“Não há reação no mercado”, diz economista

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
As novas oportunidades de emprego que deverão surgir no varejo potiguar para o segundo semestre não significam uma reação do setor aos últimos índices positivos registrados na economia. É o que pensa o economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Aldemir Freire. Ele atenta para o fato de que os últimos seis meses do ano costumam ser aquecidos, mas por fatores sazonais como a boa safra de fruticultura e cana-de-açúcar, aliado à demanda extra e temporária de mão-de-obra para a indústria, principalmente do ramo têxtil, e no comércio, que objetivam as festas de final de ano.

"Tradicionalmente, o segundo semestre contrata mais do que o primeiro. Mas isso não é o efeito de uma retomada da economia e de que o mercado volte a contratar. Não vejo essa reação", declara Aldemir Freire.

Aldemir Freire, economista e chefe do IBGE: Reação vai demorar
Aldemir Freire, economista e chefe do IBGE: Reação vai demorar

Aliado a essa constatação, a Pesquisa Mensal do Varejo, divulgada pelo IBGE na última terça-feira (13), mostra que o volume de vendas do setor continua a registrar quedas, o que reflete diretamente no represamento de novos postos de trabalho. O varejo ampliado do RN (varejo total somado às atividades de veículos e materiais de construção), caiu 6,8% em abril deste ano quando comparado com o mesmo período do ano passado. Em 2017, a queda é acumulada em 6,1%. Já nos últimos 12 meses a retração ficou em 8,5%. Enquanto que o varejo restrito (apenas o varejo total), apesar de registrar crescimento em abril ante a março deste ano (+0,7%), também sofreu decréscimo de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2016. Neste ano, o segmento tem queda de 2,6% e de -7,2% em 12 meses.

Segundo Aldemir Freire, a queda no varejo tanto ampliado quanto restrito tende a continuar para os próximos meses, embora em um ritmo menor do que o ano passado, mas isso não representa recuperação nas vendas. " O ritmo de queda desacelerou significativamente. Se cair mais para 2017, será nesse patamar. Pode ser que no segundo semestre tenha registro de alguns números sobre retomada de vendas, mas o varejo como um todo terminará o ano negativo". Com a previsão de crescimento para o PIB em 2017 de 0,4%, a recuperação deverá ser desigual e lenta na análise do economista. "As sinalizações são muito precárias. Alguns setores irão se recuperar e outros não. No comércio será a mesma coisa. O mercado de trabalho vai demorar a reagir".

Em nota recente sobre a queda das vendas do comércio no primeiro quadrimestre do ano, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio RN), Marcelo Queiroz, observou que “o setor tem cada vez mais dificuldades para manter o seu dia a dia e o reflexo disso já pode ser sentido claramente na queda, vertiginosa, do potencial de geração de emprego e renda”.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários