‘Opção pela mudança não pode significar um salto no escuro’

Publicação: 2016-08-28 00:00:00
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» ENTREVISTA » Márcia Maia - Candidata à Prefeitura de Natal

A deputada Márcia Maia (PSDB) concorre pela primeira vez a um mandato eletivo em uma candidatura majoritária. As eleições anteriores que ela disputou foram para a Assembleia. Exerce pela quinta vez o mandato no Legislativo. Mas, lembra, tem vivência também no Executivo. Foi secretária nas áreas de Trabalho, Habitação e Assistência Social no município e no Estado.

Márcia Maia afirma que vai destacar essa experiência ao longo da campanha.  “Nós representamos essa mudança que o cidadão deseja, com segurança e conhecimento, capacidade administrativa e experiência”, diz.

Nesta entrevista, ela responde sobre quais propostas vai apresentar para a Saúde e Educação, o que planeja para a atuação da Guarda Municipal.
Márcia Maia afirma que vai destacar a experiência ao longo da campanha que pretende levar às ruas
Por que a senhora decidiu ser candidata à prefeita de Natal?
Queremos implantar um novo modelo de gestão na nossa cidade, que tenha foco no cidadão, que está abandonado pela gestão municipal, tanto na área da Saúde, como na questão da Educação e no problema da violência, na falta de ocupação dos espaços públicos e de investimentos no turismo. A economia está paralisada, sem geração de emprego e renda. A gente também tem percebido que o cidadão natalense tem feito opção pela mudança, que é necessária, e não pode significar um salto no escuro. Nós representamos essa mudança que o cidadão deseja, com segurança e conhecimento, capacidade administrativa e experiência. Eu passei dez anos de minha vida pública ocupando gestões no Executivo nas áreas do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social, que foram aprovadas pela população, exitosas e referências importantes, reconhecidas em nível nacional e internacional, tanto no Executivo Municipal como no Estadual. Então, é isso que queremos oferecer à população de Natal: A nossa capacidade de gerir a cidade dentro de um conceito moderno, eficiente e transparente da gestão.

A senhora afirma que sempre teve uma função no Executivo. Mas foi como auxiliar. Este é a primeira vez que disputa mandato majoritário. Antes foi eleita para a Assembleia.  Por que considera que vai conseguir convencer o eleitor a votar para um cargo majoritário?
Primeiro, o conhecimento dos problemas de Natal. Nasci aqui, sempre estive em contato com os problemas da cidade. Tive uma atuação política muito forte na área social. Fui presidente de organização não governamental e gestora não só de promoção social, mas de uma política importante nas áreas do trabalho, da habitação e obviamente, também, não menos importante, da assistência. Foram dez anos no Executivo, com referência extremamente positiva e exitosa dentro do meu currículo. Eu me sinto, sim, preparada para administrar a cidade. Agora com muito mais maturidade, depois de tanto tempo na vida pública, já exercendo meu quinto mandato de deputada estadual, que foram sempre propositivos e durante o tempo em fizemos uma oposição, fizemos uma oposição equilibrada, com responsabilidade e construtiva. A população tem  acompanhado todo esse nosso trabalho, então acredito que tanto eu como o meu vice, Luiz Gomes, estamos preparados para governar a cidade de Natal.

As pesquisas e as movimentações mostram que a população não está, até agora, muito interessada na campanha e ao mesmo tempo temos uma regra de propaganda de rua e no rádio e na TV com tempo curto. Vai ser possível motivar o eleitor a participar dessa eleição com mais vontade?
Acredito que sim, e acho que isso vai depender também de cada dinâmica das candidaturas. A nossa candidatura tem estado nas ruas, dialogando, aliás toda a minha vida pública sempre foi pautada pelo diálogo, não está sendo diferente agora nessa candidatura majoritária. Então, nós estamos percorrendo as ruas, comunidades e bairros de Natal, os serviços públicos, que é importante que a gente tenha diagnóstico preciso e aprofundado de serviços, que inclusive não estão funcionando bem, como é a situação da Saúde, que posso aqui exemplificar e a gente vai fazer esse trabalho dentro dessas novas regras, utilizando o tempo de televisão, obviamente, mas também as redes sociais e o contato presencial e direto com o cidadão natalense.

