A fumaça e o sonho

Publicação: 2020-06-06 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Os dias e as noites de Natal andam um tanto misteriosos nos últimos meses, com ocorrências e sinais estranhos que estimulam teses as mais distintas. Há dias alguns bairros amanheceram debaixo de uma espessa neblina que lembrava o tradicional fog de Londres, o que de imediato fez alguns intelectuais da velha guarda lembrar do tropicalista pernambucano Jomar Muniz de Brito e sua sentença quando conheceu as artes daqui: “Natal é a Londres Nordestina”.

Há também nesses dias movimentos nunca vistos no marulho da nossa parte do Atlântico e muitos natalenses dizem ouvir barulhos inexplicáveis oriundos do céu, às vezes como um potente motor ou uma corneta com tonalidade atômica. As chuvas torrenciais que chegam de repente carregadas de poderosos trovões também geram interpretações esotéricas e místicas em muitos. Falam de apocalipse, extraterrestres, anjos, meteoros, buracos negros e multiverso.

Desde ontem, dezenas e dezenas comentam nas redes sociais o inesperado cheiro de fumaça que empestou as ruas de diversos bairros, inclusive alguns de Parnamirim, durante a madrugada de hoje a partir dos primeiros minutos.

Não quero crer em delírio coletivo, por mais que todos estejam passando pelas atribulações da pandemia que impõe uma quarentena cada dia mais angustiante. A verdade é que muita gente mesmo experimentou a situação.

Nesta madrugada, eu sonhei com a imagem da ilustração aqui publicada. Fui dormir poucos minutos antes das 23 horas e pouco depois – à meia-noite – acordei com o forte olor de fumaça dentro do quarto e pelo resto da casa.

Olhei todos os cômodos preocupado com foco de incêndio, afinal é um risco que passam os acumuladores de papéis, por mais elegantes eles sejam (os papéis) quando em forma de livros e revistas. Também abri todas as janelas.

E nesse instante, com o apartamento completamente ventilado, foi que percebi que o cheiro estava no lado de fora, espalhado no quarteirão. Lancei o olhar o mais longe possível procurando motivos, fogueira, fogos, mas nada havia.

Então, fiquei vendo TV e só peguei no sono pelas 3h da madrugada, após gravar meu comentário pra Jovem Pan News. Então tive um sonho estranho, passeando com meus filhos em Ponta Negra, ali na rua larga da padaria P&C.

Escuto estrondos e labaredas de fogo no céu da Rota do Sol, e de repente vejo centenas de silhuetas de gente, como sombras, subindo como balões perdidos. E percebo também vultos vindo na nossa direção, atacando as pessoas. 

Gritei para todos correrem. As pessoas na rua começaram a fugir buscando se esconder, eu entrei numa espécie de garagem e uma figura enorme, com aspecto de um anjo, me atacou com uma espada ou alguma coisa similar.

Revidei com um barrete de ferro que achei no chão. O bicho deu um golpe que partiu o ferro em dois, um pedaço menor ficou pontiagudo e eu enfiei em sua barriga, fazendo-o se desfazer igual uma bola furada ou um plástico queimado. 

Aí corri de volta à rua para avisar ao povo como combater aquilo, e vi que meus filhos não estavam em lugar nenhum. No desespero, acordei e o cheiro da fumaça ainda estava no quarto. Lembrei Menotti del Picchia, “sai do fogo da dor a fumaça do sonho”. 

Peguei o celular e descobri nas redes sociais muitos relatos sobre aquele cheiro nos bairros de Natal e também Parnamirim. Hoje, tomarei cerveja na varanda fiscalizando o céu. Talvez contenha um ET mais fácil do que a Polícia em fazer cumprir o tormentoso decreto do governo.

Créditos: Divulgação


Remanescentes 
Fantástica a reportagem especial “Últimas Vozes” na revista National Geographic, destacando os poucos sobreviventes da Segunda Guerra, uma geração que está sumindo depois de 75 anos do aterrador conflito mundial.

Depoimento
De um japonês: “Fomos enviados para a morte pelo imperador e pela nação imperial. Porém, quando estavam a morrer, os soldados jovens gritavam pela mãe e os mais velhos pelos filhos. Ninguém chamava o imperador ou a nação”.

Revisão
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo mudou de opinião sobre a tal CPI das fake news. Diz que isso demonstra os riscos de se agravar em lei um conceito de desinformação e deixar ao Estado dizer o que é certo e errado.

Fake news
A dissimulada campanha contra fake news, que gerou até CPI, é um teatro de interesses que falseia o roteiro. O fato real é que quem defende censura nas redes sociais, não o faz pelas notícias falsas, mas pelas notícias verdadeiras.

Confrontos
Os protestos e a violência policial nos EUA sempre beneficiaram os candidatos republicanos. Nos anos 1960, mesmo com o assassinato de Martin Luther King, o discurso de lei e ordem elegeu Ricard Nixon, como lembrou o Estadão.

Vida real
Uma frase instigante do advogado e radialista americano Mark R. Levin: “A vote for Trump is a vote for jobs. A vote for Biden is a vote for mobs”. Votar em Trump é votar no emprego, votar em Biden é votar em mobilizações na web.

Academia 
A literatura potiguar tem duas autoras com produção robusta digna de valer uma candidatura na Academia Norte-riograndense de Letras: Nivaldete Xavier e Marize Castro. Não sei a disposição de ambas, mas sei que bem merecem.





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