‘Número dois’ do sindicato é preso

Publicação: 2016-08-03 00:17:00 | Comentários: 0
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O homem apontado como o “número dois” do Sindicato do Crime no Rio Grande do Norte foi preso pela Polícia Civil na tarde da segunda-feira passada. Daniel Silva de Carvalho, de 29 anos, estava em casa, na cidade de Parnamirim, quando foi detido e não reagiu. Ele é tido como um dos articuladores dos atos de vandalismo contra ônibus, viaturas e prédios públicos em Natal e interior do Estado. Além dele, Islênia de Abreu Lima, 24 anos, presa no sábado passado,  João Maria dos Santos de Oliveira, 32 anos, preso no domingo passado, e “outros líderes estão sendo investigados” suspeitos de articular os atos criminosos. Em comum, os três são condenados na Justiça por tráfico de drogas e fazem parte da mesma facção criminosa: o Sindicato do Crime.  
CedidaDaniel Silva dava suporte às ações ordenadas por apenadosDaniel Silva dava suporte às ações ordenadas por apenados

De acordo com a Polícia Civil, Daniel Silva de Carvalho é o segundo na linha hierárquica da facção.  Segundo o delegado geral da Polícia Civil no RN, Clayton Pinho, o criminoso dava suporte às ações da organização criminosa entre os presos e membros do baixo escalão, responsáveis diretos pelos atentados. Daniel Carvalho seria responsável pela logística de distribuição de dinheiro que servia como “pagamento” aos que praticaram os atentados. A maioria deles, adolescentes. “Ele seria o intermediário dos que estão dentro dos sistema e os executores, que chamamos de massa de manobra, que geralmente são os menores de idade”, disse o delegado Clayton Pinho.

Daniel Carvalho era preso do regime semiaberto e, no momento da prisão, usava uma tornozeleira eletrônica. Ele foi preso em casa, em cumprimento a um mandado de prisão temporária de 30 dias expedido pela Vara Criminal de Parnamirim, na Grande Natal. Segundo a Polícia Civil, ele não reagiu à prisão e ainda estava de posse de uma pequena quantidade de drogas. Ele foi preso em 2010 por tráfico de drogas e também respondia por homicídio. Em 2012, fugiu da prisão. Quatro anos e 15 dias depois, foi recapturado e levado para o Presídio Estadual de Parnamirim (PEP), onde estava há cinco meses. Segundo a Polícia Civil, Daniel alega não ter participação nos ataques e diz não participar de nenhuma organização criminosa.  

A função de intermediar  os ataques também era feita por  Islênia de Abreu Lima, presa no sábado passado, dia 30 de julho. Segundo a Polícia Civil, ela “cumpria determinações da quadrilha com a função de intermediar as ações”. Islênia de Abreu é mulher de outro representante do “alto escalão” do Sindicato do RN, que foi preso no estado potiguar e transferido para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia. De acordo com as investigações, Islênia chefiaria parte da quadrilha a mando do marido. Ela foi presa semana passada com artefatos que seriam usados nos atentados.
CedidaIslênia de Abreu fazia parte da quadrilha à mando do maridoIslênia de Abreu fazia parte da quadrilha à mando do marido

Negação
Em vídeo divulgado pela Polícia Civil, Daniel Silva de Carvalho negou conhecer Edson Cardoso Bezerra, conhecido como “gato”, transferido na segunda-feira passada para o Presídio Federal de Mossoró junto com outros quatro homens tidos como os líderes do Sindicato do RN. “Sei quem é pois passou pela mesma coisa que eu passei, lá no presídio. Mas não tenho contato com ele”, disse Daniel Silva de Carvalho. Questionado se era o “braço direito” de Edson Cardoso, o “gato”, Daniel Silva de Carvalho reafirmou que não conhecia o apenado. Por fim, ele asseverou que os dois estavam presos no mesmo pavilhão da Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP).

A diretora de Polícia Civil da Grande Natal (DPGRAN), delegada Sheila Maria Freitas, questionada sobre a prisão do suposto líder, João 'Mago' - preso pela Polícia Civil domingo passado e a de Daniel Silva de Carvalho, apontado como o “vice líder”, explicou que “João Mago” pertence ao primeiro escalão e Daniel Silva de Carvalho pertence ao “segundo escalão”. O segundo estava fora para operacionalizar com o dinheiro do tráfico que mantém o “Sindicato do Crime”.

