Alex Medeiros
A Mão de Deus
Publicado: 00:00:00 - 23/12/2021 Atualizado: 17:49:43 - 23/12/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com 

Eu não exagerei ao enaltecer em algumas notas aqui e nas redes sociais o novo filme do cineasta italiano Paolo Sorrentino, “A Mão de Deus”, uma narrativa autobiográfica numa bela viagem ao passado da sua infância na cidade de Nápoles nos anos 1980, quando o time local contratou o então melhor jogador do mundo, Diego Maradona. O título é tirado do gol de “Dios” contra a Inglaterra na Copa 1986, mas o filme não é sobre o mito argentino.

Ao mergulhar nas próprias memórias, Sorrentino sabia que a receita já havia sido feita e prontamente aprovada pela crítica e pelo público. Foi assim com Roma, de Fellini, em 1972; com Eraserhead, de David Lynch, em 1977; com Mais um Ano, de Mike Leigh, em 2010; com Roma, de Alfonso Cuarón, em 2014; e recentemente, em 2019, com Dor e Glória, de Pedro Almodóvar. Como todos esses, o filme de Sorrentino trata de amadurecimento e de autoanálise.

E quando digo que não exagerei nos elogios é porque a boa repercussão na imprensa, a receptividade dos cinéfilos e a recente escolha para a disputa de melhor estrangeiro no Oscar servem suficientemente para confirmar isso.

A Mão de Deus conta a história da adolescência do diretor a partir do jovem protagonista Fabietto Schisa, personagem que serve como veículo para a viagem às profundezas das lembranças mais vivas daqueles anos em Nápoles.

A paixão remota do garoto por Maradona é uma fonte de energia afetiva para o resgate dos acontecimentos no meio familiar e na cena urbana da velha cidade. Pensar no jogador até curava suas angústias da depressão juvenil. 

Para remontar seus dias pregressos, Paolo Sorrentino transforma todos os personagens em peças essenciais para um quebra-cabeça que revela toda a ambientação para a construção do seu próprio eu. É um drama gestáltico.

Valorizando gente e objetos, ele constrói a narrativa numa viagem de saudade e autoconhecimento. O walkman ligado nos gols de Maradona, a tia voluptuosa, o amigo contrabandista, o ídolo cineasta, a viúva do primeiro sexo.

O fanatismo da torcida local e as reuniões de comilança barulhenta da família ocupam lugar de destaque no desenvolvimento da trama. De igual modo, a presença constante de Maradona na TV, no rádio, no campo de treinamento.

E enquanto expõe o tempo todo a figura do irmão, candidato fracassado a ator, mantém a irmã invisível, sempre trancada no banheiro a responder perguntas de todos e que nem parece necessitar de respostas. Ela inicia o filme no fim.

Com a realização do desejo de ter o craque no seu time e de ser campeão nacional, cresce o outro sonho, de ser cineasta. Seu espelho é o grande diretor napolitano Antonio Capuano, com quem trava um debate sobre seu destino.

O rapaz quer ir fazer cinema em Roma, emulado pela passagem de figuras como Fellini em rodagens por sua cidade. Capuano defende o dever de casa, a velha fórmula literária de Tolstoi que fez dele própria uma referência do cinema.

Gênios como Fellini, Bergman, Glauber Rocha marcaram território universal a partir da própria origem, explorando os próprios conflitos como força criadora. E é isso que leva Sorrentino a dar às costas ao mestre e seguir seus desejos. 

Ele precisa achar a saída sozinho, os pais morreram asfixiados, gerando nele mais uma angústia e também um milagre. Nápoli fica para trás, com seus medos e paixões guardadas na paisagem que agora ele reconstrói com A Mão de Deus.

Divulgação


Cirurgia
A força da solidariedade conseguiu agilizar a cirurgia de vesícula da cantora Cida Lobo, realizada na terça-feira pela equipe do HUOL. Ela já está em casa se restabelecendo do procedimento e principalmente dos dias de internações.

Xadrez
Acompanhei de perto há alguns anos o esforço do médico Fernando Cunha para incentivar a prática do xadrez em Macaíba, que ele administrou por quatro mandatos. E desde então, a cidade vem produzindo excelentes jogadores.

Mundial
A jovem macaibense Cibele Florêncio, 24 anos, começou a jogar xadrez em 2006, com apenas 9 anos. Após ganhar alguns torneios regionais e ser vice-campeã nacional, foi convidada para disputa um torneio mundial na Polônia. 

Saúde
De Gustavo Negreiros: “A situação dos hospitais Walfredo Gurgel e Deoclécio Marques está no limite. E a Secretaria de Saúde não parece se importar. A situação está em tal ponto que só há duas caixas básicas para os médicos”.

Saúde II
“Como secretário, Cipriano tem deixado o povo à míngua dos recursos básicos de saúde e semeado a morte no Rio Grande do Norte, antes e durante essa pandemia que fez morada entre nós por tempo indeterminado”. (Franklin Jorge)

Coluna do meio
“A terceira via é uma bolha com meia dúzia de homens artificiais, completamente desconectados da vida comum. Estão fadados a eterna mediocridade”. De André Porciúncula, secretário nacional de fomento à cultura.

Pesar
Faleceu ontem em João Pessoa o publicitário Sérgio Rique, um dos fundadores da Antares Comunicação, a maior agência do mercado publicitário da Paraíba e que teve uma filial no RN em sociedade com o jornalista Casciano Vidal.

Pesar II
Sergio Rique era casado com a publicitária natalense Verônica Lisboa, que por vários anos foi diretora de marketing da TV Cabugi. Nos últimos anos, ela foi esposa e anjo da guarda do marido, que sofria de uma doença degenerativa.

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