A Jamaica é aqui: Festival online reúne 20 artistas locais até o domingo (5)

Publicação: 2020-07-03 00:00:00
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Tádzio França
Repórter      

A internet é o novo palco para os músicos, e o embalo neste fim de semana terá a cadência do mais popular ritmo caribenho: de hoje (3) até domingo será realizada a 1ª edição do Festival Rio Grande do Reggae, um encontro virtual cheio de balanço entre artistas e bandas que seguram a bandeiro do gênero no estado. Serão mais de 20 grupos ao longo de três dias, mostrando que o sotaque potiguar harmoniza muito bem com os sons jamaicanos. Os shows serão transmitidos no perfil do evento e nas redes sociais de cada artista.

Créditos: DivulgaçãoA banda do produtor cultural Carlos Henrique, Garvey Música Reggae também participa do Festival Rio Grande do Reggae on-lineA banda do produtor cultural Carlos Henrique, Garvey Música Reggae também participa do Festival Rio Grande do Reggae on-line


O processo de seleção do festival foi todo realizado pela internet, através de inscrições via formulário on-line, no qual as bandas informaram dados técnicos, histórico, e a confirmação de trabalho autoral. O evento é uma criação do Coletivo Reggae Potiguar, formado por músicos de reggae e produtores culturais com o objetivo de unir e promover a cena reggae local.

“A gente quer dar visibilidade às inúmeras bandas do gênero no estado e aos trabalhos autorais desses artistas que atualmente sofrem com a falta de espaço para shows e oportunidades”, afirma Carlos Henrique Araújo, músico e organizador. Foram realizadas duas lives de prévias na quarta e na quinta-feira, um esquenta on-line para a maratona do fim de semana.

Nomes locais já conhecidos ao lado de outros mais novos formam a programação do RGR. A sexta, dia de abertura, vai começar às 15h com Reação África, Paulo Chaffin, Chico Júnior (Crioulo Jah), NaturalMente, Resistência Potiguar, e Silvera Roots. No sábado será a vez de Allan Rastafeeling, Garvey Música Reggae, Chico Tácio e Os Carcará, Pedra do Mar, Kaya Nativa, Homem de Pedra, e Aliendígenas Dub. E no domingo, finalizando a maratona on-line, as transmissões começarão ao meio-dia com Mister Joint, Pedrada Roots, Eternamente Jah, Reativamente, Luanda Luz, Dega, Homem Rasta, Resistência 1683, e Boca da Mata. Cada show dura uma hora.

Créditos: DivulgaçãoA cantora Luanda Luz vai passar suas vibrações positivasA cantora Luanda Luz vai passar suas vibrações positivas

O festival recebeu as inscrições de 30 bandas durante o processo de seleção, prova de que mesmo diante da pandemia, os músicos estão se movimentando e querendo mostrar sua arte. “Promover um evento com muita gente, ainda mais de forma on-line, é um desafio, mas tornou-se uma alternativa mediante a quarentena para que a produção reggae possa ser vista de forma mais ampla e pudesse expandir o público dessa produção e estilo”, explica Carlos Henrique, ressaltando que já havia produzido outros eventos virtuais com êxito, como o Tributo a Bob Marley de Ceará-Mirim e a Live da Força de Natal.

Mesmo em formato virtual, o festival é uma oportunidade de exibir a diversidade dentro da cena reggae potiguar. Carlos Henrique afirma que o cenário reggae do estado reflete no geral um pouco das dificuldades do país no âmbito cultural. “Temos muitas bandas com ótimas trabalhos autorais, porém sem articulação e sem espaços e palcos disponíveis para mostrar seu talento. Necessitando de mais espaços, oportunidades e visibilidade, além das redes sociais, como festivais e editais específicos”, explica.

Apesar das dificuldades, o evento on-line pretende ser um laboratório para outros projetos após a pandemia. “O Coletivo Reggae Potiguar e o Festival RGR pretendem dar continuidade pós pandemia a esse projeto e expandir as ações para uma maior projeção da cena. Precisaremos de apoios e parcerias para que isso aconteça, o que seria ótimo para poder expandir nossas ações”, diz.

Vibrações positivas
O objetivo para quando coronavírus ficar sob controle é realizar o festival com toda estrutura além do virtual, de forma presencial e “fortalecendo ainda mais o circuito cultural da música como um todo no estado”, ressalta Carlos Henrique, que além de produtor cultural também faz parte do coletivo alternativo Goto Seco, e é músico e percussionista das bandas Boca da Mata e Garvey Música Reggae.

Créditos: DivulgaçãoAllan Rastafeeeling está entre as 20 atrações do festival localAllan Rastafeeeling está entre as 20 atrações do festival local


O reggae tem como característica, além do ritmo bem marcado, as mensagens que se alternam entre as críticas sociais e a positividade. São dois temas que caem bem para o momento. Para Carlos Henrique, a promoção de um festival como esse num cenário de incertezas e isolamento é algo necessário e gratificante. “A experiência tem sido desafiadora, mas extremamente gratificante, em face da resposta positiva das bandas, em seu envolvimento e busca de melhoria das produções e a vontade de mostrar pro público seu trabalho autoral, estimulando inclusive novas produções e aumento do público”, conclui.

Serviço:
Festival Rio Grande do Reggae. 
De hoje (3) a domingo, no perfil do Festival e de cada artista via redes sociais (Facebook, YouTube e  Instagram).