metodologias de medição, contou com a colaboração da agência norte-americana USAID e de outros organismos regionais e internacionais especializados. Os principais motivos apontados, que causaram o aumento da fome foram: preços altos dos alimentos, conflitos sociais, desemprego, e condições climáticas extremas. Entre as condições meteorológicas estudadas figuram principalmente as secas e as chuvas irregulares causadas pelo fenômeno El Niño.

Logo após o advento da Revolução Industrial, diziam os pensadores e os filósofos, da época, que a substituição do homem pela máquina havia trazido a prosperidade econômica mas, ao mesmo tempo, tinha contribuído para aumentar a distância entre pobres e ricos. Hoje, decorridos mais de dois séculos, o mundo experimentou, nesse espaço de tempo, um progresso fantástico, inimaginável. A tecnologia deu saltos quilométricos, o homem pisou pela primeira vez no solo lunar, invenções tecnológicas e descobertas científicas revolucionaram os meios de produção. A corrida armamentista e nuclear aumentou perigosamente o poderio bélico das Nações. A inteligência humana evoluiu a uma velocidade exponencial. Mas, em que pesem todos esses avanços, os construtores desse “progressismo” não conseguiram, com suas poderosas ferramentas, dar um formato acabado e homogêneo a esse modelo de sociedade. Um modelo que fosse, pelo menos, mais humano. Como consequência, estamos hoje diante de um saldo triste e estarrecedor formado por 140 milhões de pessoas que passam fome no mundo. Uma verdadeira bofetada na face dos governantes das oito Nações mais ricas do planeta. Não se pode aceitar, passivamente, a extensão de tamanho flagelo. De que adianta o avanço da ciência e da tecnologia se estas não conseguem prover os meios mais elementares de sobrevivência humana?

Para que serve, enfim, essa vastíssima parafernália ultra-moderna de equipamentos, esses avançadíssimos instrumentos de robótica, sofisticada engenharia espacial, essa mega rede de informações digitais, com acesso a tudo que se pode imaginar, se seus criadores voltam as costas para a pobreza e deixam aumentar a legião de famintos no mundo?

Os continentes mais atingidos pela fome e pela miséria são a África, a Ásia e a América Central, em países como a Somália, Etiópia, Sudão, Myamar, Iêmem, Malauí, Zimbábue, Haiti.

O mais revoltante é saber que os países ricos, geradores do maior excedente econômico do mundo globalizado, avaliado em centenas de bilhões de dólares, nada fazem por uma política de inclusão social para superar a fome do planeta, que lhes custariam apenas uma migalha dessa intrigante montanha de dinheiro a serviço de uma causa tão humanitária.



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