Governadora só paga a folha devido a Bolsonaro, diz Fabio Faria

Publicação: 2020-10-04 00:00:00
Everton Dantas
Diretor de Redação

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), afirma que a governadora Fátima Bezerra só consegue pagar a folha dos servidores, porque o presidente Jair Bolsonaro transferiu expressivos valores ao Estado para compensar queda nas receitas e para combater a pandemia. “Hoje, [a governadora] só está conseguindo pagar a folha, só consegue recursos para [enfrentar] a covid, devido a Jair Messias Bolsonaro, que é quem ela mais odeia e sobre quem ela mais fala mal”, afirmou. E acrescentou: “Quem está pagando 40% do décimo [terceiro salário antecipado aos servidores estaduais] é Bolsonaro, porque o dinheiro era para covid e ela está usando para folha”. 

Créditos: Divulgação

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Nesta entrevista, Fábio Faria também destaca previsões para o leilão do serviço de 5G no Brasil e perspectivas políticas dele para 2022. Ele reafirma que descarta uma candidatura ao governo e a deputado federal. Concorrer ao Senado não está totalmente fora de cogitação, mas prefere exercer algum papel na comunicação da campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

Qual o maior desafio que o senhor encontrou no Ministério das Comunicações no atual momento do Brasil?
O maior desafio era aumentar a percepção das realizações do governo, fazer isso chegar na ponta. É um desafio diário, porque a Comunicação é um apêndice de todos os ministérios, todo mundo tem de se comunicar e o governo tinha muitas entregas importantes e de vários ministérios. Mas  estava na pauta central sempre debates, embates e conflitos. Isso estava fazendo com que a gente gerasse uma sombra muito forte no governo e as pessoas não estavam tendo a percepção das realizações. Então, primeiro, a gente acalmou um pouco esses conflitos. Não tem como esquecer de vez ou eternamente os conflitos, até nas redes sociais, familiares, há conflitos com relação à política, mas hoje temos conseguido fazer com que cada ministro  mostre o que tem feito. Eu tenho dividido, em uma semana falam dois ministros, na outra semana mais dois. Tenho colocado eles para falarem com veículos que eram considerados de oposição, que são adversários, mas que são importantes para eles falarem. Foi o primeiro desafio, mostrar o que o governo vem realizando. E tem os desafios maiores, como a privatização dos Correios e o leilão do 5G no ano que vem. Há diversos desafios importantes, mas cito esses dois como os maiores a partir de 2021.

O estilo próprio do presidente, embora ele tenha amenizado... Esse é um desafio também para o ministro das Comunicações?
Entra, mas quem usa as redes sociais é o próprio presidente. Ele não abre mão. Acorda muito cedo, todos os dias às 5 horas da manhã.  Todos os ministros às “seis e pouco” já estão acordados. Ele (o presidente) começa a se comunicar como é o jeito dele, através do WhatsApp com a gente e vai conversando. Já liga de vez em quando e o papel que tenho é tentar explicar o que saiu na mídia. “Não presidente, essa questão aqui não tem a ver com o governo, foi mais isso”. Então, tem de se ter uma leitura maior, porque o presidente recebe muitos "inputs" diretos de pessoas que ficam mandando um vídeo, uma matéria, um veículo que vem com uma maldade maior, outro que nem é algo contra o governo. É preciso uma leitura, vê realmente o que vale separar mesmo, o que é necessário enfrentar e o que deve  deixar seguir. Esse é um trabalho que tem acalmado muito o presidente. A leitura diária é importante e ele também, hoje, consegue ter uma visão muito maior de tudo. Está há mais de um ano e meio no governo, tem um faro político muito forte e hoje já tem uma visão mais ampla, mais noção de quais são as suas batalhas e nas brigas que deve entrar e não deve entrar. Já está mais moderado com relação a isso.

