A nona arte nas academias

Publicação: 2020-07-03 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Nas resenhas movidas a café que eu fazia antigamente, antes da pandemia, com os amigos Homero Costa e Alex Galeno, nalgumas vezes surgiu no improviso da pauta o vislumbre de um dia existir na UFRN uma disciplina de rock ‘n’ roll, como há nos EUA e Europa, e outra de histórias em quadrinhos, a exemplo do que já existe no Brasil, em faculdades da UNB e da USP. Ontem lembrei das conversas ao noticiar o leilão do acervo do saudoso Daniel Azulay.

Estamos entrando em véspera do centenário de surgimento da nona arte nos moldes que nos acostumamos a ver, quando os quadrinhos saltaram das tirinhas de jornais e ganharam revistas próprias, principalmente as mais populares no chamado padrão americano. Se bem que em 1890 surgiu na Inglaterra publicação em formato revista, mas com mais texto do que desenho.

Mergulhei pra valer no universo das revistinhas em dimensão 18cm x 27cm em meados dos anos 60, impactado com as primeiras edições da EBAL que vi expostas nas cigarreiras da Avenida Rio Branco e na padaria de Santos Reis.

Mantenho em culto religioso a primeira revista adquirida, o exemplar número 1 de Os Justiceiros, grupo de super-heróis da DC Comics que anos depois mudaria o nome para a Liga da Justiça. Li deslumbrado e nunca mais parei.

Voltando ao assunto das HQs prestigiadas num curso universitário, vale destacar a importância cultural dos conteúdos dos quadrinhos, citada por grandes estudiosos e pensadores, principalmente pelo nosso Moacy Cirne.

Eu já estava no meio da puberdade, consumindo aventuras de super-heróis e revistinhas de faroeste, quando Moacy publicou duas bíblias do tema, A Explosão dos Quadrinhos, em 1970, e Para Ler os Quadrinhos, em 1972.

Incrível é que antes do professor potiguar e de outros pesquisadores internacionais estabelecerem os conceitos em torno da produção das histórias em quadrinhos, o próprio poder político dos EUA entendeu essa importância.

Em fevereiro de 1966, os jornais americanos dedicaram páginas ao projeto de preservação e catalogação das HQs realizado pela Biblioteca do Congresso dos EUA, que naquele mesmo ano já dispunha de 12 a 15 mil exemplares.

O poder legislativo do país do Pato Donald e Superman inaugurava uma superestrutura com portas de aço e enormes caixas para guardar revistinhas, acessíveis apenas para professores, sociólogos e mestrandos ou doutorandos.

Toda a produção a partir de 1930 preservada em caixas cinzas, que por sua vez foram colocadas em prateleiras especiais. Já naquele tempo, os dirigentes da biblioteca falavam em viabilizar microfilmagem de tudo que ali chegava.

Essa importância dada pelas autoridades políticas dos EUA aos quadrinhos foi dada também aqui no Brasil em 1974, quando a EBAL completou 40 anos das suas primeiras publicações. Reconhecimento feito pelas autoridades culturais.

Foi em 26 de setembro de 1974 que a Academia Brasileira de Letras realizou uma sessão solene para homenagear a editora, convocando seu fundador, Adolfo Aizen, para a cerimônia que foi presidida por Austregésilo de Athayde.

Na ocasião, confirmando todos os estudos e conceitos formulados por figuras como Moacy Cirne a respeito da nona arte, o escritor e jornalista Raymundo Magalhães Junior, que morreria 7 anos depois, discorreu sobre os quadrinhos.

Amigo de Aizen desde 1930, o acadêmico enalteceu o pioneirismo do homem da EBAL ao criar mercado para desenhistas, ilustradores, jornalistas e escritores ao trazer para o País os personagens dos sindicatos americanos.

Diante de Odylo Costa Filho, Antônio Houaiss, Oswaldo Orico, Viana Moog, Barbosa Lima Sobrinho e outros, o autor que redescobriu Machado de Assis elevou os quadrinhos ao patamar das grandes manifestações da cultura.

Rejeição
Impressionante o percentual de natalenses ignorando as eleições para prefeito, de acordo com o resultado da pesquisa Consult no questionário de aferição espontânea. São 71,1% indecisos e 16,8% rejeitando todos, total de 87,9%.

Supremo
O senador Styvenson Valentim bateu duro no STF, em seu perfil no Twitter. Chamou a sessão de “reunião de faz de conta” e indagou aos seguidores: “O que poderíamos esperar de diferente? O Olimpo reduzir o próprio poder?”.

Supremo II
Mais adiante, Styvenson continuou: “Os togados precisam entender que o poder tem limite e o limite é a Lei”. E por fim arrematou com ironia: “E o Senado tem o poder constitucional de acabar com essa Liga da Justiça tupiniquim”.

Fake da Peppa
Circula nos grupos de WhatsApp mais um áudio com a voz da deputada Joice Hasselmann orientando uma assessora a juntar uma fala de Roberto Jefferson com Zé Dirceu e assinar com slogan: “Roberto Jefferson é Bolsonaro e é Lula”.

Pancada
E o Sinsp segue batendo forte no governo Fátima, mesmo sendo um sindicato gerido por militantes do PT. Novos flyers circulam nas redes espinafrando a reforma da previdência de Fátima Bezerra e o deputado George Soares. 

Professores
Pelos grupos digitais da luta sindical, muitos servidores que seguem a orientação do Sinsp não poupam críticas e piadas com o Sinte, o sindicato de professores, que – calado - virou um puxadinho do gabinete governamental.

Pantomima
Baixou o espírito de “Médici” nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo. No empenho de combater o das ideias de direita no País, pedem para a esquerda vestir amarelo e publicam um selo com o slogan “Pátria Amada Brasil”.

Lives da sexta
Dois nomes da música potiguar brasileira estarão hoje ao vivo nas redes sociais. Giovani Montini e seu violão às 18h no Facebook e Terezinha de Jesus solta a voz às 19h no Instagram, acompanhada pelo maestro Franklin Novaes.