“Meta, agora, é crescer acima de 10% ao ano”

Publicação: 2015-06-14 00:00:00
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Após um primeiro ano passando por zona de turbulência, o aeroporto internacional Aluízio Alves começa a dar mostras de crescimento: o desempenho no transporte de passageiros foi 9% maior do que a movimentação do antigo terminal potiguar, Augusto Severo. No comparativo com 2013, a movimentação de cargas também subiu em 20%. Entretanto, a movimentação ainda não foi suficiente para que o Consórcio Inframérica tenha recuperado, de imediato, o investimento de R$ 600 milhões. De acordo com o CEO do consórcio, José Luís Menghini, o objetivo a partir de agora é investir numa “mudança de perfil” do terminal.
De acordo com o CEO do consórcio Inframérica, José Luís Menghini, o objetivo a partir de agora é investir numa “mudança de perfil” do terminal
O novo modelo de negócio surge após a venda da participação societária da construtora Engevix para a argentina Corporación América, que passa a administrar o terminal de forma plena. Também surgem novos empreendimentos, como a proposta para instalação de um hotel de rede internacional no entorno do aeroporto, além das especulações acerca da instalação de um hub da TAM Linhas Aéreas no ASGA.

Nesta entrevista, Menghini fala sobre os planos de investimento do terminal e faz um balanço sobre o primeiro ano do investimento. A meta agora é de um crescimento mínimo de 10% ao ano.

Há a possibilidade de o aeroporto fazer modificações na estrutura com a implantação do hub da TAM?
Não temos todos os detalhes, mas sabemos que se aumenta o numero de viagens, teríamos que aumentar o numero de fingers, pois teremos muito mais aviões. Atualmente temos seis fingers com capacidade para até oito aviões. Ainda temos que aguardar o estudo técnico, mas poderíamos ter que duplicar o número de fingers, fazer algumas salas vips para públicos selecionados.

Há possibilidade de nova pista?
Não é necessário. Veja, hoje já temos capacidade de fazer um pouso a cada média, segundo autorizado, e podemos fazer mais.

Há duas semanas, a presidente da TAM, Claudia Sender, visitou o aeroporto. Como foi a visita?
A vinda dela coincidiu com a minha visita a Natal... participaram acionistas da Lam e da TAM e da Corporación América. Foi uma conversa muito amena, ponderando as virtudes do aeroporto. Inspecionaram tudo. O que mais os preocupava eram os caminhos de acesso e o fato de que precisamos de um hotel dentro do aeroporto. Já temos um confirmado e tudo vai ser informado no segundo semestre, de acordo como evoluírem as conversas com a Tam também. Talvez um hotel não seja o suficiente.

Em quanto tempo o hotel estaria pronto?
Antes de um ano, mas isso já está definido. É uma rede internacional.

Durante o MDRN, o senhor observou a necessidade de o Estado investir mais em divulgação, pois o baixo número de embarques seria um ponto negativo...
Temos poucos desembarques, em termos conceituais. É sempre salutar que se tenha passageiros, que venham para Natal e que saiam de Natal. A divulgação é uma sugestão que fizemos. Se você aumenta o conhecimento na Europa do destino Rio Grande do Norte você vai ter mais passageiros,  e é claro que aumentará o trânsito. Obviamente, na América Latina também.

O cenário de crise econômica no Brasil não impactaria investimentos do Consórcio ou da TAM neste ano?
Como alguém disse durante as palestras, o setor de serviços é quem reage mais rápido às mudanças da economia. O turismo acaba sendo beneficiado, por exemplo, por um um real mais fraco. Em análise, os critérios de desempenho do setor de serviços não é mesmo da indústria. Mas evidentemente, se a economia estivesse florescendo tudo seria muito mais fácil. Um investimento nosso vai depender de todas estas respostas, mas continuarmos o processo teríamos um valor mínimo de R$ 50 milhões ou R$ 60 milhões (neste ano).

Quais outros investimentos são pensados para o aeroporto?
Estão previstos outros investimentos que aumentem o comércio no aeroporto, além da geração de energia. Há muita coisa que pode ser feita.

A energia seria apenas para abastecimento do aeroporto?
Não, seria também para alimentação da rede elétrica. Hoje já temos uma capacidade instalada que é a que consumimos. Estamos abertos a parcerias para o investimento, mas em principio queríamos ver o resultado dos estudos. Temos uma idéia, mas está ainda nos primórdios.

O foco também é atrair novos serviços, entre lojas, restaurantes?
Temos capacidade para 400 lojas, mas voltamos ao princípio, pois se você busca um serviço que pode ser oferecido em Natal e um que está no aeroporto a uma hora de distancia, a escolha é pelo serviço em Natal. Estamos trabalhando para captar novos serviços, mas sobretudo manter a qualidade do que já está lá. Um dos meus objetivos enquanto presidente é de colocar no aeroporto algo que não tem e que me surpreendeu, que são os produtos regionais, artesanato, cachaças, produtos típicos do Rio Grande do Norte.

