“O shopping já está ficando pequeno. Vamos expandir”

Publicação: 2014-10-26 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Vinícius Menna
Repórter

O grupo Partage, dono do Partage Norte Shopping, na Zona Norte de Natal, registrou crescimento de 20% no fluxo de visitantes e de 25% nas vendas, nos primeiros nove meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado -  o que vai de encontro ao movimento sentido no cenário nacional do varejo e de shoppings. “O shopping já está ficando pequeno”, diz o superintendente, Fábio Maria. Nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE,  ele fala sobre o crescimento e antecipa que há planos de expansão da estrutura. Um dos projetos é a construção de um edifício garagem. “A gente está debruçado na finalização do projeto de expansão do shopping. A expectativa é que em meados do ano que vem a gente faça o lançamento desse projeto”, diz ele. Na entrevista, o superintendente também explica as mudanças recentes no nome do shopping e na gestão do estacionamento, que passou a ser pago, fala sobre o cenário atual do setor, além de comentar as expectativas para 2015. Confira a entrevista:
Alex RégisFábio Maria, superintendente do Partage Norte Shopping NatalFábio Maria, superintendente do Partage Norte Shopping Natal

O shopping passou por uma mudança recente no nome, que agora inclui a marca Partage. Por que essa mudança?
A Partage é uma empresa relativamente nova no mercado de shoppings centers. Ela comprou o empreendimento em Natal no ano passado e dentro de um processo de uniformização e consolidação da marca, de fortalecimento dos equipamentos do shopping center, tem esse processo de mudança de nome. O objetivo dessa mudança é de que todo o cliente, quando passar por uma cidade e ver o nome Partage, associa a um shopping com excelente conforto, segurança. Esse é o principal objetivo.

Isso também passa por uma maior padronização também no ponto de vista de layout dos shoppings?
Isso também. Existem alguns shoppings que já estão em processo mais avançado de melhorias, que é o caso de Campina Grande (Paraíba) e Parauapebas (Pará). Aqui, nós já fizemos um investimento este ano de R$ 2 milhões em mobiliário, paisagismo e sinalização. Tivemos um aumento na capacidade da praça de alimentação de 18%.

Quais são os próximos investimentos previstos para o shopping?
A gente está debruçado na finalização do projeto de expansão do shopping. A expectativa é que em meados do ano que vem a gente faça o lançamento desse projeto para o mercado e aí, com mais dois a três anos de obras, a partir de 2015, a gente tenha um novo Partage em Natal, ampliado dentro de um processo de modernização. A expansão vai ser onde temos hoje o estacionamento. O início da expansão vai ser a construção de um edifício garagem.

Quanto será investido?
Como ainda está em fase de estudo, ainda não temos valor estimado para o investimento.

Qual é hoje o movimento registrado pelo shopping?
Hoje ele é um dos melhores do grupo em nível de fluxo de pessoas. Mensalmente, nós recebemos um fluxo de 750 mil pessoas e ele já está ficando pequeno. A gente tem uma Zona Norte que cresce de forma muito rápida. Se a gente analisar, nós estamos numa região da cidade que concentra 40% da população e hoje existe uma procura até por grandes lojas, principalmente âncoras, em virem aqui para a Zona Norte. E além de uma demanda por parte de grandes lojas, existe uma expectativa por parte da população também por grandes marcas. A gente entende que já é o momento para fazer uma ampliação também por isso.

Existe alguma negociação em curso para a vinda de novas âncoras?
Existem várias negociações em andamento, mas hoje eu não posso abrir ainda para o mercado porque se tratam de negociações. Mas assim que tivermos elas todas finalizadas, vamos divulgar. A ideia é que, quando do lançamento da expansão, a gente já esteja com essas negociações com as âncoras finalizadas. É um processo que depende de um trabalho nosso. Por parte de âncoras, já existe o interesse. O que estamos fazendo agora é realmente finalizar o projeto de expansão para apresentar a essas âncoras, o que possibilita começarmos a definição de áreas dentro dessas negociações.

Existe algum plano de abrir um segundo shopping em Natal?
Não. Entendemos a demanda da Zona Norte, o potencial da região, então nosso foco é melhorar e aumentar o shopping.

Até agora, como foi 2014 para o shopping? Foi um bom ano?
Se formos analisar o fluxo de pessoas, estamos com um fluxo de, em média, 750 mil pessoas por mês. Isso representa um crescimento da ordem de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Em vendas, a gente também está com um crescimento superior a 20%. Já está batendo em uns 25% em relação ao ano passado no mesmo período. Nossa projeção para o final do ano é de que vamos receber 1 milhão e 100 pessoas só no mês de dezembro, que é o grande mês do varejo.

