“O foco no RN é aproveitar a proximidade com os principais operadores do mundo”

Publicação: 2016-07-31 00:00:00
A+ A-
Renata Moura e Sara Vasconcelos
Editora e Repórter

Os Correios e o Consórcio Inframérica, que administra o Aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, devem formalizar nesta segunda-feira (1º) parceria para instalação do Centro Internacional dos Correios no Rio Grande do Norte – uma estrutura  também chamada “HUB dos Correios” que vai receber e distribuir cargas procedentes principalmente dos Estados Unidos e da Europa, com destino às regiões Norte e Nordeste do Brasil. “Nossa expectativa é que a construção seja iniciada nos próximos 90 dias, com início das operações no segundo semestre de 2017”, diz José Furian Filho, vice-presidente de Logística dos Correios, área encarregada da coordenação do Centro. Este será o primeiro HUB da empresa no Nordeste e o quarto instalado no Brasil, somando-se aos existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
José Furian Filho, vice-presidente de Logística dos Correios, explica como funcionará o Centro que a empresa implantará no estado para receber e distribuir cargas internacionais a partir de 2017
 O Centro será construído pelo Inframérica e alugado aos Correios, mas o valor do aluguel ainda está em negociação. O quanto será investido na  estrutura também não está definido, afirmou na última sexta-feira (29) o Consórcio Inframérica, a quem caberá fazer o desembolso.
Nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE, concedida por e-mail, Furian explica como vai funcionar esse Centro e os ganhos esperados com ele, incluindo o encurtamento de distâncias e o consequente aumento na velocidade de entrega de cargas internacionais. O e-commerce, afirma, também poderá ser beneficiado nesse contexto.

A expectativa da companhia é, ainda, dobrar a operação de cargas internacionais em até cinco anos, após o início do funcionamento do centro. A participação internacional no volume total movimentado hoje, porém, não foi revelada. Veja os principais trechos da entrevista:

Veículos nacionais têm apontado uma crise financeira nos Correios, que precisou adotar medidas como elevação de tarifas, cortes em gastos de custeio, revisão de contratos de aluguel e fechamento de agências com baixo movimento aos sábados. Nesse contexto, o projeto do Centro Internacional que será implantado no Rio Grande do Norte precisou ser reavaliado?

O projeto permanecerá como originalmente planejado, sem alterações. Ele foi idealizado justamente para aproveitarmos melhor a disponibilidade da malha logística de transporte, melhorar os prazos de entrega dos objetos internacionais destinados às regiões Norte e Nordeste e oferecer aos vendedores de comércio eletrônico internacionais uma condição de acesso ao mercado brasileiro de menor custo e melhor qualidade.

O projeto foi anunciado no segundo semestre de 2015 e, na época, a expectativa era assinar o contrato até o final do ano e tê-lo em operação até o final de 2016. Por que só agora esses passos estão sendo dados? Tem a ver com a situação financeira da empresa ou a demora se deve a outros fatores?

Embora a empresa esteja passando por um momento de dificuldades para equilibrar o binômio receitas/despesas, no caso do Centro Internacional de Correios do RN a contrapartida virá de um melhor aproveitamento de um custo fixo já existente (retorno da malha) e a expectativa de novos clientes. Como empresa pública, os Correios têm que seguir legislação pertinente a esse tipo de contratação para que tenhamos as exigências formais e legais devidamente contempladas em todas as suas etapas.   

Quais são os termos do contrato que será assinado nesta segunda-feira com o Consórcio Inframérica?

Na segunda-feira (1º) vamos anunciar a formalização da parceria Correios/Inframérica por meio da Carta de Intenções assinada em 28 de junho de 2016. Este documento habilita a Inframérica a prospectar os recursos necessários à implementação do empreendimento. O prazo para edificação é de até 12 meses; os valores de aluguel estão sendo negociados, tendo por base laudo técnico, o que deve ser finalizado em breve. A Inframérica será responsável pela edificação do armazém. Nesse período da construção, os Correios darão início aos processos de contratação de mão de obra responsável pelo manuseio interno dos objetos internacionais.  

Quando deverá começar a ser construído e qual a previsão para entrar em funcionamento?

Nossa expectativa é que a construção seja iniciada nos próximos 90 dias, com início das operações no segundo semestre de 2017.

Como vai funcionar esse Centro e o que muda em relação à logística dos Correios hoje?

