A jovem guarda francesa

Publicação: 2020-07-16 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Em agosto de 1963, quando os Beatles lançaram um compacto com a canção She Loves You, a influência do grupo britânico que já começava a se espalhar tomou maiores proporções com um grito que repercutiu na França, Portugal e Brasil se tornando mais que um trecho de música, um movimento artístico com ramificações comportamentais. Era o Yeah, Yeah, Yeah cantado pelo quarteto inglês traduzido como Iê, Iê, Iê no Brasil, Ié, Ié em Portugal e Yé-Yé na França.

O grito do hit She Loves You só aumentou o fanatismo pelos Beatles, sendo até considerado o marco zero da beatlemania, antes inclusive da travessia dos Fab Four para os EUA, de onde zarparam para conquistar o planeta. Na França, Paris já era o epicentro da idolatria e dois meses antes do compacto, em junho de 1963, um programa da rádio Europa 1, chamado Salut, juntou uma penca de jovens cantores numa festa da revista que tinha o mesmo nome. 

Entre os artistas ingleses e escoceses presentes, destacou-se um casal francês, Johnny Hallyday e Sylvie Vartan. Um tempo depois, o sociólogo Edgar Morin escreveria no diário Le Monde que estavam surgindo os jovens YéYés.

Entre aquele dia de 63 e abril de 1966, os artistas franceses envolvidos com a onda do Yé-Yé já era meia centena, com milhões de discos vendidos, um número proporcionalmente igual aos brasileiros liderados por Roberto Carlos.

A mesma revista Salut em sua edição de 66 trouxe na capa uma foto que se tornaria icônica na França, o retrato daqueles anos em véspera de conflitos estudantis. Jean-Marie Périer emoldurou na foto mais de 40 jovens cantores.

Assim como no Brasil o pensamento de esquerda rejeitou em princípio a Jovem Guarda – por ironia um termo saído de uma frase de Lênin, na França também houve reação, pelo fato do movimento ser reflexo do rock anglo-saxônico.

Para intelectuais marxistas que emulavam legiões universitárias e secundárias em direção às barricadas, o Yé-Yé era a manipulação capitalista da juventude europeia e mundial a partir dos quatro boys ingleses de uma cidade industrial.

Mas quanto mais os Beatles arrebentavam, mais o movimento ganhava força, avançando no vácuo que a banda criava em sua fenomenal trajetória musical. E na França se reforçou com a adesão de Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot.

Outros três nomes se tornariam os motores da indústria musical e da idolatria dos jovens pela nova música na cena francesa: Johnny Hallyday, Françoise Hardy e Sylvie Vartan, talentos que surgiram mesmo antes da beatlemania.

Era toda uma geração nascida em plena Segunda Guerra ou nos primeiros anos posteriores, contemporâneos de Lennon, McCartney, Harrison Ringo, alguns tendo o privilégio da amizade deles e dos rapazes dos Rolling Stones.

Na foto que ilustra este artigo, estão pela ordem seis das muitas belas cantoras daqueles anos: France Gall, Sylvie Vartan, Ria Bartok, Brigitte Bardot, Françoise Hardy e Chantal Goya. Suas canções embalaram as passeatas.

Na famosa fotografia de Périer, tem Claude François, Christophe, Dalida, Sheila, Tony Roman, Marie Laforet, Dick Rivers, Hervé Vilard, Jacqueline Taieb, Jacques Debout, Gillian Hills, Petula Clark e Salvatore Adamo e outros.

A semente daquela Paris ainda brota hoje na Europa, Canadá e EUA, com uma nova geração. Linda e sensual é a cena da quinta temporada de Mad Men, onde a louraça esposa de Don Draper canta “Zou Bisou Bisou”, um hit eterno.

Créditos: Divulgação


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