A musa do jazz encontra a big band

Publicação: 2014-03-28 00:00:00 | Comentários: 0
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Filha de Marcos Szpilman, um dos fundadores da tradicional Big Band Rio Jazz Orchestra, e sobrinha-neta do pianista polonês Wladyslaw Szpilman, cuja biografia inspirou o filme “O Pianista” (2002) do diretor Roman Polanski, a cantora carioca Taryn possui sólidas raízes musicais e representa a quinta geração musical da família. Como vocalista da Rio Jazz Orchestra gravou dois discos, um DVD, estrelou o aclamado espetáculo “Tributo à Billie Holiday” em 2003, e posteriormente um outro musical de sua autoria, “Divas do Jazz”. Saudada pela crítica musical e pelo público como uma das melhores intérpretes de jazz e blues do país, Taryn Szpilman será recebida pela Sesi Big Band nesta sexta-feira (28), às 20h, no teatro Dix-Huit Rosado em Mossoró. Amanhã, também às 20h, a dobradinha repete a dose no palco do Teatro Alberto Maranhão em Natal. Em ambas apresentações o acesso é gratuito.
rodrigo castroO voz marcante de Taryn Szpilman encontra a Sesi Big Band em dois momentos. Nesta sexta em Mossoró e sábado, no Teatro Alberto Maranhão, com entrada francaO voz marcante de Taryn Szpilman encontra a Sesi Big Band em dois momentos. Nesta sexta em Mossoró e sábado, no Teatro Alberto Maranhão, com entrada franca

Com vasta experiência como intérprete, a cantora tem frequentado os grandes festivais espalhados pelo Brasil como o evento potiguar Fest Bossa & Jazz, o Rio das Ostras Jazz & Blues (RJ), o Rock In Rio e o internacional Montreux Jazz Festival. Este ano Taryn também deu voz a personagem Elsa, no musical de animação “Frozen, Uma aventura congelante” da Disney, premiado como melhor canção original.

Na entrevista a seguir, concedida no Sesiclube, onde ministrou oficina para integrantes da Sesi Big Band e do coral formado por alunos do Solar Bela Vista, ela conta um pouco de sua carreira e experiências musicais.

O que você está preparando, com a Sesi Big Band, para esses shows em Mossoró e Natal?

Estou trazendo minha especialidade, que é cantar clássicos do jazz, do blues e da soul music, estilos que me dedico há bastante tempo e que na última década vêm conquistando espaços importantes em festivais pelo país.

Apesar dos espaços nos festivais, as rádios, pelo menos aqui em Natal, tocam pouco esses estilos. Qual a sua avaliação dessa realidade, o que pode ser feito para melhorar a programação musical das rádios?
Acho que tem espaço pra tudo, desde aquele que a gente gosta até o que não gosta. Hoje vejo um espaço maior para os gêneros “popularescos”, como se não existisse nada além daquilo. Tem que existir espaço para o funk, pagode, sertanejo sim, mas tem que ter também para o rock, soul, blues, para a bossa nova. Infelizmente sinto que os que estão no comando das emissoras de rádio não têm interesse de abrir o leque de opções. Já fiz shows com orquestras de jazz em comunidades muito pobres e as pessoas adoraram. Você vê que todo mundo sabe o que é boa música, sabe reconhecer porque toca o coração, o que falta é acesso.

Você vem de uma família de músicos renomados, conhece bem a realidade do setor, como percebe o atual momento musical brasileiro?
Sendo bem sincera: não tem nada que me chame atenção atualmente. Sou uma pessoa muito nostálgica, gosto de estilos ‘retrô’. Hoje vemos muitas releituras. Grandes músicas, grandes letras já foram criadas, não há nada surpreendente, nada genuinamente novo. Acho que estamos um pouco carentes. Não que não haja artistas maravilhosos escondidos por aí, estou falando do que é mostrado na grande mídia.

Apesar de considerada uma diva pela crítica especializada, o que falta para se tornar uma cantora mais conhecida no cenário nacional?
Eu sempre fui muito fiel ao que gosto de cantar, e jazz e blues está longe de serem estilos populares. Mas existe mercado. Prefiro vender a minha verdade, mesmo sendo um mercado alternativo e/ou restrito, do que mentir para mim mesma. Prefiro seguir meu caminho sem estourar e vender milhões de discos, mas amando o que faço.

Sua dublagem na animação “Frozen” foi bem recebida por público e crítica. Como você encarou toda essa repercussão?
É muito bom quando você faz um trabalho desafiador, vence etapas e recebe esse carinho. A música (do filme) fez sucesso, vi as meninas cantando a música, e quando o Fantástico (TV Globo) me ligou tive a confirmação desse reconhecimento. Isso para mim foi um susto de alegria.

Como foi o convite para participar do filme e o que achou do resultado?
Eu já tinha feito outras canções, outras dublagens, e brinco que esse foi o meu presente da Disney, que me confiou uma personagem forte, intensa. Foi uma das maiores realizações da minha carreira e acabou sendo a música do Oscar. Me sinto muito honrada, principalmente pela empresa acreditar no meu potencial pra dar conta de um trabalho como esse. Pra mim é um sonho.

Serviço
Shows da Sesi Big Band, com participação especial da cantora Taryn Szpilman (RJ). Hoje em Mossoró, e no sábado em Natal – ambas apresentações às 20h. Entrada franca.

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