‘Mudança na lei eleitoral foi freio de arrumação necessário’

Publicação: 2016-09-04 00:00:00
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O senhor adotou uma série de ajustes e medidas para cortar gastos na atual gestão. Ainda há necessidade de reforma administrativa ou já haveria disponibilidade de investimentos em caso de reeleição?
Ganhando a reeleição para os próximos quatro anos, vamos ter que fazer um exame da situação de receita e despesa da Prefeitura. Quando iniciamos, em 2013, fizemos uma reforma administrativa. Na ocasião, eliminamos duas secretarias, uma autarquia e fizemos uma revisão de todos os contratos da Prefeitura, com redução de 30% em muitos deles. Na época, conseguimos um equilíbrio entre despesas e receita. Mas, ninguém previa, já no segundo semestre de 2014, os evidentes sinais de crise econômica. Quando amanheceu 2015, veio a maior crise da história do país, agravada em 2016 pelos efeitos do ano anterior. Então, ao passar as eleições e, vitoriosos, teremos que redimensionar essa questão da Prefeitura, da estrutura administrativa, porque hoje estamos com um déficit entre receita e despesa. E isso tem ocasionado não estarmos, como antes, pagando os servidores dentro do mês. Essa é uma meta a ser buscada. Além disso, o investimento está reduzido a quase nada.
Prefeito considera que a alteração na legislação que impede financiamento empresarial e reduz tempo de campanha foi positiva 
A recuperação depende apenas da retomada da economia ou há algo que se possa fazer para melhorar esse quadro?
Segundo os economistas, o Brasil já parou de cair. Há sinais de reação da economia. Tímida, mas tem. Se formos para um PIB positivo em 2017, acredito que já vai recuperar muito da nossa condição financeira e, sem sombra de dúvida, poderemos lançar novamente o calendário de pagamento dos servidores. Com isso, podemos também recuperar a capacidade de investimento para nossos projetos, nossas obras.
 
É possível ampliar o papel da Guarda Municipal na segurança pública da cidade?

Sim. Veja bem, quando iniciamos essa administração, tínhamos R$ 2 milhões para investir na Guarda Municipal. Era algo significativo. Mas pouco deste recurso foi utilizado. A maioria foi confiscada pelo Tribunal Regional do Trabalho, para pagar dívida da administração que me antecedeu. Isso foi um golpe muito grande na nossa capacidade de investimento na Guarda Municipal. Mesmo assim, adquirimos 12 viaturas, cinco motos e hoje fazemos a Ronda da Educação, ou seja, nas escolas municipais, acompanhada por videomonitoramento. Agora teremos mais seis veículos e cinco motos para fazer a Ronda da Saúde. Ou seja, proteger as nossas unidades de saúde. Então, essas rondas estão protegendo o patrimônio do município e os usuários destes serviços. Vamos começar agora, dentro de dez, 15 dias a Ronda da Saúde, em todas as unidades. Vamos ter, também, o pelotão ciclístico, que vai chegar às praças públicas, parques e alamedas. Será com uso de bicicletas. Haverá criação de um centro integrado, com a ampliação do centro de videomonitoramento. Vamos incluir também as principais paradas de ônibus, com videomonitoramento. Estamos em uma campanha eleitoral e as pessoas gostam de falar, além do limite do bom senso. A segurança é uma responsabilidade do Governo do Estado. A Guarda Municipal pode colaborar nesse serviço. Mas não pode mais do que eu disse.

A primeira pesquisa do Ibope desta campanha o coloca 10% na frente da soma das intenções de votos dos outros seis adversários. Como está vendo esses primeiros movimentos do período eleitoral?

A minha melhor pesquisa tem sido o contato com a população, que, para mim, é sempre muito importante e estimulante. Em qualquer parte da cidade, onde tenho andado como gestor nesses três anos e meio,  e agora como candidato, tenho uma excelente receptividade. Encontro até a compreensão das pessoas com relação a alguns problemas da cidade que não foram resolvidos, mas estão sendo enfrentados. As pessoas me dizem: “Olha prefeito, pelo o que o senhor encontrou na cidade, falida e emborcada, de cabeça para baixo e no fundo do poço...”. São expressões que as pessoas colocam na conversa comigo. E lembram também da crise econômica que está se passando. Afirmam: “O senhor conseguir segurar a normalidade administrativa da cidade, os serviços essenciais funcionando e o muito que foi feito...”. Elas dizem também: “Olha prefeito, o senhor realmente tem de continuar, é um homem experiente, conhece a Prefeitura, conhece Natal, é uma vantagem muito grande”. As pessoas comentam: “A nossa família cortou gastos, nós renunciamos a muitas coisas que fazíamos em virtude da crise”. E isso está acontecendo também na iniciativa privada. Houve demissões, diminuição de investimentos, inclusive lamentáveis fechamentos de negócios. Mas a cidade continua dentro de uma normalidade administrativa e o natalense reconhece isso. Por tudo isso, vale muito mais o que eu estou encontrando nas ruas.

Isso dá segurança ao senhor de que vai renovar o mandato logo no primeiro turno?

No primeiro ou no segundo turnos, nós estamos lutando para vencer.

Essas novas regras das eleições com período de campanha mais curto e sem financiamento empresarial, tem sido positivo, especificamente para a campanha à reeleição? Facilitou para quem concorre à renovação?
Acho que foi um freio de arrumação e absolutamente necessário. Digo até fundamental. Mudou realmente o modelo. Os custos de campanha caíram radicalmente e está dando uma contribuição à democracia. Acho também que cresceu mais a parte das redes sociais, que está compensando a questão dos comícios e das outras movimentações, que já não têm atrações para as pessoas por diversas razões, digo até de desgaste da atividade política por tudo o que está acontecendo no Brasil e pela crise econômica. Então a decepção é muito grande. E também é uma questão de segurança, a gente nota que as pessoas, à noite, têm dificuldade e não sai mais de casa com aquela facilidade de antes. Isso, de uma forma geral, dificulta um pouco, mas de qualquer forma, temos feito grandes reuniões,  com participação e entusiasmo das pessoas e as redes sociais estão compensando tudo o que se perdeu em termos de mobilização.

Ao contrário do mandato anterior, quando o senhor tinha o governo federal com recursos, agora se tem um governo federal em crise e o estadual, além das dificuldades financeiras, não é aliado. Acha que no próximo ano terá uma aproximação administrativa melhor com outras esferas de governo?
Com o governo federal, temos excelente relação. Com o novo governo [do presidente Michel Temer] liberamos vários projetos que estavam engavetados, por exemplo, no Ministério das Cidades. Agora já conseguimos liberar projetos da ordem de R$ 43 milhões, que vão significar o segundo maior projeto de urbanização integrada de Natal, o primeiro foi o que fizemos no bairro de Nossa Senhora da Apresentação. E agora vamos começar o de Lagoa Azul. Há projeto de urbanização integrada, saneamento, drenagem, pavimentação, além da quadra de esporte, escola, praça, campo de futebol, centros de referência em assistência social, unidades de saúde. Tudo isso significa que temos uma boa relação com o governo federal, a partir do PMDB, cujo vice [na chapa atual] é do partido. No plano local, com relação ao governo do Estado, sempre disse que, administrativamente, não temos nenhuma dificuldade de trabalhar, e procuramos fazer isso. Todos os pleitos do  governo, com relação à Prefeitura, tem tido boa vontade. Temos uma boa relação e vamos continuar assim, porque é isso o que devemos à população.