“Modelo da escola que temos já tem mais de duzentos anos”

Publicação: 2019-05-18 00:00:00
“O modelo da escola que temos hoje já tem mais de 200 anos e o mundo mudou muito nesse tempo e mudou mais ainda nos últimos 20 anos, sendo essa uma mudança exponencial”. A frase é da educadora Helena Singer, líder da Estratégia de Juventude América Latina na Ashoka e consultora em projetos de pesquisa e formação em educação e inovação social. A citação foi feita na semana passada durante um encontro promovido pelo projeto Conexão Felipe Camarão, na Escola Estadual Clara Camarão, em Felipe Camarão, com o tema: “Imagens e afetos da infância: do ancestral ao digital”.

Créditos: DivulgaçãoEncontro contou com participação de educadoras de projetos nacionais e locaisEncontro contou com participação de educadoras de projetos nacionais e locais
Encontro contou com participação de educadoras de projetos nacionais e locais

O evento, que teve como proposta uma conversa acerca da construção das identidades infantis a partir dos seus afetos, da sua cultura e de seus territórios educacionais, contou com a participação das educadoras Helena Singer (Ashoka, SP), Natacha Costa (Aprendiz, SP) e Maristela Mosca (NEI/UFRN, RN). O público alvo foi diretores, professores e coordenadores de escolas de Natal.

Para Natacha Costa, a educação tem a função de se constituir como um espaço, como uma forma das pessoas aprenderem a construir conhecimento a partir daquilo que elas sabem, a partir do que elas vivem, que faz sentido para elas. A relação escola/comunidade é a relação que vai construir o aprendizado significativo a partir dos sabres populares. “A gente não vem para escola para se educar intelectualmente, a gente se educa fisicamente, afetivamente, culturalmente e intelectualmente. O desenvolvimento intelectual depende de tudo isso. A integração da cultura local é muito difícil de se integrar no Brasil junto as escolas. O Conexão Felipe Camarão é um projeto exemplo para todo país. Para nós da educação integral, o projeto é uma referência também porque é justamente aonde a gente pode se alimentar de formas de fazer, de formas de construir esse projeto coletivo”, declarou a psicóloga Natacha, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, de São Paulo.

Escola integral
Na opinião de Maristela Mosca, a escola integral não uma escola de tempo integral. “A escola integral não é aquela que o aluno vai para almoçar, jantar e sair para casa de banho tomado. A escola integral não deve ser um lugar e sim um território que faz parte dessa comunidade, desses costumes, maneira própria de vivenciar, aí conseguimos dialogar e pensar o que é que nós vamos fazer com tudo que acontece e proporcionar novas experiências”, garante. O evento contou apresentações dos alunos do projeto e com a parceria das escolas públicas de Felipe Camarão, UFRN e instituições ligadas à educação, tendo o Conexão Felipe Camarão como realizador através do patrocínio da Cosern e Instituto Neoenergia, do Governo do Estado pela Lei Câmara Cascudo e apoio da Rede de Educadores de Felipe Camarão.