Água não tem substituto

Publicação: 2018-12-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Ronaldo Fernandes
Engenheiro Agrônomo

Volto ao assunto pela quarta ou quinta vez e insisto – ele é permanente, atual e preocupante.  Água é vida e não há nada que a possa substituir. As primeiras civilizações surgiram à margem dos rios e lagos. Porem os cuidados que a mãe natureza requer, não vem sendo atendidos a contento. O ciclo da água está em processo de rompimento pela destruição da cobertura vegetal representada pelas florestas, sobretudo nas margens os rios. São elas que seguram as barrancas desses cursos d’água, formando uma teia de raízes que agarram a terra, mantêm a umidade e evitam a erosão. Suas nascentes precisam ser protegidas como verdadeiros tesouros, na verdade são minas de águas. Recentemente, vi na TV, uma reportagem sobre a preservação dessas fontes, mediante o plantio de bosques com plantas nativas locais no estado de Minas Gerais. Tais providências vão garantir o presente e o futuro dos recursos hídricos em suas origens. Todavia, há que reconhecer que não cabe só ao governo essa missão. A responsabilidade é de todos nós, direta ou indiretamente ligados à questão. Afinal, o ser humano é o maior beneficiário desse bem maior do planeta. Entretanto, observa-se muita coisa fora da curva. Aqui mesmo em nossa cidade, se vê caminhões da Prefeitura despejando água nos canteiros de ruas e avenidas, nos horários mais inadequados. Com temperatura elevada, metade do líquido se perde por evaporação. Ao mesmo tempo, não é raro ver lavagem de calçadas e veículos, com água tratada da CAERN. É um contra senso, trata-se do recurso natural mais escasso do RN.

Um outro tema relevante que não parece preocupar muito a sociedade brasileira, refere-se a Amazônia, a maior massa de vegetação tropical existente no universo. E não é de hoje que o mundo desenvolvido olha com inveja e avidez para a região. A rica biodiversidade, a riqueza mineral e a responsabilidade climática da floresta são essenciais para o desenvolvimento do país. Ela é determinante para os regimes de chuva das regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste. Preservar e utilizar suas potencialidades, é um imperativo para uma Política de Estado permanente, qualquer que seja o governo no poder.

Voltando a atenção para o Nordeste e em particular o Rio Grande do Norte, verifica-se que a falta e irregularidades de chuvas tem sido ao longo do tempo, nossa maior limitação. Limita a produção agrícola tradicional, principalmente de alimentos básicos e compromete o abastecimento urbano. Os reservatórios com baixa acumulação, exigindo invernos mais volumosos e o bioma caatinga sendo agredido e mutilado. Já ocorrem áreas no sertão em avançado estagio de desertificação, como na região do Seridó. Não se pode mudar o clima e sim, conviver com ele. Chuva e seca vão existir sempre no nosso território. Já se dispõe de técnicas para usar com inteligência e normas a serem adotadas. Dou um exemplo: nas áreas mais secas do estado, como regiões Sertão Central, Seridó e Litoral Norte(incluído o Mato Grande), somente utilizar irrigação localizada que pode economizar de 30 a 50% de água. Métodos xique-xique, gotejamento micro asperção. Por outro lado, quanto menos mexer com a vegetação da caatinga melhor, principalmente plantas de maior porte e fruteiras nativas. Quando muito, nas áreas de cobertura vegetal mais densa, proceder um raleamento seletivo para facilitar a formação de pasto nativo com a chegada das chuvas. Proteger as margens de açudes, várzeas, rios e riachos, onde umidade residual, pode estar presente para cultivar vazantes. Preservar as reservas de cactáceas nativas e amplia-las com palma forrageira. Enquanto isso, aguardemos as águas do rio São Francisco que irão superar os graves problemas de abastecimento da população urbana do interior já com 70 a 80% do total de habitantes. Ao mesmo tempo, será ampliada as potencialidades de irrigação no semiárido estadual, hoje superando os 20 mil hectares.



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