A Lúdica Fórmula Um

Publicação: 2020-10-20 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Não. O artigo hoje nada tem a ver com as corridas que estão consagrando o inglês Lewis Hamilton, que com um carro muito superior aos demais não tem adversário na milionária competição. Aliás, sequer assisto – há muito tempo – as monótonas corridas onde a maioria dos pilotos é impotente para conduzir os motores humilhados pelos bólidos de no máximo duas escuderias. Sou órfão dos anos de Schumacher, Senna, Piquet, Prost, Lauda, Stewart, Fittipaldi...

Nos primeiros anos em que a Fórmula Um começou a pegar popularidade no Brasil, quando a Record transmitiu a corrida de estreia de Emerson Fittipaldi, em 1970, pouco depois da epopeia de Pelé e companhia na Copa do México, eu e os colegas acompanhávamos os acontecimentos nas pistas através das páginas da revista Placar, que trazia reportagens, fotos, gráficos e pôsteres dos craques da velocidade. Eu improvisava corridas com papel, botões e dados.

Desenhava em folhas tamanho ofício algo equivalente aos autódromos da época, em formato serpentina, com quadradinhos como casas para o avanço dos coloridos botões de roupa a partir dos números somados em dois bozós.

Para cada circuito famoso, uma folha de papel. Os quadrados eram diferenciados com cores: verde para avançar, vermelho para ficar uma volta parado, amarelo para usar só um dado e preto para sair da pista por acidente.

Quando minha mãe atravessava a avenida Mário Negócio no rumo do armarinho da rua Pedro Novôa, para comprar coisas de costura, eu fazia a festa catando botões de camisa em todas as cores para ter todos os pilotos.

Além de jogar sozinho em casa, ou nas calçadas com os amigos, carregava na prancheta algumas páginas para realizar um Grande Prêmio na hora do recreio do Grupo Escolar Felizardo Moura. Tinha sempre uma Placar como referência.

Décadas depois daqueles anos, quando meu filho caçula fazia o jardim, tive o prazer de ir transmitir para alunos do CEI estas experiências lúdicas da minha infância com os brinquedos criados e improvisados pela meninada da época.

Meu caçula hoje está no segundo curso na UFRN e para minha surpresa me chegou a notícia de que no sábado um grupo de pais e filhos deixou de lado os jogos eletrônicos que dominam a vida agora e foi brincar de corrida na Reitoria.

Com tampinhas de garrafas pintadas pelo artista plástico Keber Maia, um dos genitores que idealizaram a brincadeira, treze garotos participaram do “GP da Reitoria” dirigindo com petelecos os “carros” no circuito de areia da UFRN.

Na disputa das tampinhas teve a participação de carros icônicos da Fórmula Um, como a McLaren, a Lotus preta e amarela de Ayrton Senna, a Benetton de Roberto Pupo Moreno, a March de Gugelmin, a Ferrari de Felipe Massa.

Também estava lá a Jordan de Rubinho Barrichello, a Williams de Nigel Mansell e a histórica Brabham número 5 de Nelson Piquet, que venceu a prova. E exato no dia 17 de outubro, data do primeiro mundial do brasileiro.

Feliz com o resgate dos bons tempos da F1, Keber Maia achou “muito divertido ver nossos filhos brincando e se divertindo como quando nós éramos crianças”. Que saudade de Pedro Rodriguez, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, James Hunt, François Cevert, Jean-Pierre Beltoise. Dias lúdicos de verdade. 

Créditos: Divulgação
Créditos: Divulgação

Pesquisa
Há três pontos na pesquisa Perfil/Tribuna que não apareceram nas anteriores: a expectativa de vitória de Álvaro Dias já no primeiro turno, o crescimento de Sergio Leocádio e o índice de indecisos, nulos e brancos abaixo das outras.

Pesquisa II
Os números divulgados domingo pela TN, nas aferições estimuladas e espontâneas, colocaram os candidatos Kelps Lima e Sergio Leocádio num mesmo patamar e onde já não cabe prognóstico sobre quem será o segundo.

Rejeição
Depois do fracasso da campanha “somos todos setenta por cento”, criada pela esquerda em junho passado, temos agora em Natal experiência na outra face da moeda. As pesquisas revelaram a existência de uma direita do 1 por cento.

Derrota
Identificada em sua coluna com teses da esquerda, a jornalista Thais Oyama, do jornal Folha de S. Paulo, publicou domingo uma avaliação das candidaturas petistas pelo País e tascou como título “O PT segue firme no rumo do fim”.

Cueca
Além de parte da imprensa tratar o senador Chico Rodrigues como líder do governo, quando é um dos vice-líderes da bancada, também não ouviu os líderes do seu partido, o DEM: Rodrigo Maia, Mandetta, Caiado, José Agripino.

Jabá News
Nos anos pré-internet havia uma preocupação no ambiente jornalístico com os esquemas de apoio disfarçado nos jornais e rádios. Corria o jabá, mas tinha o drible na percepção do leitor. Na blogosfera ninguém disfarça, é escancarado.

Complicado
Há questionamentos internos no jurídico do governo Fátima Bezerra sobre a legalidade da aplicação da Lei complementar 671 que autoriza aumento salarial para professores e especialistas, já que foi publicada após a Lei federal 173.

Comunistas
E tem tiro saindo pela culatra na direção do PCdoB em relação à campanha para vereador. A tropa usa Júlia Arruda para puxar voto, mas orienta a militância a votar em Pedro Gorky, mas um terceiro, Jana Sá, fura o esquema.








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