Brasil
Ômicron: Brasil sequencia menos vírus que Chile e África do Sul e fica às escuras sobre variante
Publicado: 16:20:00 - 03/12/2021 Atualizado: 16:21:55 - 03/12/2021
Um ano e nove meses após o início da pandemia, o Brasil ainda monitora pouco as variantes do coronavírus que circulam pelo País. Dos 22 milhões de casos de covid-19 confirmados por aqui, só 0,35% foram sequenciados em laboratório. O índice é inferior até ao de países com nível socioeconômico mais próximo, como Chile (0,91%) e África do Sul (0,82%). Esse tipo de exame permite identificar as mutações presentes na amostra e indicar o avanço de novas cepas. Com a chegada da Ômicron ao território nacional, o rastreio ajuda a entender por onde chega a variante, a velocidade de espalhamento e também associá-lo à gravidade de infecções em determinados locais. 

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De acordo com especialistas, o ideal seria atingir a marca mínima de 0,5% de casos sequenciados. A quantidade de testes, além disso, teria de ser ampliada. A integração da estrutura de laboratórios existentes e uma liberação mais veloz das amostras de vírus coletadas são desafios para superar o problema.  

Fernando Spilki, virologista e professor da Universidade Feevale, diz que o sequenciamento genômico avançou consideravelmente no País desde o início da crise sanitária, mas há espaço para melhorar mais. “De fevereiro do ano passado até o início deste ano, havia cerca de 2 mil sequenciamentos registrados no Gisaid (plataforma que reúne os sequenciamentos). De lá para cá, o número foi para 75 mil. A gente, no ano passado, não conseguia sequenciar nem 0,1% das amostras”, diz Spilki.

O virologista explica que a confirmação dos primeiros casos da Ômicron no Brasil, associada ao maior preparo dos laboratórios desde o início da pandemia, tem potencial de intensificar os procedimentos de testagem e sequenciamento realizados em território brasileiro. Ele reforça ainda que o sequenciamento genômico pode ser combinado à chamada genotipagem, uma estratégia para identificar diferenças na composição genética das pessoas, que pode ser feita a partir de testes de PCR. 

Testagem baixa
Especialistas ponderam que, como as porcentagens de sequenciamento genômico são calculadas a partir do total de casos confirmados, pode haver distorções nos índices que medem a vigilância em determinado país. Isso porque há países que, mesmo proporcionalmente, testam mais do que outros e, por consequência, acabam diagnosticando mais casos. 

Para se ter uma dimensão, dados da plataforma Our World in Data apontam que, para cada mil habitantes, o Brasil já fez cerca de 304 testes para detecção de covid. Levando em consideração o mesmo contingente, o Chile fez 1,3 mil, enquanto a Argentina, por exemplo, fez 572. Nos Estados Unidos e no Reino Unido os índices são de, respectivamente, 1,9 mil e 4,8 mil.

Para Anderson Brito, a testagem é um dos grandes problemas na pandemia. “O Brasil não está nem no top 100 de países que mais fazem testes por milhão. Claramente tem um problema muito sério de diagnóstico”, diz o pesquisador. Isso ocorre, apesar de o País ter sido o epicentro da covid-19 em vários meses, com recordes de mortes no mundo. 

Para combater a Ômicron de forma mais efetiva, explica Brito, seria importante não só melhorar a vigilância genômica, como aumentar o diagnóstico molecular da covid-19. Essas alterações permitiriam ao País ter melhor entendimento do cenário e de quais medidas de controle poderiam ser tomadas.

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