Única potiguar a disputar Mundial, Suzana relembra carreira e aposta na Seleção

Publicação: 2019-06-09 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ícaro Carvalho
Repórter

Suzana Ferreira da Silva, 44 anos, carrega, no sorriso, as marcas de uma carreira vencedora e de uma potiguar que quebrou barreiras para chegar em altos patamares em tempos complicados para o futebol feminino. A natalense natural da Redinha é a única potiguar a disputar uma Copa do Mundo Feminina, em 1999, ficando em terceiro lugar, aliado ao fato de ter disputado os Jogos Olímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000. Agora atuando como árbitra, ela relembra a trajetória e garante: a Seleção atual, que estreia neste domingo (09) contra a Jamaica, tem tudo para ir longe na Copa do Mundo da França e lutar pelo título inédito.

A potiguar Suzana da Silva, 44 anos, disputou o Mundial da FIFA de 1999, ficou com a terceira colocação numa época em que o futebol feminino era visto com muito mais preconceito
A potiguar Suzana da Silva, 44 anos, disputou o Mundial da FIFA de 1999, e ficou com a 3ª colocação numa época em que o futebol feminino era visto com muito mais preconceito

“Essa Seleção vai chegar longe. A nossa seleção está bem preparada, pelo que estou acompanhando, pelas palavras das meninas, as meninas que são bem guerreiras, a gente vai chegar longe”, conta à TRIBUNA DO NORTE, apesar dos últimos resultados não terem sido satisfatórios, como por exemplo, as nove derrotas nos últimos dez amistosos. Entretanto, a potiguar confia nas atletas e espera uma boa campanha.

Do atual elenco, Suzana revela que jogou com a atacante Cristiane, a meia polivalente e incansável Formiga e acompanhou os primeiros passos da Rainha Marta, quando jogou com ela no Vasco da Gama, em 2000.  Ela jogou ainda com Kátia Cilene e Sissi, outros dois grandes nomes do futebol feminino.

As emoções que as 23 brasileiras vão viver a partir deste domingo, Suzana viveu há exatos 20 anos quando viajou até os Estados Unidos para defender as cores da Seleção Brasileira. Então com 24 anos de idade, a natalense, vestindo a camisa 11, comandou o meio-campo brasileiro ao lado de Formiga, chegando até às semifinais, sendo derrotadas para as donas da casa, que se sagrariam campeãs do torneio.

“Minha primeira convocação foi no final de 97, sul-americano. Fomos terceiro lugar, numa falha grande que tivemos com as americanas, éramos os favoritos, mas sabe como é futebol né?”, revela, sem perder o sorriso no rosto. “Fui titular em todas, graças a Deus nunca tive lesões graves. Eu era um “Dunga”, um garçom, armava e desarmava, só bandeja. Eu digo que fiz gol, porque jogada que eu fazia era praticamente gol”, acrescenta.

Pelo São Paulo, Suzana (5ª da esq/dir) foi campeã brasileira ao lado de uma das maiores jogadoras do futebol nacional: Sissi
Pelo São Paulo, Suzana (5ª da esq/dir) foi campeã brasileira ao lado de Sissi, uma das maiores jogadoras do futebol nacional

Antes de chegar à Seleção Brasileira, Suzana começou a jogar nas praias da Redinha, com o pai e os irmãos. Crescendo aos poucos, ela foi convidada para jogar em um time do bairro da Cidade da Esperança, ganhando destaque a ponto de ir ao ABC. Posteriormente, foi ao Santa Cruz de Recife, Saad FC (Campinas), São Paulo e posteriormente, Vasco da Gama. Ainda jogou pelo Sport e também no Náutico, ambos de Recife. Em toda a carreira, revela, contou com o apoio de Cleia Araújo, amiga e parceira que a ajudou em oportunidades.

O curioso é que, se o fato de a mulher jogar futebol nos dias atuais ainda é visto com olhos tortos, há 20 anos esse sentimento era ainda mais incisivo. Tal preconceito quase impediu Suzana de jogar futebol, mas nada que a potiguar não conseguisse tirar de letra. Ela relembra que o pai não queria vê-la jogando futebol, no entanto, conta que, atualmente, o pai “brilha” os olhos quando fala que a filha jogou na Seleção.

