Águas do RN

Publicação: 2020-07-02 00:00:00
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Garibaldi Filho
Ex-senador

Tenho lamentado não poder ir ao interior do Estado, agora que as chuvas, neste período, desenham uma nova e sorridente paisagem. Realmente, esta pandemia impede que possa estar mais perto do homem do interior, uma vez que se impõe a quarentena.

Gostaria de fazer, nestes dias, o "caminho das águas", passando pelas nossas barragens que voltam a ser fonte de reserva hídrica. Afinal, após muitos anos de seca que deixavam os nossos reservatórios vazios, a água volta a ficar acumulada nos reservatórios, a partir da barragem de Umari, construída no nosso governo, que com as chuvas deste ano, está com 92% da capacidade preenchida, podendo a qualquer momento transbordar. Desde de 2011, não se tinha, nos 47 reservatórios, um volume da água como agora, com 56,45% das reservas totais.

No ano passado, por exemplo, neste mesmo período, o índice estava em apenas 32%. Segundo maior reservatório do Estado, a barragem de Santa Cruz, também construída na nossa administração, tem hoje 35,29% da sua capacidade tomada. Sendo assim, há reserva garantida até o próximo ano. São dados positivos para um Estado com amplo território localizado no semiárido.

Outra notícia importante, sobre recursos hídricos, foi a de que as águas do Rio São Francisco devem chegar até o segundo semestre do próximo ano ao RN, algo tão almejado pelos potiguares. 

Diante dessa perspectiva, a que se creditar sua realização à presença, no Ministério do Desenvolvimento Regional, do nosso conterrâneo Rogério Marinho. Claro, foi à frente desse mesmo Ministério que o ex-ministro Aluízio Alves concluiu a elaboração de um projeto viável para a transposição, fazendo o lançamento oficial no Palácio do Planalto, no governo Itamar Franco, de uma iniciativa fundamental para que tivéssemos todas as demais etapas sem as quais não chegaríamos, agora, tão próximos da conclusão desta obra de transposição, uma luta de séculos dos nordestinos que sabem da importância de termos esta infraestrutura na região. 

De lá para os dias de hoje, tivemos, em vários governos — como os de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rosseff, Michel Temer e, agora, o de Jair Bolsonaro —, esforços para a continuidade do projeto. As condições econômicas e demais fatores impuseram ritmos diferentes em cada circunstância. 

O Eixo Norte da Integração do Rio São Francisco, responsável pelas boas notícias dos últimos dias —que foi manchete da nossa Tribuna do Norte, quando foi inaugurado —, tem 26O quilômetros de extensão, três estações de bombeamento e oito aquedutos. Quando todas as obras complementares estiverem concluídas e em funcionamento, a expectativa é de segurança hídrica para mais de 220 cidades paraibanas, cearenses pernambucanas e potiguares, beneficiando cerca de 6 milhões de pessoas, que contarão com abastecimento de água regular. 

O projeto total soma 477 quilômetros, no maior empreendimento hídrico do país, estando com 97% de suas obras físicas executadas. Quando tudo tiver terminado, cerca de 12 milhões de pessoas serão beneficiadas em 390 municípios da região.

Mas, voltando à História, temos que fazer justiça, como citamos, a Aluízio Alves, mas também a Mário Andreazza, que foi ministro do Interior, autor de uma proposta anterior para fazer a transposição. A ideia de transpor as águas do Velho Chico, como alguns se referem ao rio, é, na verdade, bem anterior. A primeira proposta nesta direção foi elaborada em 1847 sob a coordenação do deputado cearense Marcos Antônio Macedo. O projeto de 1994 contou, também, com os potiguares Rômulo Macedo e Alexandre Firmino, sendo que esse primeiro comandou as obras de adutoras no Rio Grande do Norte, no nosso Governo, ao lado de Paulo Varela.

Na Tribuna do Norte, no último sábado, há um registro de declarações, na época do resgate do projeto de Bira Rocha, então secretário Nacional da Irrigação, falando das resistências encontradas na Bahia e em Pernambuco. Na época, houve quem apontasse que o Rio São Francisco correria sérios risco com a transposição.

No Senado, ao defender o projeto, eu fazia sempre menção à chegada da energia de Paulo Afonso ao Rio Grande do Norte, lembrando que houve acusações semelhantes, refutadas por Aluízio Alves, que demonstrou não fazerem sentido aquelas objeções.

Enfrentei oposição parecida com relação à implantação das adutoras, quando houve críticas, sem fundamento, dos que apontaram a possibilidade, inexiste, da obra secar a Lagoa do Bonfim.

Não só os argumentos que apresentei à época refutaram essas críticas, mas também o tempo mostrou que as objeções eram infundadas e equivocadas.

Não poderia terminar este este artigo sem assinalar que a conclusão das obras da barragem de 0iticica se faz, verdadeiramente, imprescindível. O ministro Rogério mostra-se o grande fiador da sua conclusão. Ele disse textualmente: “Ela vai ser a caixa d’água para recepcionar as águas do Eixo Norte da transposição e, a partir daí, tudo será regulado e ingressará já em meados do próximo ano no RN". Agora só resta dizer poucas palavras ao nosso ministro: “Falou, tá falado”.