Água na Lua

Publicação: 2020-10-27 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Metade da Terra voltou a olhar melhor para a Lua, sem que o motivo fosse necessariamente as belezas de um lual ou as inspirações poéticas e amorosas. É que duas investigações científicas de um projeto chamado SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrader Astronomy) da Universidade do Colorado acharam H2O no Polo Sul do nosso satélite, indicando grandes quantidades de água em seu núcleo, talvez muito mais do que se pensava.

O anúncio foi feito em paralelo pela NASA e pela revista Nature Astronomy, onde os autores de ambas as investigações publicaram os resultados que há décadas são tão esperados. A primeira descoberta foi possível graças à análise dos dados obtidos pelo telescópio do SOFIA, improvisado num Boeing 747 e dedicado a rastrear imagens infravermelhas de vários objetos do Sistema Solar. O avião voa a cerca de 13 mil metros de altura, examinando o espaço.

Os dados infravermelhos recém-obtidos (pertencentes a comprimentos de onda de 6 nanômetros) revelam o sinal espectral inconfundível de água em grandes quantidades, confirmando as pesquisas anteriores que sugeriam hidratação.

Só que a maioria desses estudos anteriores eram baseados em observações feitas em comprimentos de onda de 3 nanômetros. Neste espectro é muito difícil discriminar entre H2O e algum componente do chamado grupo hidroxila.

A impressão digital agora detectada parece responder a quantidades de água que não são compartilhadas com outras hidroxilas. Os sinais chegam em latitudes muito ao sul e em abundância entre 100 e 400 partes por milhão. 

Os autores da descoberta sugerem que este elemento líquido pode estar envolto em cristais ou entre partículas sólidas na superfície lunar, o que o permitiu permanecer protegido do ambiente hostil, exatamente no lado do Sol.

Paralelamente, a revista Nature Atronomy também divulgou outra descoberta relacionada ao mesmo assunto. Acredita-se que a água poderia ser capturada em missões espaciais e permanecer quase permanentemente intacta. 

As pequenas cápsulas cheias de água podem ser muito mais abundantes na Lua do que se pensava anteriormente. Se pudéssemos estar sentados no Polo Sul da Lua, veríamos milhões de pequenas sombras ao nosso redor. 

São minúsculas cavidades onde os raios do Sol nunca chegam. Dentro delas, é muito provável que haja água congelada. Essas rachaduras são dispostas de tal maneira que há bilhões de anos não recebem o calor da luz solar. 

Usando imagens do Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, o mapa mais detalhado dessas micro-sombras foi desenhado. No total, pode haver cerca de 40.000 quilômetros quadrados de solo capazes de abrigar água gelada. 

A ciência sempre imaginou que essas armadilhas de gelo poderiam conter água suficiente para uso de missões tripuladas. Se converter a água em hidrogênio e oxigênio, teremos fonte de energia e suporte de vida no futuro.

A água lunar, como aconteceu na Terra, certamente alcançou seu destino encerrada nos minerais de milhões de asteroides ou meteoros que impactaram com o solo. E agora, pode ser um golpe inesperado para missões tripuladas.

A NASA planeja enviar humanos de volta ao nosso satélite em breve. O programa Artemis espera enviar uma mulher à Lua pela primeira vez em 2024. A primeira fase do projeto com nave não tripulada será em novembro de 2021.

Em 2022 deve ser lançada uma nave tripulada que orbitará o satélite no seu Pólo Sul, mas não pousará. Em 2024, a humanidade pisará novamente onde não vai desde 1972. E quem sabe teremos o primeiro copo d’água lunar.

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