A Madre do Seridó

Publicação: 2018-06-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Redação
woden@tribunadonorte.com.br

Quem conta esta história, que vai publicada logo em seguida, é Gerado Batista de Araújo, escritor, professor aposentado da UFRN, editor   da Edfurn (foi um de seus fundadores, tempos do reitor Onofre Lopes) por 14 anos, autor de 5 livros e escreveu em vários jornais desta província de Poti mais lida, sabendo usar a dose certa de sal no seu tempero  crítico. Seridoense nascido no Acari sabe, como poucos, contar histórias do seu chão e de sua gente (“Moleque do Acari”, “Memórias de um velho pároco” e “Lembranças”, livros). Recentemente publicou “Romance no gueto de Varsóvia”. Também é mestre em gastronomia, e por isso o “chef” preferido do poeta Nei Leandro de Castro que, por sinal, escreveu orelhas e prefácio de dois de seus livros.

Faz tempo que Geraldo não comparece aos papos da calçada do Cova da Onça, levando faltas do mestre Gaspar e do poeta Carlos Castilho que continuam cobrando por suas histórias.  Foi aí que, na boca da noite de segunda-feira, 11, aconteceu agradável surpresa:  caiu na minha bacia das almas um imeio de Geraldo, dizendo assim: “Prezado Woden: Cascaviando as gavetas encontrei este texto que escrevi há muitos anos sobre uma freira alemã. Gostaria que você publicasse em homenagem a esta figura admirável”.

É o que farei agora, transcrevendo a crônica por inteiro, começando pelo título:

Madre Fortedemais...

Geraldo Batista
Quando eu era garoto, interno no Seminário Cura d’Ars, em Caicó, a madre superiora das freiras que cuidavam da administração do espaço físico do Seminário e preparavam as refeições, era uma freira alemã “torrada no grosso”, como se diz no Seridó, quando uma pessoa é atarracada. A madre era uma figura extraordinária, tinha uma cara um pouco fechada como convém a uma freira alemã, m as ao falara se revelava simpática e de um papo admirável.

Estávamos no pós-guerra do segundo conflito mundial. Ela só não gostava de falar sobre a derrota da Alemanha, vítima das loucuras de Hitler. Nos dias festivos, páscoa, pentecostes, aniversário de algum padre, ou no onomástico do padre reitor (dia do santo cujo nome era o do homenageado), preparava um pão alemão recheado de passas que era uma delícia. Durante a missa, antes do café, a gente só pensava no pão que viria em seguida. Quando ela resolveu ir para a cozinha, a comida tinha um sabor especial.

Nos fundos do prédio onde se localizava o Seminário, havia uma fazenda dividida pelo rio Barra Nova, onde mais em cima se localizava o famoso açude Itans. A vacaria ficava do outro lado do rio. Quando o açude sangrava, o rio enchia. A freira, todos os dias, ia muito cedo tirar leite das vacas. Se o rio estivesse cheio, ela atravessava o rio a nado vestida com seu hábito. Nada impedia de fazer a sua obrigação. Uma vez, terminada a ordena das vacas, um morador da fazenda levava o leite no lombo de um jumento, passando pela ponte que ficava distante cerca de um quilômetro. Ela voltava para o Seminário a nado novamente.

Havia também uma pocilga na fazenda, ela cuidava também dos porcos, alimentados com restos de comida, cascas de frutas, etc. Nunca me esqueci de um dia de feriado, quando resolvi fazer uma caminhada pela fazenda e ela estava tentando cruzar uma porca em cio com um porco muito jovem. Quando me aproximei ela me explicou: “Esse porquinho ainda não tem nenhuma experiência e eu tenho de ensinar a ele para fazer o que deve ser feito”. Não demorou muito o porco encontrou o caminho certo para emprenhar a porca. Para uma freira brasileira, aquela cena era inimaginável, mas para uma legítima germânica, tudo não passava de uma coisa natural como Deus determinou: “Crescei e multiplicai-vos”.

Devido a sua inusitada disposição para todo tipo de trabalho, o povo a chamava de Irmã Fortedemais, onomatopeia do seu verdadeiro nome Madre Folkmare, uma heroína, pelo menos aos olhos daquele garoto que gostava de vê-la trabalhando, principalmente quando ela ia tirar o mel das colmeias do cortiço por ela cultivado. Sempre sobrava um pouco de mel para o moleque curioso. ”

Política
Li na coluna BR-18 do Estadão, com o título “Eliminações antes da Copa? ”:

- O fôlego de algumas candidaturas de si mesmas para estar se esvaindo. Guilherme Afif, que insiste em dizer que é pré-candidato embora seu partido, o PSD, não o reconheça como tal, deve ser chamado à realidade. O PRB de Flávio Rocha faz conversas abertas com o PSDB e o Podemos.

- Rodrigo Maia já cansou de interpretar o pré-candidato e quer ir cuidar de sua reeleição ao mandato e à presidência da Câmara. O MDB já não esconde o desejo de desistir de Henrique Meirelles. E o PCdoB só espera o nome do PT para decidir se vai com ele ou com Ciro Gomes. Os desfechos podem vir antes mesmo da Copa.

Livro 
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

- O governo muçulmano do Paquistão está recomendando “O alquimista” do nosso Paulo Coelho, a todas as suas autarquias. Publicado pela primeira vez em 1988, em português, é o livro brasileiro mais traduzido no mundo, em 70 idiomas diferentes.

- Segundo a AFP, a obra já vendeu mais de 150 milhões de cópias. Entre os leitores, o ex-presidente americano Bill Clinton.

Chuva 
Dois dias seguidos de chuvinhas, chuviscos no Rio Grande do Norte. Na Paraíba, idem, idem. No Ceará, ontem deu zero. A única chuvinha potiguar foi a que caiu em Natal - 2,9 milímetros, segundo o boletim da Emparn.  Mas no cruzamento da Prudente de Morais com a Alexandrino, que não tem pluviômetro, mas tem engarrafamento, houve alagamento. Foi no começo da noite de terça-feira, véspera de Santo Antônio.

É problema que vem derna do tempo dos holandeses.

Copa 
Hoje, em Moscovo, começa a Copa do Mundo. Jogo de abertura: Rússia e Arábia Saudita. Dependendo da torcida do Cova da Onça, as gerais e arquibancadas torcem pelos Sauditas. O Putin também não é popular na galera da Ribeira.

Apito do juiz marcado para as 11h30, beirando o almoço.  Estrogonofe leve.


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