“O que é informal não se mede”

Publicação: 2018-03-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Entrevista: Arnaud Marcolino - analista de mercado
Arnaud Marcolino - analista de mercado
Por quais motivos o mercado de trabalho formal no RN é tão frágil e não tem o poder de absorver a maior parte da mão de obra disponível?
Existe uma confluência de fatores. Entretanto eu destacaria dois deles: o primeiro é o fator educacional que implica em preparo técnico-profissional para ocupar funções que deveriam resolver os desafios, os problemas das empresas. É preciso uma aderência entre a vaga e a qualificação. Vale lembrar que no auge da crise - que já estamos passando - um dos estados que mais sofreu com o desemprego foi o Rio Grande do Norte e um dos que menos sofreu foi por exemplo, Santa Catarina, onde existe um nível educacional superior - basta atentar para os indicadores educacionais. O desemprego não ocorre por coincidência ou obra do acaso.

O segundo desafio é o da capacidade de gestão dos nossos líderes; seja nas esferas governamentais ou nas empresas  privadas. Administrar é um dos maiores desafios porque vai lidar com absolutamente uma infinidade de variáveis e com todos os problemas - inclusive o educacional elencado acima.

A falta de grandes empresas instaladas no Estado é um problema político, estrutural ou fiscal? Quais são as possíveis soluções para esse imbróglio?

Uma grande empresa somente decide se instalar em determinado local depois de estudos sérios de viabilidade. Essas análises levam em consideração uma série de variáveis estruturais e fiscais que, no caso do nosso Rio Grande do Norte, são pontos fracos porque a questão política não tem competência para fazer as coisas acontecerem. Neste estudos, nosso Estado vem sendo reprovado pelas grandes empresas – isto é um fato. A solução para resolver esse imbróglio pode começar na elaboração de uma Planejamento Estratégico, com a participação de vários setores da sociedade incluindo empresários porque são eles que geram empregos, para criar ações que contemplem diferenciais que incentivem verdadeiramente as pequenas, médias ou grandes empresas a investirem para gerar empregos.

O que o mercado informal de trabalho tem de negativo para a economia e previdência?

Isto desencadeia um círculo desastroso na economia porque as pessoas não têm como exercer o pleno direito da sua cidadania. Não conseguem usufruir dos benefícios da previdência, não aparecem nas estatísticas e portanto,  ninguém traça estratégias para solução dos problemas específicos da nossa sociedade, que não contribuem com impostos que são necessários, etc.  O que é informal não se mede. A gente apenas sabe que existe. E o que não se mede não se melhora (consistentemente).

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