Natal
“História é coisa viva, cada vez se descobre mais”
Publicado: 00:00:00 - 25/10/2015 Atualizado: 19:23:55 - 24/10/2015
O pesquisador e escritor Lenine Pinto disse que “História é uma coisa viva, cada vez se descobre mais coisas novas”. Assim foi no caso da volta ao controverso tema sobre o Descobrimento do Brasil ter ocorrido em terras potiguares e não no sul do Bahia, como conta a História oficial. Ele  disse que para escrever o primeiro livro, em 1998, “Reinvenção do Descobrimento”, levou pouco meses para redigi-lo, depois de feitas as pesquisas junto a a autores americanos, do Brasil e Portugal.

Com o acervo da pesquisa feita para a primeira edição, Lenine Pinto disse que continuou a pesquisar, ler e reler, checar e rechecar dados e informações, até chegar a sua quarta obra sobre o assunto. Antes, já havia publicado “Ainda a questão do  Descobrimento”, no ano de 2000, e em seguida a plaquete “O Descobrimento: Casual ou Intencional, e Aonde?”, em 2005: “O negocio é que se tem um fato, depois se pega um documento ou outra coisa que esclarece mais”.
Escritor Lenine Pinto lançará seu livro no Festival Literário de Natal, no início de novembro
Lenine Pinto contou que no novo livro “O mando do mar”, por exemplo, e em relação ao primeiro livro “Reinvenção do Descobrimento”, mudou de opinião quanto a uma figura que ele considerava “bizarra” - o Mestre João, um dos capitães da esquadra de Pedro Álvares Cabral.

Segundo Pinto, ao desembarcar no Brasil, Cabral reuniu os capitães para que cada um mandasse uma carta ao Rei de Portugal, contando o que achou por aqui. “No meio dessas cartas tem uma pessoa chamada Mestre João, que até hoje ninguém sabe quem é ao certo, no meu livro dou uma meia dúzia de possibilidades”, disse o escritor, que continuou: “ No primeiro livro o chamo de bizarro, agora me convenci inteiramente ao contrário, é seríssimo, foi o homem que disse a maior verdade sobre o Descobrimento do Brasil, está no fundamento do  Descobrimento a carta desse homem” .

Leia Mais


Pinto explicou que o escritor Capistrano de Abreu também se referiu ao Mestre João como um homem que só queria criar confusão, “um lenga lenga confuso”, mas não era nada disso, “porque em um texto pequeno, um bilhete, na primeira parte diz que desceu do navio três dias depois, com os pilotos da nau capitânia, fizeram uma medição com o astrolábio, e que eles estavam a 17º graus de Latitude Sul, lá em cima em Porto Seguro, na Bahia”. Para Lenine Pinto, “pegou-se isso e até hoje tem gente que jura com os pés juntos que o descobrimento foi lá na Bahia”. Mas, voltando, Pinto disse que nesse mesmo texto curto, logo abaixo, Mestre João conta para o Rei que “se vossa majestade quiser ver onde nós estamos, mande buscar o Mapa de Bisagudo, que vai ver onde é que nós estamos”.-

Ai, segundo Pinto, “é que está a grandeza desse homem, porque naquela época o que vigorava em Portugal era uma chamada política de sigilo, eles não podiam dizer o que tinham descoberto, nada disso, um país pequeno, com pouca gente, poucos habitantes, criando colônias no mundo inteiro, África, América e Índia”.

Esse Mapa de Bisagudo, datado de 1448 e do italiano Bianco, o mapa-múndi da época que estava em mãos de um capitão português, aponta Lenine Pinto em sua obra, “é o primeiro que indica o litoral do Rio Grande do Norte, que ele chamou de Ilha Verdadeira, porque ilhas com o nome de Brasil Capistrano de Abreu levantou 16 ou 17 ilhas em mapas medievais com variações de nomes do Brasil”.

Nesse Mapa, o cartógrafo italiano descreveu que a distância entre o Cabo Palmas, em Serra Leoa, na África e o Cabo de São Roque, era de 1.500 milhas. “Então o Mestre João manda o Rei ver esse mapa, quer dizer, aponta aqui para o Rio Grande do  Norte, na mesma carta diz que foi na Bahia, mas manda ver o mapa que foi aqui no Rio Grande do Norte”.

Trechos do livro

 Texto curto, pouco mais que um bilhete em “portunhol”, a Carta de Mestre João foi achada por Varnhagen, que dizia ter ela “dado azo a Joaquim Norberto para levantar o problema a casualidade ou do propósito no Descobrimento”, ao que Capistrano de Abreu acrescentou: “Ele quiz apenas semear dúvidas” (ODB/1, p.201.) Exagero.

Essa Carta, testemunha dos fatos, na verdade os disfarça, em obediência aos ditames da política de sigilo, de tal modo confusa que a artimanha saiu como tiro pela culatra, e, ainda hoje a exata indicação do ponto demandado por Cabral, é controverso.

Mestre João, confundindo sombra austral  com setentrional, julgando estar “afastado da equinocial por 17º de Latitude Sul; e os erros de Colombo – oriundo de Sagres – na medição dos graus: “Duarte Pacheco errava por quatro quilômetros e meio; Colombo, erra por mais de 27”, registra Cortesão (HBVM. Vol . I, p. 112.)

Em 1882, o comandante Baldaque da Silva, da Marinha Portuguesa, sustentou a tese de que, na viagem de Cabral à India, em 1500, “ocorreu um afastamento voluntário para Oeste, com o objetivo de tocar as terras da América Austral”.

 Portanto, o  Descobrimento do Brasil foi intencional, e, no caso, querem alguns, trata-se de um “achamento”, como veremos.

Carlos Malheiros Dias concorda com o ilustre oceanógrafo: “Se esta intencionalidade não ficou documentada, isso deve-se, presumivelmente, tanto à perda da Carta de Cabral ao soberano, como à política de mistério que sistematicamente se aplicou às navegações portuguesas no sentido do poente.

O Mapa de Bianco,com sua “Ixola Otinticha”, prova cabal e inconteste de que o “achamento” ocorreu8 em altura do Cabo de São Roque, porquanto aquelas 1.500 milhas que separam o litoral africano da nossa costa, correspondem à distância entre Cabo Palmas, em Serra Leoa, e o São Roque potiguar.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte