“A Monarquia é a solução para o Brasil”

Publicação: 2006-12-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Quem pensa que o movimento monárquico está adormecido terá uma surpresa ao ler essa entrevista. O príncipe dom Pedro de Orleans & Bragança confirma que os descendentes de dom Pedro II retomarão ações por todo o país para tentar formar uma grande corrente pela volta da Monarquia.

O príncipe se mostra entusiasmado com o retorno dos monarcas para o governo, no entanto, reconhece que a luta empreendida hoje só poderá ter reflexo nas próximas gerações. “Por enquanto temos que fazer um trabalho de garimpo, devagar, trabalhando, explicando, mostrando as vantagens e desvantagens da Monarquia. É um trabalho a longo prazo. Acho que a minha geração não vai alcançar (a Monarquia). Temos que trabalhar para a próxima geração. Trabalhar para a nossa geração é egoísmo”.

Dom Pedro é empresário, mas é um homem de posições políticas. Critica a corrupção dos políticos e lamenta que os parlamentares apontados como “ladrões” tenham sido eleitos novamente.

Questionado se sente mesmo um príncipe, dom Pedro responde com simplicidade: “Não posso dizer nada porque nunca fui outra coisa”.

O convidado do 3 por 4 de hoje é um príncipe sem coroa, empresário por vocação e um político por discurso.

Por que o Brasil deveria voltar a ser Monarquia?

Acabou-se a República hoje. Veja como está esse país. A corrupção desenfreada e o povo, coitado, enganado sempre.

A sua família teria um modelo melhor para esse país?

O que nós defendemos é a Monarquia Constitucional, com a figura do imperador como defensor do povo. Se os deputados, senadores não cumprirem com as promessas de campanha, o imperador intervém, fecha o congresso e convoca novas eleições. Se começar a haver roubo, o imperador intervém e coloca o sujeito para correr. Isso só pode ser feito com a Monarquia porque na República há compromisso partidário. Como vai fazer? O PSDB apoiou, PT, PSOL. Como você vai mandar para fora com esses partidos? Veja que todos os declarados corruptos estão de volta, foram todos reeleitos.

Na Monarquia não haveria uma vitaliciedade para os monarcas e os tornariam imunes à punição por corrupção?

O rei, o imperador, não é partidário, ele defende a Pátria. Ele não tem nada, está ali para defender o povo, não tem interesse partidário. O interesse dele é o bem estar social, o bem estar do povo. Quanto custa hoje uma campanha para presidente? Quanto se gasta na televisão? Na Monarquia isso não acontecerá.

Mas tudo isso que o senhor falou parece não ser bem aceito pelo povo. O plebiscito foi um exemplo, com um desempenho simbólico.

O problema é que você tem uma inércia de 100 anos. Tínhamos a nosso favor dois deputados contra 523 deputados, da época, contra a gente. Esses deputados (os 523) estavam cheios de dinheiro. Tínhamos uma campanha sem dinheiro. Eu fiz toda Minas Gerais de ônibus, andei de ônibus, fiz Minas inteiro. Mesmo assim tivemos 11%. É um número considerável.

O senhor ainda vê espaço para a Monarquia no Brasil?

Tem espaço. O importante é que tenhamos o trabalho de hoje. Estamos voltando com o Movimento Monárquico. Eu já falei  com meus irmãos mais velhos e a gente vai movimentar mais. Não vamos deixar morrer. Eles vão retomar o movimento e alguma coisa vai ser feito. O povo não agüenta mais a situação. O povo olha para Brasília e não agüenta.

E como será esse movimento para voltar a Monarquia?

Vamos começar a fazer palestras, visitar os Estados, fazer movimentos, trabalhos, encontrar simpatizantes. Vamos fazer nossa militância. Aliás a única coisa que o PT tem igual a gente é nossa militância. Temos uma militância monárquica.

E o caminho para a volta da Monarquia passaria pela realização de um novo plebiscito?

Não sei quando acontecerá um novo plebiscito. Por enquanto temos que fazer um trabalho de garimpo, devagar, trabalhando, explicando, mostrando as vantagens e desvantagens da Monarquia. É um trabalho a longo prazo. Acho que a minha geração não vai alcançar (a Monarquia). Temos que trabalhar para a próxima geração. Trabalhar para a nossa geração é egoísmo. A nossa geração já era.

O senhor tem esperança de voltar a Monarquia?

Tenho esperança. Com certeza as próximas gerações encontrarão isso (a Monarquia).

Quem vai financiar o movimento monárquico que sua família fará?

Ninguém vai financiar nada. O que vamos fazer é o povo, cada um que tem dá um pouquinho. Vamos ver se alguém empresta a sede para a gente se reunir. Tem algumas dezenas de adesões que vão ajudar. Vamos começar do zero.

E será que os Orleans & Bragança seriam a solução para o país?

Eu acho que os Orleans & Bragança são descendentes da família imperial brasileira. Esse país nunca foi tão respeitado no mundo inteiro como na época da Monarquia. O produto internacional bruto brasileiro era igual o do americano na época (da Monarquia). Todo mundo reclamava que dom Pedro II que ganhava 800 contos de réis por ano. Diziam que era um absurdo. Com isso ele pagava do bolso dele as viagens, os negócios para o país. Com o que sobrava ele libertava alguns escravos. Deodoro da Fonseca entrou e no dia seguinte o salário passou para 1.200 contos. A bagunça começou no dia seguinte (a saída da Monarquia).

A Inglaterra seria o grande exemplo da Monarquia? Mas lá se gasta muito com a família Real.

A Inglaterra e a Espanha são exemplos.

Se a Monarquia voltar não haveria uma riqueza concentrada sobre sua família?

O problema é que existe nesse país uma pendência, uma força que esconde a nossa história. Ninguém fala em Monarquia, na época do império. Escondem a história. É como se escondessem porque se falar das coisas boas (da história) ela (a Monarquia) volta. Na escola ninguém fala da Monarquia, fala por alto.

Qual seria a intenção de esconder a história?

O medo da volta da Monarquia. Voltar as coisas boas.

Como vivem hoje os Orleans & Bragança?

Eles vivem trabalhando para burro. Eles trabalham demais.

Não são ricos?

Ricos nada. Trabalham muito.

O senhor fala que o Brasil esconde a história, mas depois de tantos anos os senhores ainda são tratados como príncipes.

Porque ainda existe um pouquinho de memória. Mas você não vê falar na Monarquia da escola, ninguém vê estudo profundo sobre o que a Monarquia fez no país. A nossa história é escondida. Queremos uma Monarquia Constitucional, teremos o primeiro ministro, que é a figura do presidente hoje, vai ter os deputados, ministros. O primeiro ministro é eleito democraticamente. O rei é a posição superior, tendo ao lado o conselho de Estado que vai acompanhar tudo o que ocorre no país, fiscalizar e aconselhar o rei sobre o que acontece. O papel do rei nada mais vai ser do que protetor do povo. Quem tiver que fechar o Congresso vai ser o rei.

Qual a impressão da realeza com a reeleição do presidente Lula?

O Lula tem tudo para fazer um governo fabuloso. Acho que ele vai fazer, tenho esperança disso. É um rapaz inteligente, esforçado, trabalhador, espero que ele faça um bom governo. Espero que ele coloque esses ladrões para correr e não se associe mais aos ladrões.

A Monarquia voltando, qual seria a prioridade no Governo?

A minha prioridade é trabalhar, trabalhar, trabalhar. Meu irmão mais velho é que será o imperador. Serei um agregado. Ele (o irmão mais velho) vai dizer fique aí, trabalhe e não me chateei.

Como o senhor vê o futuro do Brasil com essa possibilidade cogitada da volta da Monarquia?

O futuro do Brasil é brilhante desde que se trabalhe com seriedade. Não pode ocorrer o que houve nesse Congresso nos últimos meses.

O senhor se sente um príncipe?

Eu nasci assim, não sei como é o outro lado. Não tenho idéia de como é o outro lado.

O senhor se sente diferente?

Não sei se sou diferente.

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