“Mestre Severino do Coco” já está disponível no Youtube

Publicação: 2021-04-07 00:00:00
Sem perder o ritmo jamais, do alto dos seus 83 anos, o brincante Mestre Severino mantém girando a roda de uma cultura ancestral que luta para continuar viva em pleno século XXI. Considerado um dos grandes artistas populares ainda vivos do estado, sua importância foi registrada no documentário “Mestre Severino do Coco”, filme dirigido por Rodrigo Sena, lançado pelas produtoras Aboca e Ori Audiovisual. O curta-metragem documental tem oito minutos e já está disponível no Youtube. 

Créditos: RODRIGO SENASeverino Bernardo Santiago é mestre de uma arte dos escravosSeverino Bernardo Santiago é mestre de uma arte dos escravos

O filme é um apanhado resumido dos mais de dez anos em que Rodrigo Sena convive com o mestre. As gravações foram feitas ao longo desse tempo, registros de admiração e afetividade. “Quando falamos mestre, não só remetemos ao contexto cultural, mas também ao reconhecimento como mestre pelos ensinamentos e modo de tratar a vida”, diz o diretor e roteirista. Ele reafirma o filme como uma homenagem a Severino, visando as futuras gerações, e ressalta um pedido do próprio: “Se for fazer algo por mim, que faça em vida”. Feito.

O curta-metragem é também o ponto de partida para um projeto maior: um telefilme sobre o Mestre Severino e outros mestres e mestras da cultura popular, que pretende ser distribuído para canais de televisão. O telefilme de 52 minutos, com direção de Rodrigo Sena, amplia o olhar para mestres brincantes do Nordeste. “Esse material mostra o Severino de uma forma mais robusta e contempla outros mestres do coco. Estamos na correria para viabilizar esse filme maior”, diz.

"Quando estávamos catalogando e mapeando todo o material audiovisual para o projeto, é que tivemos a noção real da riqueza histórica e de memória que temos em mãos, e que apenas um curta-metragem não conseguiria dar conta. Por isso, o projeto do telefilme para a TV é tão significativo e importante para nós", complementou Arlindo Bezerra, produtor executivo do projeto. O curta tem patrocínio da Lei Aldir Blanc, Prefeitura do Natal e Governo Federal.

De coco em coco
Severino Bernardo Santiago, nascido em Vera Cruz, é mestre de uma arte criada entre os escravizados dos engenhos de açúcar do Brasil colonial. O coco, uma dança de roda e ritmo, surgiu em Pernambuco e se espalhou pelas capitanias adjacentes – Rio Grande do Norte, incluso. É um misto de batuques africanos e bailados indígenas guiado por uma cantoria em pares, e conduzida por palmas e instrumentos como ganzá, surdo, pandeiro, triângulo, e os tamancos de madeira que imitam o som do coco sendo quebrado. Há vários segmentos de coco.

Mestre Severino viveu em vários municípios potiguares, incluindo Natal, onde morou na vila de Ponta Negra. Atualmente, aos 83 anos de idade, ele mora no distrito de Alcaçuz, município de Nísia Floresta. Quando criança, acompanhava seu pai, Luiz Bernardo Santiago, nas brincadeiras de zambê, chegança, bambelô e Boi de Reis. Vivia no meio rural e por meio da aproximação desse universo de manifestações populares, aprendeu e dedicou seu trabalho ao coco.

Aprendeu com o pai a cantar, produzir os instrumentos e tocá-los, como o pau furado, a dança e a estrutura rítmica e melódica dos versos, caracterizados como cocos de memória, passados pela tradição oral. A temática das composições remete ao cotidiano do Mestre Severino: o sertão, o litoral, o trabalho, o amor, a saudade e a natureza. A dinâmica acontece por meio de cantos de perguntas e respostas, o mestre canta estrofes que são respondidas pelo coro. Ainda conserva o grupo Coco de Roda Mestre Severino, que mantém suas atividades.

Serviço:
Documentário “Mestre Severino do Coco”, por Rodrigo Sena. 
Já disponível no link: https://youtu.be/U_iiYKk24cE