Nesta captação de novos serviços, está sendo negociado custos de aluguel considerado alto por lojistas?
Um tango antigo diz que “quem não chora, não mama”. Todos querem o menor preço e maior rentabilidade, mas um bom negócios é aquele que atende as duas partes.

Qual a avaliação do senhor do primeiro ano do aeroporto? Se mostrou economicamente viável?
Compensar investimento de tamanha dimensão não é de um dia para o outro. Temos um plano de retorno programado, em função de ser a primeira aquisição no setor, e alguns temas estruturais que precisam ser resolvidos, para que possamos ter a rentabilidade desejada. Mas já há sintomas bastantes positivos com o aumento de passageiros, nos últimos meses.

O crescimento no número de passageiros chegou a ser 9% maior do que a movimentação do antigo Aeroporto Augusto Severo. Havia meta para a movimentação?
Estimamos um certo número, em princípio 2,6 milhões de passageiros no primeiro ano de atuação. E o nosso desejo com a ajuda da força do Rio Grande do Norte em captar o hub da TAM é elevar para 6 milhões o número de passageiros ao ano, ou seja, triplicar. Claro que isso vai demandar algum investimento.

Sem contar esta previsão do hub da TAM, qual a meta para este ano?
Claro que a gente quer sempre aumentar, gostaríamos de movimentar 20 milhões como em Brasília. Mas a projeção é para um crescimento superior a 10% ao ano. Mas temos que falar de objetivos, que é de conseguir que Natal seja o hub mais importante do país e o primeiro hub internacional do Nordeste brasileiro.

Como o senhor avalia essa capacidade de atrair investimentos e mesmo de retorno financeiro, neste primeiro ano de atuação? Lembrando que a Anac liberou em fevereiro a cobrança da taxa de embarque e houve o fechamento de um restaurante no ano passado.
Primeiro, o que houve foi a mudança de perfil. Originalmente os aeroportos, como seres vivos, havia expectativa de ser um mercado para restaurantes convencionais, mas o mercado esta mais voltado para snack bar e comida rápida. Em relação a taxa de embarque, tivemos dificuldade por não podermos cobrar a taxa de embarque como era previsto. Mas como o compromisso era inaugurar antes da Copa, mesmo com enormes dificuldades, conseguimos. E a Anac reverteu a decisão sobre as taxas. Conversamos com o Governo para tentar reverter e continuamos mantendo os serviços aos usuários.

Este prejuízo impactou de alguma forma os investimentos previstos para este primeiro ano?
Numa obra desse tamanho não se julga no curto prazo, mas claro que o impacto não foi positivo. Porque foram vários meses sem a cobrança. Mas um aeroporto desta importância deve ser analisado no longo prazo e não em apenas um aspecto. Para que este aeroporto seja paradigmático no Brasil e altamente rentável é preciso que transforme-se em um aeroporto com três vezes o fluxo atual de passageiros. E para isso, precisamos que todo o povo do Estado nos ajude, independente da bandeira política, que vemos como fundamental para ser feito os acessos tanto o Norte, quanto o Sul.

Já que citou, a falta desses acessos comprometeu de alguma forma a exploração do potencial total do aeroporto?
Evidente que tem um impacto, porque, em geral, há pesquisas de opinião entre os passageiros, e o que mais se reclama é a distância para chegar e da qualidade dos caminhos que precisam percorrer até o aeroporto. E como seguramente todos já sabem, mesmo sem ser responsabilidade da Inframérica, os caminhos foram construídos pelo Consórcio para poder inaugurar no prazo. Nos sete meses de operação, segundo relatório, nosso Ebitda ajustado foi negativo em R$ 1,9 milhão, quando estávamos em fase de maturação das receitas comerciais, custos operacionais realizados em um ambiente de startup e sem poder contar com a receita das tarifas de embarque por determinação da Anac. Se desconsiderarmos apenas o efeito negativo do impedimento da cobrança das tarifas de embarque, teríamos um resultado de aproximadamente R$ 11 milhões de Ebitda ajustado positivo.

O que pode ter travado, neste primeiro ano, a movimentação de cargas e passageiros, seriam os acessos ou a questão da economia do país?
É difícil identificar um principal fator, num momento recessivo que a economia do Brasil passa, com inflação de 8%. Mas quando é preciso transportar pessoas ou cargas por acessos inadequados, claro que se gasta bem mais na segurança deste transporte, nos custos com combustível, manutenção. É uma realidade muito óbvia isso. Mas estamos confiantes no trabalho do Estado para dar novo status ao aeroporto.

Quem é
José Luís Menghini é o atual presidente do Consórcio Inframérica. O executivo argentino assumiu o posto em 1º de maio de 2015. Foi vice-presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB e vice-presidente da Impsa, do setor de energia.

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