A Igreja é missionária por natureza

Publicação: 2019-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Queridos irmãos e irmãs! O Clero Arquidiocesano de Natal, nos dias 9 e 10 deste mês, participou do Curso de atualização anual, ministrado por Dom Esmeraldo Barreto de Farias, Bispo auxiliar de São Luís do Maranhão. O tema do Curso foi: “A vida missionária do presbítero”. As reflexões foram feitas à luz do Documento de Aparecida, das Exortações apostólicas de Papa Francisco, Evangelii gaudium e Gaudete et Exsultate, das novas Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 e do Programa Missionário Nacional 2019-2023. Dom Esmeraldo ressaltou a intuição do Papa Francisco, presente na Exortação Apostólica Evangelii gaudium, de que a missão não é optativa, mas está enraizada na própria vida: “Eu sou uma missão de Deus nesta terra, e para isso estou neste mundo” (n. 273). E ainda: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou ornamento que posso pôr de lado...É algo que não posso arrancar do meu coração” (n. 27).

Igreja missionária é uma das tantas definições de Igreja que hoje usamos. A Igreja é definida como “Povo de Deus”, “Corpo místico de Cristo”, “Sacramento de salvação”, “Una, santa, católica e apostólica”, “Católica Apostólica Romana”. Mas, todas essas definições estão englobadas naquela que a define como “missionária”. De fato, desde a criação ou antes da fundação do mundo, como diz São Paulo, na Carta aos Efésios, Deus nos escolheu em Cristo. Essa escolha ou predestinação nos coloca diante de um desejo ou projeto ou desígnio de Deus: o de reunir todos os homens e todas as mulheres, suas criaturas, no seu coração amoroso de Pai. Para essa reunião Ele envia Jesus Cristo, seu único Filho: “quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher...” (Gl 4,4). O envio de Jesus Cristo, que a teologia chama de “missão do Filho”, foi precedido da ação de Deus junto ao povo de Israel. O povo de Israel foi prefiguração da Igreja conforme nos diz a Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, do Concilio Vaticano II:  “E, aos que creem em Cristo, [O Pai] decidiu chamá-los à santa Igreja, a qual, prefigurada já desde o princípio do mundo e admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança” (LG 2). A história do povo de Israel, testificada no Antigo Testamento, é toda ela envolvida em uma missão: os patriarcas, os juízes, os reis, os profetas, os sábios, todos eles tinham uma missão dada pelo Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Até João Batista a missão era de preparar os caminhos do Senhor, preparação que celebramos de modo especial no “advento”.

Com a vinda de Jesus começa a sua missão. A missão de Jesus envolve pessoas, que são destinatárias também dos benefícios dessa missão. Antes de Jesus nascer, a sua missão envolve Zacarias, Isabel, João Batista, Maria, José, Simeão, Ana. A missão deles é de colaborar na missão de Jesus. A Virgem Maria tem uma colaboração particular: ela foi escolhida para ser a mãe de Jesus. Em Maria vemos algo de profundo e de valiosa importância para o significado de missão: Maria não é escolhida para uma função, para uma aventura, para um trabalho remunerado e depois é despedida, demitida ou que Deus a dispensa após ter realizado o que queria. Missão significa algo permanente. Deus chama para uma vida com Ele. Essa é a missão. Vida e missão estão juntas.

Discípulos e missionários, esse é o novo nome dos católicos. Diz o Documento de Aparecida: Esta V Conferência se propõe “a grande tarefa de proteger e alimentar a fé do povo de Deus e recordar também aos fiéis deste Continente que, em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo”. Essa é a vocação de toda Igreja: ser missionária. Mas, lembremos: “Discipulado e missão são como as duas faces da mesma moeda: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só Ele nos salva” (DA 146).




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