A gastronomia de hoje e a Natal de ontem

Publicação: 2018-08-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Um dos fundadores da Revista Deguste, o jornalista Washington Rodrigues tem por rotina escrever e editar matérias sobre o mercado da gastronomia de Natal. A parte que mais gosta na atividade (além de comer bem, é claro) é analisar as perspectivas do setor de alimentos e bebidas a partir da dinâmica econômica da cidade.

Washington Rodrigues, jornalista
Washington Rodrigues, jornalista

“É interessante observar como cada região de Natal tem sua vocação específica, seu público cativo, e partir daí prever o que o futuro prepara para cada empreendimento gastronômico. Quem consegue captar os sinais à mostra pela cidade tem mais chances de acertar no tipo de restaurante que vai montar e conseguir longevidade no negócio”, teoriza.

Além de ir a restaurantes, algo que o jornalista adora fazer é frequentar a parte antiga de Natal, como os bairros da Ribeira, Alecrim e Cidade Alta. “Andar pelo comércio do Centro é uma aventura sensorial incrível. A gente descobre minúcias só acessíveis a quem ainda tem paciência de saborear aquela vida lenta e sossegada dos tempos que não voltam mais.” As manhãs de sábado e domingo são obrigatoriamente para tomar café nas muitas padarias que a cidade oferece. “Vou a todas. Em bairros diferentes. A mais frequente é a P&C de Petrópolis”.

Avesso a baladas e a lugares barulhentos, Washington gosta mesmo é da discrição dos restaurantes tradicionais que preservam o sossego.  “Ponta Negra é um lugar maravilhoso. A influência europeia faz do bairro um caleidoscópio de sabores. Mas ultimamente tenho ido muito pouco por causa do rigor da Lei Seca. Moro em Lagoa Nova e na volta, obrigatoriamente, tem as barreiras da polícia de trânsito”.

“A Lei Seca é importantíssima. Mas o excesso de rigor tirou muita gente boa dos restaurantes. Colocaram na mesma régua jurídica um pacato tomador de vinho, como eu, e aqueles que bebem irresponsavelmente. Isso foi ruim. Deixou a vida mais chata e tornou incessíveis alguns prazeres, como um prato bem executado, escoltado por um vinho adequado, num restaurante que trata a gente com carinho...”.

Para Washington, falar de restaurantes e não citar algumas marcas do nosso mercado de gastronomia é injustiça. Elas merecem destaque porque são âncoras no segmento. Ano após anos são as casas que mais atraem clientes e cujo giro é o sonho de consumo de qualquer empreendedor do ramo, como Tábua de Carne, Mangai, Camarões, Abade, Santa Maria, Cipó Brasil, Tapiocaria, Douce France, Piazzale, Takami e Fogo e Chama. Não é a toa que eles são sempre lembrados em qualquer lista de melhores restaurantes da cidade.

“A região do Tirol/Petrópolis tem lugares sensacionais e uma atmosfera mais formal e sóbria, como eu gosto. Todos os restaurantes do bairro são excelentes. Almoço muito no Flor de Sálvia e gosto de jantar no Basílicos. A comida é boa e o serviço é rápido. E vou com constância ao bistrô da Vinhedos, debaixo da escada rolante do Natal Shopping.”



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