“Infelizmente e felizmente ele teve que aceitar com isso tudo, porque sempre gostei, minha mãe e meus irmãos sempre apoiaram, e teve uma hora que ele disse: não é assim que eu quero, é assim que a realidade é”, revela. Em toda a carreira, Suzana conta que conquistou títulos estaduais pelos times que passou, o título brasileiro em 1998  (pelo São Paulo) e o bi-campeonato sul-americano, disputado na Argentina, em 1998 e 1999. Foi daí que conseguiu o grande momento na carreira, a qual é grata até os dias atuais.

Suzana durante a Copa do Mundo de 1999, nos Estados Unidos: representando o RN nos primeiros passos do futebol feminino
Suzana durante a Copa do Mundo de 1999, nos Estados Unidos: representando o RN nos primeiros passos do futebol feminino

“Eu sempre sonhei, como acredito que todas atletas sonham em estar na Seleção Brasileira. Mas foi difícil viu? Porque você sair daqui do NE, com toda dificuldade que tem, chegar em São Paulo e ter a notícia que fui convocada para Seleção, foi uma surpresa pra mim. Com toda dificuldade que tem o feminino...”, comenta Suzana.

Vinte anos após disputar uma Copa do Mundo e consequentemente os Jogos Olímpicos, Suzana comemora os avanços no futebol feminino. Por exemplo, essa será a maior Copa do Mundo com alcances de transmissão, algumas ligas europeias cada vez mais fortes, além do Brasileirão Feminino, estruturado, com duas divisões e já buscando se consolidar no calendário nacional. Mesmo com esses fatores, ela atenta que esse crescimento deve continuar e alavancar ainda mais o esporte.

“O futebol feminino cresceu e hoje tem alguém que diga: esse é um esporte que temos que apoiar cada vez mais, porque cresceu muito. Nunca imaginava que o feminino iria crescer, pelas dificuldades que tem. Hoje tem um Brasileiro visto, uma Seleção que é vista, Marta seis vezes melhor do mundo, graças a Deus tem apoio, um patrocínio ali. Temos de crescer bem mais ainda”, opina.

Com cortes e indefinições, Brasil estreia contra Jamaica
O primeiro passo para um sonho e uma conquista que falta na história do futebol brasileiro. A Seleção Feminina de Futebol joga hoje (09), contra a Jamaica, pelo mundial. A partida tem início às 10h30, em Grenoble (Estádio dos Alpes), e tem transmissão da TV Globo, a primeira Copa feminina a ser passada em rede nacional na história.

A volante Formiga, de 38 anos, vai se aposentar após a Copa Internacional
Formiga fará o seu sétimo mundial com a Seleção Brasileira

Durante a semana de preparação para a estreia, a dúvida ficou se Marta terá condições de jogo contra as jamaicanas. Aliado a isso, o técnico Vadão teve de conviver com outros problemas: a zagueira Érika, figurinha carimbada da Seleção, foi cortada nesta sexta-feira (07), além da lateral-direita Fabi Simões, desconvocada no começo da semana após lesão na coxa direita. A “bruxa” esteve solta antes mesmo da convocação, visto que a atacante Adriana também tinha sido cortada. A Seleção também terá de encarar outros desafios. Perdeu nove dos últimos dez amistosos sucumbindo diante de adversárias mais exigentes, como Estados Unidos, Alemanha e a anfitriã França.

Uma geração tida como vitoriosa, sendo duas vezes medalhista olímpica e vice-campeã mundial em 2007 prepara o seu último ato. Nomes como Cristiane e Formiga (esta última disputando o sétimo Mundial), já adiantaram que se despedem da seleção canarinho neste torneio. Marta, camisa 10 e ídolo nacional, ainda admite disputar outro torneio. Hoje ainda jogam: Austrália x Itália e Inglaterra x Escócia.









continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários