“Não existe Nordeste forte sem um BNB forte”

Publicação: 2017-07-16 00:00:00 | Comentários: 0
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O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) completa nesta semana 65 anos em operação se auto-avaliando como “o banco da micro, pequena e média empresa e o banco da inovação”, diz o presidente da instituição, Marcos Costa Holanda. O olhar, no entanto, vai além desses “campos”.  Por meio de uma investida recém-lançada, por exemplo, também promete apoiar o desenvolvimento de cidades médias, incluindo entre elas a potiguar Mossoró.

Nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Holanda fala sobre a iniciativa – o chamado Grupo G20+20 -  faz um balanço das aplicações por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), sua principal fonte de recursos, e fala sobre o programa de renegociação de dívidas rurais, citado como uma das prioridades da instituição.
O presidente do Banco do Nordeste, Marcos Costa Holanda, analisa os impactos da atuação da instituição, prestes a completar 65 anos
O Banco do Nordeste está completando 65 anos no dia 19 de julho. Como o Banco está se preparando para os próximos anos?

O Banco do Nordeste completa 65 anos focado no futuro, nos próximos 65 anos. Enfrentaremos o futuro aplicando o Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) cada vez melhor, continuando a ser líder na oferta de microcrédito, sendo o banco da micro, pequena e média empresa e o banco da inovação.

O que significa o BNB antes e depois do FNE?

Antes os recursos existiam, mas eram instáveis e às vezes incertos. Em 1988, com a criação do FNE, o BNB passou a contar com recursos estáveis e adequados para financiamentos de médio e longo prazos ao setor produtivo regional, o que representou novo e eficaz instrumento de desenvolvimento regional e abriu novas perspectivas para a Região Nordeste, sobretudo no que diz respeito às novas estratégias para o seu crescimento econômico. O Banco do Nordeste, mediante a elaboração da programação anual do FNE, procura fazer com que os recursos sejam geograficamente distribuídos da forma mais equitativa possível, com prioridade para pequenas e medias empresas e especial atenção ao Semiárido. Os impactos das aplicações do FNE verificados em estatísticas mostram aumento no valor da produção da economia do Nordeste, além de expansões nos níveis de emprego e renda. Não existe Nordeste forte sem um BNB forte e não existe um BNB forte sem o FNE.
 
Quais os volumes mais expressivos do FNE nos últimos dois anos e a projeção para os próximos?

Os recursos do FNE nos últimos dois anos foram da ordem de R$ 11 bilhões em cada período, dos quais cerca de 50% foram aplicados no setor rural e 30% no setor de comércio e serviços. Em termos de porte, cerca de 60% dos recursos contratados foram direcionados aos mini, micro, pequenos e pequeno-médios beneficiários. Sob a perspectiva das regiões climáticas, o Semiárido  foi contemplado com 60% dos recursos. A Bahia foi o Estado que mais contratou recursos nos dois períodos e foi responsável por cerca de 30% das contratações. Para o ano de 2017, o orçamento previsto é de R$ 26,1 bilhões, sendo R$ 14,7 bilhões distribuídos nas variáveis da programação convencional e R$ 11,4 bilhões na programação específica para projetos de infraestrutura econômica.

O BNB lançou o programa G20+20, para estimular o desenvolvimento de 40 cidades médias do Nordeste. O que significa e quais as metas?

O Grupo G20+20, formado por 40 cidades médias pertencentes à área de atuação do BNB, foi criado tendo como metas a constituição de um grupo permanente de cidades médias para o compartilhamento de melhores práticas, discussão de temas relevantes sobre o desenvolvimento das cidades e promoção de oportunidade de negócios; e  melhorar a infraestrutura urbana das cidades médias por meio do apoio às gestões municipais no sentido de estruturar formas de financiamento.

Será iniciado um trabalho de campo em agosto, com qual objetivo?

O objetivo do trabalho de campo é realizar um diagnóstico das cidades médias, a partir da visão dos vários atores, envolvendo a infraestrutura urbana e o entendimento da forma de gestão municipal, o que permitirá identificar os gargalos porventura existentes e encaminhar soluções. A pesquisa permitirá sistematizar informações para subsidiar o desenvolvimento de projetos de viabilidade de PPPs ou outras formas de financiamento em infraestrutura urbana nessas cidades.
 
O Banco vai reunir parceiros para financiar os gargalos identificados nesses municípios através de Parcerias Público-Privadas (PPPs)?

O Banco possui recursos do FNE para financiar projetos de infraestrutura ao setor privado, tendo em vista que o BNB não financia o setor público. As empresas privadas aptas a trabalharem com PPPs que mostrarem interesse poderão ser financiadas.
 
O programa de desligamento voluntário lançado recentemente pelo banco não pode piorar o atendimento à população? (O Programa de Incentivo ao Desligamento (PID) prevê o desligamento por adesão  voluntária de aproximadamente 300 empregados).

O Programa de Incentivo ao Desligamento é um reconhecimento aos profissionais que fizeram e fazem a história do Banco do Nordeste. É uma oportunidade de renovar o quadro funcional. Um dos princípios que assumi quando cheguei ao Banco foi o foco no cliente e nos resultados. Nenhum medida no BNB pode comprometer sua capacidade  de atender bem a sociedade. É ela que no final financia o Banco do Nordeste e por consequência deve ser bem atendida.
 
Como está a aceitação do refinanciamento das dívidas dos produtores rurais?

O Banco já regularizou aproximadamente 70 mil operações de crédito rural, com base na Lei 13.340. Essa renegociação é uma das prioridades para o BNB porque os benefícios para os agricultores são muito grandes. O principal é o desconto, que pode chegar a 95%. Outro ponto interessante é que os produtores que renegociam suas dívidas podem ter acesso novamente ao crédito.
 
Tem alguma novidade em financiamento de grande porte para o Rio Grande do Norte, em energia ou em outro segmento?

Temos muitas operações de financiamento em tramitação no Rio Grande do Norte e outras em fase de negociação.

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