Basicamente não haverá alteração no funcionamento da nacionalização das cargas postais internacionais. O foco desse novo Centro Internacional é aproveitar a sua proximidade com os principais operadores logísticos do mundo, localizados na América do Norte e na Europa, alcançando também cargas dos asiáticos que fazem trânsito via continente europeu, visando diminuir os custos envolvidos na entrega de carga postal no Brasil, afinal serão em média três horas de voo a menos. Além disso, existe a possibilidade de aproveitamento da malha de distribuição no sentido contrário (Norte - Sul), representando economicidade ao processo logístico. Existe ainda ganho na distribuição das remessas postais internacionais cujos destinatários estão localizados na região Norte - Nordeste.

Qual o impacto previsto para a economia do Rio Grande do Norte e para os “negócios” dos Correios? O que cada um ganha?

O Centro Internacional será um ponto de entrada e saída de remessas postais (produtos), ou seja, haverá mais facilidade de chegada de produtos estrangeiros e por outro lado haverá uma oportunidade de exportação de produtos brasileiros aproveitando este nicho de mercado.

Qual o volume e que tipo de cargas (mês/ano) serão operadas por este terminal?

Existe uma previsão de operação com 220 mil remessas postais por mês. Isto equivale a 10 mil remessas postais por dia.

Isso representa quanto no faturamento da empresa?

Por tratar-se de segmento concorrencial, não divulgamos esta informação.

As cargas internacionais representam quantos % dentro do bolo total movimentado, hoje?

Por tratar-se de segmento concorrencial, também não divulgamos esta informação.

Mas é previsto incremento neste número, a partir da implantação dessa estrutura?

Existe a expectativa de dobrar esta operação em até cinco anos após o seu início.

Cargas procedentes de quais lugares e para quais destinos serão distribuídas a partir desse centro?

As cargas serão, na sua maioria, advindas dos Estados Unidos e países da Europa, com possibilidade de chegada também a partir da Ásia (Cingapura e China).

Isso deve demandar ampliação na malha aérea que atende Natal?

A carga postal é atrativa às companhias aéreas, pois denota uma receita regular. Assim, as companhias aéreas conseguem criar novas rotas a partir da garantia de transporte de carga postal de forma contínua.

Há uma expectativa de que a partir das operações do Centro no RN haja redução dos custos envolvidos no transporte da carga postal e diminuição no prazo de entrega. Para os consumidores, sejam “pessoas comuns” ou empresas, quais serão os impactos da implantação dessa estrutura, em termos de tempo e de custos?
É importante frisar que não haverá aumento de custos e nem de tarifas na operacionalização da carga no novo Centro. Os custos de transporte interno não sofrerão alterações. No entanto, com relação aos prazos, pode-se dizer que estes serão mais assertivos, visando, principalmente, a melhoria na prestação do serviço de distribuição das cargas postais. Vale lembrar que o prazo de entrega estará sempre atrelado ao devido desembaraço aduaneiro, cujo órgão responsável é a Receita Federal do Brasil. Destaque-se que pela proximidade com a América do Norte e a Europa, os grandes players de comércio eletrônico que hoje não vendem ao Brasil poderão rever suas posições, afinal, o País se tornará mais atrativo com a redução de custos de transporte dos países estrangeiros até o Brasil.

Serão efeitos imediatos?

Sim.

O fato de o Centro estar no Rio Grande do Norte gera algum benefício adicional à população do estado, ou seja, redução ainda maior em prazos e custos em relação aos demais estados?

A população do Norte e Nordeste deverá ter benefícios naquelas cargas que forem desembarcadas diretamente no hub do RN.

Na avaliação dos Correios, a infraestrutura de estradas e acessos ao aeroporto, inclusive do acesso Sul ainda não concluído, atende a demanda do Hub? Ou pode prejudicar a logística rodoviária para escoar a carga para os demais estados?

O estudo de viabilidade levou em consideração as condições atuais existentes no Aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

Há estimativa de geração de 100 empregos diretos, conforme já divulgado pela companhia. É previsto concurso público ou será feito outro tipo de seleção? Nesse caso, para quais vagas e já há data para lançamento do edital?

Ainda não há esta definição.

Os Correios no RN estão há cinco anos sem concurso público e com déficit de pessoal. Há previsão de novo certame para este ano?

Diante da reestruturação organizacional e da reorganização do processo produtivo, os Correios estão reavaliando todos os estudos relacionados ao quantitativo da força de trabalho em cada localidade. Somente após a conclusão desses estudos será possível dimensionar a real necessidade de efetivo para realização de um novo concurso público.

Deixe seu comentário!

Comentários