O senho conviveu com Bolsonaro como deputado e agora como presidente. Mudou alguma coisa e o que mudou?
Ele era de comissões diferente das minhas. Sempre atuou na área de segurança, direitos humanos. Ele entrava em debates com relação a isso e eu estava, no primeiro mandato, na Comissão de Esportes, Combate às Drogas e depois entrei em Ciência e Tecnologia. Então, eu não tinha o convívio parlamentar com ele em comissões, que é onde acompanha mais de perto. Agora, como presidente, acompanho e tenho convivido desde o começo do governo. E sempre vi o presidente bem intencionado, querendo acertar, um governo honesto e bem diferente de todos os outros. Em relação a indicações políticas, por exemplo, tinha uns feudos, já se sabia que aquele ministério era de partido “X”, porteira fechada. O nome sempre era o mesmo, outro a mesma coisa. E os órgãos sempre tinham nomes que, independente de ser governo do PT ou do PSDB, aquele ministério seria daquele partido político. Então, ele quebrou tudo isso. Quando quebrou disseram: “Não vai aprovar nada. Como é que esse cara acha que vai aprovar a reforma da Previdência, sem dar ministérios para os partidos?”. E ele conseguiu aprovar muitos projetos importantes: liberdade econômica e reforma da previdência. Foi acima do esperado. A pauta liberal sempre deixou com Paulo Guedes (ministro da Economia), comandando tudo com a estrutura  ministerial dele. Todo dia gera conflitos, mas sempre diz: “A palavra final é do Guedes”. Já acompanhei mil vezes: “PG, decida”. Essa semana mesmo, duas reuniões que a gente teve: “PG é com você”. Então, ele confia na área que ele não tem conhecimento. Ele diz: “Não entendo de economia, quem entende é PG”. Delega bem e acho que o governo tem melhorado muito, evoluído, porque tem rumo. Quer acertar e tem muitos ministros bons, Tarcísio Gomes de Freitas, na Infraestrutura; Teresa Cristina, na Agricultura; Roberto Campos, no Banco Central. A retomada econômica do Brasil, após a pandemia... Todo mundo achava que a gente ficaria dez anos afundado, para só então tentar recuperar e sair desse buraco. Mas está retomando a economia de uma maneira que ninguém esperava. Acho que todos os governos tem erros e acertos, isso é normal. Mas temos uma Esplanada dos Ministérios muito boa que trabalha sob o comando do presidente. Ele libera mesmo os ministros. Não existe, “o presidente falou isso, apesar de ter um ministro que eu gosto”. Não, se gosta do trabalho do ministro, tem que agradecer porque foi o ministro que o presidente escolheu; se não gosta, também pode criticar, porque foi o presidente que escolheu. 

E essa melhora na popularidade dele? Saiu até uma pesquisa dando 52% na avaliação pessoal?
Tem uma série de fatores. A  pacificação ajuda para que as pessoas tenham melhor percepção das realizações do governo. Na pandemia do coronavírus, o presidente desde o começo comprou uma briga, ficou isolado, praticamente, tomou uma posição contrária a todos os governadores e disse: “Olhe, a saúde é importante e a economia também, o remédio não pode ser mais forte do que a doença, nós poderemos ter um prejuízo muito maior, pessoas irão morrer se tivermos um grande número de desempregados”. Ele atacou a área econômica muito forte e quem achou que ele não iria ajudar no combate ao coronavírus, foi o contrário. Os estados [ficaram] cheios de dinheiro; os governadores, com muito dinheiro. Teve alguns até que utilizaram para outros destinos. A Policia Federal e o Ministério Público estão apurando. As empresas receberam ajuda do governo, como o Pronamp. O Congresso Nacional também trabalhou remotamente, mas fez o seu papel. O governo descobriu os invisíveis, aquelas pessoas que trabalhavam vendendo na praia, pipoca no estádio de futebol, e que praticamente só tinham essa fonte de renda e para as quais chegou o auxílio, o que foi importante. Caso contrário as pessoas iriam morrer de fome. Esse auxílio também manteve a economia aquecida. Esse conjunto todo aumentou a popularidade dele, juntando com o perfil do presidente, que chega a cavalo, coloca um chapéu, pega o microne, solta uma piada, come com uma Coca Cola dentro do prato.

Então, não é algo forçado. O nordestino aprendeu a gostar do presidente, porque sente verdade. Ah, tem muita gente que diz: “Foi o auxílio”. Então, coloca lá um político todo “coxinha”, ensacadinho e de gel para trás e chega com auxilio no Nordeste. A população não vai ter sinergia, empatia. O presidente Bolsonaro quebrou essa barreira e as pessoas conseguem entender isso.

O presidente vem dando atenção maior ao Nordeste?
Vem. Ele foi muito criticado quando ganhou as eleições. Diziam que o presidente não iria governar para o povo nordestino. Tinha uma imagem de que só quem gostava do Nordeste era o PT, a esquerda,  de que o PSDB era mais um partido paulista e de que o presidente só iria governar para o Rio e São Paulo. Ele atuou no Nordeste, fez o Ministério do Desenvolvimento Regional, com  ministro Rogério Marinho que tem trazido obras importantes, retomou as obras do ramal do rio São Francisco, entregou para o Ceará a Transnordestina (ferrovia), a gente vai entregar ano que vem a Barragem de Oiticica (RN). As obras importantes de infraestrutura no Nordeste estão seguindo. O presidente tomou uma decisão, que eu acho que foi muito sábia: “Não quero obra nova, porque obra parada é recurso público jogado no lixo, para mim não importa se foi de Fernando Henrique Cardoso, de Lula, de Dilma ou do Temer, vamos colocar as obras para funcionar”.

Ele retomou as obras e isso foi muito importante, porque o Brasil também precisa disso, de infraestrutura. E o foco da economia também no povo nordestino. Muitas empresas que iam quebrar receberam auxílios, que também foram importantes para os nordestinos, onde muitos eram informais. O que gosto também do presidente é que em todos os momentos, e em qualquer discussão que tem em relação a esse tema, ele mantém isso na linha do teto de gastos .