Na sua avaliação, quais fatores contribuem para esses números de crescimento? Isso está atrelado ao crescimento da Zona Norte?
Sim. Eu credito o sucesso do empreendimento ao pioneirismo de quem enxergou esse potencial da região. O shopping foi o primeiro grande negócio da região. Eu não sou daqui, sou de São Paulo. Quando cheguei aqui, nas primeiras conversas que tive a respeito da Zona Norte, o que eu soube é que os moradores da região trabalhavam em outras áreas da cidade, na Zona Sul ou Leste. Mas em conversa com o pessoal da área de Transportes da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), em recente pesquisa, eles identificaram que 40% a 45% das pessoas que usam transporte na região tem como origem e destino a própria Zona Norte. Elas não precisam atravessar as pontes para ir trabalhar, fazer compras. A vida deles já está aqui.
Se analisarmos que 40% da população de uma cidade que está beirando 900 mil habitantes está concentrada aqui, estamos falando de um empreendimento que tem em seu entorno quase 400 mil pessoas. Isso sem considerar cidades circunvizinhas, como São Gonçalo do Amarante, que já tem quase 100 mil pessoas. Então estamos falando de uma área primária – que é o termo que utilizamos na indústria de shoppings – com uma população gigantesca para trabalhar.

O shopping fez recentemente uma mudança na gestão do estacionamento, passando a cobrar. Como foi esse processo?
A gente passou ele para administração de uma empresa extremamente profissional, partindo de uma necessidade que nós tínhamos de fazer melhorias. Às vezes, as pessoas enxergam apenas a questão do pagamento, mas tem a questão dos benefícios. Só na parte de segurança, foram instaladas 32 câmeras. E além da parte de equipamentos, nós aumentamos o número de pessoal, contratando mais seguranças. Para dar essa segurança maior para o cliente, é preciso fazer alguns investimentos.

A cobrança do estacionamento acarretou em redução no fluxo de pessoas no shopping?
Uma das preocupações que nós tínhamos era de ter uma queda, mas não. Nós temos acompanhado no dia-a-dia. Começamos a fazer essa cobrança a partir do dia 6 de outubro, é uma coisa muito recente, mas a gente não observou nenhum impacto. Evidentemente tem as críticas, mas também tem os elogios de clientes que hoje se sentem mais seguros. E o fluxo do shopping se manteve. Só para se ter uma ideia, no dia 11, véspera do Dia das Crianças, o shopping recebeu 45 mil pessoas. É muita gente.
São 27 mil metros de estacionamento, 1.225 vagas de carros e mais 350 de motos. Fazer toda essa organização, trabalho de pintura, sinalização, isso gera a necessidade de se investir e para isso existe a contrapartida, até para fazer a manutenção do dia-a-dia, com pessoal. Toda essa logística tem um custo.

Apenas com as melhorias do estacionamento, quanto foi investido?
Não tenho esse número fechado, mas na última previsão estávamos falando em mais de R$ 600 mil.

Com a cobrança, esse investimento se paga em quanto tempo?
Estamos vendo isso porque existem particularidades na cobrança. Um exemplo é o cliente do Carrefour, que nas compras acima de R$ 20 tem isenção por três horas. E a receita não é tão significativa.

Quais são os preços hoje?
Para carro, são R$ 4 por três horas. Para moto, são R$ 3 por três horas. E o adicional por hora para carro é R$ 1, para moto são R$ 0,50.

Pensando em uma análise macro, dentro do cenário atual da economia do país, como está o mercado de shoppings?
O Brasil tem hoje mais de 500 shoppings e é um mercado com potencial de crescimento muito grande. Se formos comparar com os Estados Unidos, temos ainda algumas cidades com potencial para ter empreendimentos. Evidentemente que algumas cidades já estão saturadas. Quando se tem uma saturação nesse segmento, você tem problemas de lojas vagas, em fluxo de pessoas. Mas se analisarmos o nosso shopping, olhando para a área primária dele, numa Zona Norte onde ele está sozinho, com 350 mil pessoas na porta, não temos esses problemas.

A situação do Partage Norte Shopping Natal destoa do contexto nacional?
Sim. Eu estou nesse mercado há 18 anos e sei das dificuldades desse mercado. A questão de empreendimentos cresceu muito no Brasil, mas a parte de varejo, de lojas, não acompanhou tanto esse crescimento. Então, se formos analisar, a gente não tem novas âncoras no mercado e existe limitação de investimentos por parte dos varejistas. Em compensação, o mercado de shoppings se mantém aquecido.

Qual a expectativa para o Partage Norte Shopping em 2015?
É das melhores. Esperamos finalizar o ano com novas locações, inaugurando as lojas que ainda estão por abrir. Este ano foi muito bom. Para o ano que vem, queremos consolidar esse processo e fazer a tão sonhada expansão, com lançamento previsto para o início do segundo semente de 2015, já tendo a definição do projeto, negociação concluída com as lojas âncoras, com toda a parte legal resolvida, e pronto para fazer a comercialização das lojas menores. E nessa ocasião, esperamos já ter a data prevista para início das obras.

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários