‘Melão’ cresce e puxa exportações

Publicação: 2017-07-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
repórter

Os devastadores efeitos da seca no Ceará contribuíram, numa situação antagônica, para o aumento da exportação do melão produzido no Rio Grande do Norte. Os números registrados em uma década mostram o potencial de produção da agricultura irrigada no semiárido que elevaram o produto ao posto de principal responsável pelo incremento das exportações do estado. De 2006 a 2016, a produção dessa fruta mais do que dobrou.
                                                                                                                                         Renata Moura
Empresa produtora de melão no Rio Grande do Norte: Estado, que é o maior produtor da fruta, retoma a liderança na exportação
Empresa produtora de melão no Rio Grande do Norte: Estado, que é o maior produtor da fruta, retoma a liderança na exportação

O estado saltou das 160 mil toneladas colhidas em 2006, para 354,7 mil toneladas produzidas no ano passado. Somente no primeiro semestre deste ano, o crescimento da colheita em relação ao mesmo período do ano passado foi de 170% com movimentação de 39,2 milhões de dólares. Caso a estimativa de aumento de 15% da safra projetada para todo o ano de 2017 se confirme, o RN será o maior produtor e exportador de melão do país, a frente do Ceará, concorrente diretoe até então líder em exportação da fruta.

A estiagem prolongada que deixou em colapso a principal bacia irrigadora das plantações de melão no Ceará, posicionadas ao longo da área abastecida pelo Açude Castanhão que desagua na BaciaJaguaribe, provocou o êxodo dos produtores para terras potiguares. Eles se instalaram,  principalmente, nas cercanias de Mossoró, onde a oferta de água no lençol freático é uma das maiores do estado. “A seca no Ceará beneficiou a produção de melão e melancia no Rio Grande do Norte. Os produtores procuraram regiões com maior disponibilidade hídrica para irrigação das plantações e encontraram-na em Mossoró e região, de onde extraem através de poços”, analisou o economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Rio Grande do Norte (IBGE/RN), Aldemir Freire. Em todo o estado, quase 14 mil hectares são dedicados à produção de melão.

Por depender dos mananciais de superfície para irrigação das plantações, o Ceará reduziu a produção pela metade de 2014 para 2015. O Açude Castanhão, maior reservatório do estado sucumbiu, ao longo do ano passado, a menos de 6% da sua capacidade de armazenamento que é de 6,7 bilhões de metros cúbicos e impactou diretamente na produção irrigada.

A colheita, que começará nos próximos dias, movimentará um exército de quase dez mil trabalhadores somente em Mossoró, o município que concentra mais da metade da produção local.  Na Fazenda Agrícola Famosa, sete mil hectares são destinados à produção de frutas tropicais. Destes, três mil são específicos para melões e melancia. A empresa é uma das que mantem unidades produtivas no Ceará e no Rio Grande do Norte.

“Há uma diferença fundamental na oferta hídrica para irrigação do melão no Ceará e no RN, haja vista que nossa produção se desenvolve majoritariamente a partir de poços tubulares. No Ceará, por sua vez, a maior parte da produção ocorre utilizando águas superficiais, tendo como principal fonte de abastecimento a bacia do Rio Jaguaribe. Logo, a crise hídrica dessa bacia, com recuo acentuado da área perenizada da mesma, expulsou do referido estado um grande número de produtores que migraram para o RN, sobretudo para aquelas regiões onde havia maior disponibilidade de água para irrigação”, apontaram os economistas Aldemir Freire, do IBGE, e Joacir Rufino.

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