Índios do Rio Grande do Norte

Publicação: 2019-09-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Tomislav R. Femenick
Mestre em economia, com extensão em sociologia e história, e membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN

As tribos ou sociedades indígenas são classificadas através de suas respectivas afinidades linguísticas, pela identidade cultural e pela homogeneidade de costumes, mas é a língua o principal elemento de aglutinação dos diferentes grupos. No Brasil há duas linguagens básicas principais: a Tupi, que possui sete famílias linguísticas, inclusive a tupi-guarani, e a macro-jê, com cinco, entre as quais a família jê. Afora essas duas, há as línguas aruak, karib, tukâno, pomo e guaykuru, que formam grupos independentes.

No início do período colonial existia no Rio Grande do Norte uma grande população de nativos das raças tupi e, principalmente, cariri. Do primeiro grupo, os potiguares. Cariris eram os paiacus, paiins, monxorós, pegas, caborés, icozinhos, panatis, ariús, janduís e outros grupos. Como resultado do apresamento, miscigenação, doenças exógenas e o extermínio promovido pelos colonizadores, houve um rápido decréscimo desse contingente. Exemplo foi o que ocorreu em 1597, quando uma epidemia de varíola se espalhou pelo Nordeste do Brasil, matando indistintamente colonizadores e indígenas. A sua violência foi de tal monta que retardou a colonização do Rio Grande do Norte.

O extermínio dos índios no Estado teve início (e maior proporção) no século XVII. A guerra entre portugueses e holandeses, além de outras causas, forçou um grande contingente de indígenas do Rio Grande a emigrar para outros lugares; Paraíba e, principalmente, Ceará. O nível populacional silvícola já era crítico, conforme relata Nieuhof (1981): “Em 1640, a população aborígine de Ceará aumentou consideravelmente. [...] Por outro lado o Rio Grande se achava quase deserto Assim, André Vlijfs propôs ao Grande Conselho fundar uma aldeia no Rio Grande para lá instalarem os habitantes de Ceará que o desejassem fazer. Inteirado, o conde Maurício e o Grande Conselho, das aspirações de alguns habitantes de Ceará, desejosos de se estabelecerem no Rio Grande, sua terra Natal, [...] atenderam a sugestão”.

Exemplo de liquidação planejada dos índios em solo potiguar foi a campanha de Afonso de Albertin na Ribeira do Açu, que visou dizimar os janduís. Os poucos sobreviventes foram aprisionados e levados para Recife como presentes ao governador de Pernambuco. Chegando ali foram comercializados em praça pública, como escravos. Os bandeirantes Domingos Jorge Velho e Matias Cardoso, também deixaram rastro, sendo os responsáveis pelo massacre e pela prisão de índios cariris, especialmente os janduís, em meados de 1689, durante a chamada Guerra dos Bárbaros, Guerra do Assú ou Confederação dos Cariris, que durou de 1680 a 1729 e atingindo quase toda a região nordeste da colônia, porém o principal palco das lutas foi o Rio Grande do Norte. “Os índios capturados durante a Guerra dos Bárbaros, por exemplo, foram vendidos na cidade de Natal” (HEMMING, 1999).   

Falando sobre o declínio dessa população, a professora Fátima Lopes (www.pgr.mpf.gov.br) diz que, “de acordo com informações de Jesuítas, datadas do início da colonização ao século 18, havia uma grande quantidade de índios na região litorânea de nosso Estado. Só nas imediações de Natal, eram cerca de 6 mil nativos, em aproximadamente cem aldeias”. Diz ainda, que em 1603 vinte e seis aldeias dos potiguaras haviam desaparecido. Restavam apenas sessenta e quatro, na mesma região. Em 1613, dez anos depois, eram apenas oito aldeotas. Em 1627, Domingos da Veiga Cabral (Apud HEMMING, 1999) relata que havia “pouco mais de 300 flecheiros divididos entre quatro aldeias. Costumava haver uma quantidade tão grande deles que seus números não eram conhecidos”. O número de aldeamento foi corrigido em 1639 por Adriaen van der Dussen (Drussen) – (1947), em seu Relatório sobre as Capitanias Conquistadas no Brasil pelos Holandeses, eram cinco. O censo de 1844 registrou pouco mais de seis mil indígenas na Província.



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