Outras prisões
Os suspeitos de ataques já somam 82, conforme balanço apresentado na noite de ontem pela Sesed. Somente em Nova Cruz, oito pessoas foram detidas em duas operações distintas. Em Canguaretama, policiais do Comando de Polícia Rodoviária Estadual (CPRE) prenderam José Igor Ferreira, 18 anos, apontado como um dos autores do atentado ao prédio da Prefeitura da cidade, onde veículos foram incendiados. Em São  Tomé,  foram feitas cinco prisões. Todos suspeitos de atearem fogo a um trator e a uma retroescavadeira que pertenciam à Prefeitura da cidade.

Perfil dos transferidos
Eles dividiam não somente a mesma unidade prisional, a Penitenciária Estadual de Parnamirim (PE), na Região Metropolitana de Natal, mas também um histórico de crimes que vai desde o furto ao latrocínio, passando pelo lucrativo tráfico de drogas. Conheça abaixo o perfil de cada um dos cinco homens transferidos da PEP para o Presídio Federal de Mossoró, sob acusação de comandarem os ataques em Natal e interior do estado. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc).
CedidaEles dividiam não somente a mesma unidade prisional, a Penitenciária Estadual de Parnamirim (PE), na Região Metropolitana de Natal, mas também um histórico de crimes que vai desde o furto ao latrocínio, passando pelo lucrativo tráfico de drogasEles dividiam não somente a mesma unidade prisional, a Penitenciária Estadual de Parnamirim (PE), na Região Metropolitana de Natal, mas também um histórico de crimes que vai desde o furto ao latrocínio, passando pelo lucrativo tráfico de drogas

Alex Barros de Medeiros
As características físicas o imprimiram o apelido de Peitola. Tem no registro no Tribunal de Justiça, processos por tráfico de drogas que tramitam na Comarca de Nísia Floresta. Atua como o articulador do bando criminoso, fazendo uma espécie de ponte entre líderes de facções do Rio Grande do Norte e Paraíba dentro das detenções.

Anderson Mendonça da Silva
Conhecido como Sancinho, possui  uma extensa ficha policial. Responde processos criminais em Nova Cruz, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante por porte ilegal de armas, tráfico de drogas e latrocínio. Acusado de ter cometido o crime roubado e, em seguida, matado Antônio Pereira da Silva, em 2005. Considerado um dos cabeças da organização criminosa, mais violento e perigoso do bando.

Cosme Wendel Rodrigues Gomes
Responde pela alcunha de Cego. Responde a processos em Macaíba e Parnamirim, por furto, tráfico de drogas, homicídio simples e homicídio qualificado. Acusado de matar Roberilson Xavier da Silva, o Ferrugem, em 15 de julho de 2014; e Gilmário Gomes do Nascimento, em 03 de dezembro do ano passado. Chefia pontos de venda e distribuição de entorpecentes em Parnamirim e na região Potengi.

Edson Cardoso Bezerra
Chamado também de Gato, era vizinho de cela de Daniel da Silva Carvalho, o número dois do Sindicato do Crime, preso segunda-feira passada. Responde a processos por tráfico de drogas desde 2011. Foi condenado a 10 anos e 6 meses por tal crime. Apontado como dono de bocas de fumo em Parnamirim e com papel fundamental na organização.

Marcos Paulo Ferreira
Marcos Cabeção, Cabeça ou Cabeça de Acre são alguns dos seus codinomes. Acusado de ter matado Valter Gomes da Silva, o Jaburu. O mais estudado do bando, se tornou o porta-voz da organização. Foi ele quem, supostamente, gravou o áudio que ganhou as redes sociais semana passada, ameaçando retaliação por causa da instalação dos bloqueadores de sinal de telefonia celular na PEP.  Veja transcrição do áudio referenciado: “Aí! Então, família. Forte abraço aí do irmão Cabeça do Acre. Aí, então: tô mandando essas fotos pros irmão (sic) aí para antecipar aí a torre de bloqueio de celular que estão colocando aqui no PEP. Tão entendendo? Os irmão fique aí ciente que qualquer bloqueio, qualquer pá (sic) aí, vamo botar o bang pra funcionar. Firmeza? O estado todo geral, tremer geral. Firmeza? É nóis aqui na fita, mano. Estamos junto”.

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