Discute-se muito a relação entre financiamento de campanha e a relação depois dos eleitos com os financiadores. Este ano não tem financiamento empresarial, como a senhora pretende superar essa dificuldade de arrecadação para a campanha?
Fazendo uma campanha simples e de pé no chão, do diálogo com a população. Os gastos serão os mínimos na nossa campanha e não  temos nenhum problema com relação a isso. Acho mesmo que as regras deveriam ser mudadas e espero que continuem assim nas próximas eleições. Que não haja nova mudança das regras eleitorais. O tempo curto e principalmente essa da nova regra de financiamento, que permite que a gente possa fazer uma campanha dentro da realidade econômica do país, mais simples e realmente de pé no chão, onde a gente possa ter o contato direto com a população sem fazer grandes gastos.
Márcia Maia (PSDB) é deputada estadual e candidata à Prefeitura de Natal
Assumindo a prefeitura, como a senhora pensa em superar as dificuldades de financiamento para fazer os investimentos que a cidade precisa?
Primeiro, tenho percebido que essa gestão não tem tido o controle necessário e não tem sido transparente nos gastos públicos. É preciso que a gestão seja mais eficiente. É preciso evitar o desperdício de recursos financeiros. É preciso fazer com que os recursos possam render mais. É necessário que possamos fazer todo o esforço para que esse esforço se transforme em mais recursos, mas é necessário que o gestor esteja também aprimorando e aperfeiçoando o monitoramento e a avaliação. O gestor que não avalia, não monitora os serviços públicos, não tem como saber o que pode economizar, reduzir de gastos. Como pode ter um melhor desempenho nos serviços públicos, inclusive sair do  gabinete para ver, por exemplo, como funciona a saúde pública? Eu tenho visitado as unidades de saúde, conversando com servidores e com as comunidades, e é uma reclamação geral sobre a atual gestão. As comunidades reclamam da ausência da qualidade dos serviços públicos. Os servidores a reclamação pela falta de diálogo do gestor. Vamos mudar essa dinâmica e também fazer a modernização da arrecadação. Hoje nós temos 50% de inadimplência do  IPTU, porque a população não vê os serviços acontecendo no seu próprio bairro. Além disso é preciso a modernização do setor tributário para que possamos ter uma arrecadação maior sem precisar aumentar os impostos.

Mas, hoje tem um limite muito estreito por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o município já está no limite prudencial, que impõe uma série de restrições até para aumento salarial, já planejou como poderia superar essas restrições?
Estamos fazendo esse planejamento e conversando com todos os setores da prefeitura. Como disse antes, é preciso modernizar o setor tributário e corrigir essa inadimplência do IPTU. Na hora em que o prefeito vai às ruas, procura dialogar com a comunidade e fazer um planejamento a curto, médio e longo prazos dos serviços. Na hora em que as pessoas começarem a ver que os serviços estão melhorando e estão sendo de qualidade, também vão fazer a sua parte, fazendo por reduzir a adimplência em relação ao IPTU. Como é necessário fazer um trabalho em relação à dívida ativa do município. Tudo isso a gente está fazendo, dialogando com setores da Prefeitura para fazer crescer  a arrecadação e tirar o município desse limite prudencial, que impede, inclusive, não só a valorização do servidor, como  também novos investimentos.

Como é que a senhora pretende enfrentar as questões de trânsito e de mobilidade?

Em primeiro lugar, temos que ter o espírito de liderança. Como prefeita de Natal, vou enfrentar todos os problemas, que estão sendo deixado de lado pela atual gestão. Nós temos a licitação do transporte público que está atrasada. É necessário que o gestor tenha esse espírito de liderança, de enfrentamento do problema e, para isso, temos de pactuar com todos os setores os interessados, os empresários de ônibus, Ministério Público, Poder Legislativo, os técnicos e especialistas da Prefeitura de Natal e, mais importante, a representação dos usuários de transportes coletivos, destravando essa licitação para ofertar um transporte público de qualidade, com preço justo. Claro, que o problema não se resume só a essa situação da licitação pública, que vai permitir qualidade e preço justo. Nós precisamos integrar os modais, a partir do momento em que vamos procurar a CBTU e fazer a ampliação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), inclusive propondo  a implantação de uma nova linha que possa ir pela avenida Bernardo Vieira, chegando até à avenida Salgado Filho, nas proximidades do Midway Mall. É importante demais a ampliação de novas linhas do VLT. Está no nosso plano de governo procurar todos os parceiros, como governos estadual e federal. E não vamos fazer como a gestão atual, que não dialoga com o governo do Estado e nem também procura os órgãos do governo federal. Além disso, vamos procurar implantar  ciclovias, criando bicicletários nas estações do próprio VLT para que a gente possa dar conforto e mobilidade ao cidadão, porque na hora em que a gente tem problemas no fluxo do trânsito de modo geral, estamos contribuindo para a má qualidade de vida do cidadão natalense.

Em todo levantamento que se faz, geralmente a saúde está entre os itens que a população coloca como maior preocupação. Como a senhora pensa em enfrentar essa questão?

Priorizar a atenção básica, porque não adianta implantar e inaugurar hospital. A atual gestão diz que inaugurou uma maternidade, mas ao mesmo tempo fechou a maternidade nas Quintas, que tinha referência em toda a Zona Oeste, uma região populosa e pobre de Natal, que precisa de assistência básica de saúde e usa o SUS. Tinha inclusive recebido um prêmio do Unicef pelo parto humanizado. Abriu o hospital municipal, em prédio alugado, com investimento alto. Mas fechou o Hospital dos Pescadores, nas Rocas. Vamos priorizar a atenção básica, que é uma responsabilidade da Prefeitura de Natal, fazendo com que os postos funcionem. Eu visito  quase todos os dias os postos e é uma reclamação geral. As pessoas chegam à meia-noite, uma hora da madrugada, três da madrugada para tentar marcar uma ficha, uma consulta ou exame. Muitas vezes só é marcado com um mês, dois ou três meses para frente, quando consegue. Essa realidade precisa mudar. E, além da valorização dos servidores e da qualidade do atendimento nos postos de saúde, que precisamos oferecer à população, é necessário investirmos na cultura de prevenção. Isso significa que vamos implantar um médico pediatra em cada equipe do Programa Saúde da Família (PSF). Isso a Prefeitura pode fazer, é um programa federal. Mas podemos fazer, investindo na cultura de prevenção. Vai se desafogar os hospitais, porque tratando as crianças quando ela começa com um resfriado ou uma gripe, não evolui para uma pneumonia, a criança não vai necessitar de um leito de hospital e consequentemente de um leito de UTI, que tem um deficit grande em Natal e no Estado todo. É isso que vamos fazer na saúde, inicialmente, e temos outros projetos que vamos apresentar ao longo da campanha.
Márcia afirma que a saúde preventiva pode ajudar a reduzir superlotação e defende escolas de tempo integral
O que a senhora vai fazer para melhorar a qualidade de ensino na rede municipal de educação?

Essa é uma de nossas prioridades, investindo principalmente na educação infantil, que também é uma responsabilidade da prefeitura, para reduzir um déficit de vagas nessa área. Há justamente a ausência de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil, que a população conhece como creches. Também sou autora de uma PEC na Assembleia Legislativa que obriga o Estado, progressivamente, a implantar a escola de tempo integral, e já se escolheu inclusive as escolas que vão ter prioridade. Vamos apresentar projeto semelhante na prefeitura, através da escola de tempo integral no modelo escola-parque, inspirada em Anísio Teixeira, em que uma escola de determinada região, com outras no seu entorno, que vai oferecer educação complementar com atividades culturais, de arte, esportes e lazer, no contraturno. Os alunos ficarão nessas escolas-parques, onde possam estar fazendo aquilo que eles gostam de forma prazerosa e, assim, estaremos contribuindo para reduzir os índices de violência em Natal, que é muito grande.

Há sempre uma discussão sobre o papel da Guarda Municipal, que alguns colocam que se limita à defesa do patrimônio e outros acham que pode ter uma atuação mais ampla. Qual a percepção da senhora com relação a esse ponto?

Acho que a Guarda Municipal é extremamente importante não apenas na proteção do patrimônio público, como também na proteção do cidadão. No nosso programa de governo, queremos fazer, a exemplo de outras cidades, a operação delegada, que significa um acordo entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar, porque hoje temos a Guarda fazendo um trabalho separado da Polícia. Nós temos câmaras de vídeo de monitoramento, adquiridas na época da Copa do Mundo de 2014 pela Prefeitura, que não estão, ainda, interligadas com o Ciosp, ou seja, não serve de nada. Isso é um problema muito grave que a Prefeitura não enfrentou. Além disso a Guarda Municipal está desmotivada. Nós temos 464 homens e mulheres na Guarda Municipal. O efetivo é deficitário. Há dez anos não se faz concurso público e não há nenhum apoio da Prefeitura para a Guarda Municipal. Estivemos essa semana visitando a sede no Santarém, na Zona Norte. E o que vimos lá? Não recebem fardamentos há quatro anos. Não tem armamentos suficientes. A frota é pequena, de apenas dez veículos e no fim de semana passado, só tinha dois veículos fazendo a ronda em Natal, porque não havia combustível nos outros veículos. Além da valorização que não existe. Falta o plano de cargos de carreira e salários, que não foi implantado, porque a prefeitura não dialoga com a Guarda Municipal e a situação é cada vez mais precária, prejudicando a população. Vamos valorizar a Guarda Municipal e fazer a parceria com a PM, porque enfrentaremos esse problema da violência, que é da cidade e não apenas do governo do Estado. É um problema de quem mora na cidade e o gestor tem de se preocupar com todos os problemas que acontecem na sua cidade. E vamos além, investir em uma política de prevenção, porque também é importante investir em prevenção para reduzir a violência,  porque Natal é uma das capitais com maior índice de violência em termos proporcionais e é preciso investir na prevenção a partir da ocupação dos espaços públicos, com o projeto “Vem pra praça”, no qual vamos fazer com que as praças sejam ocupadas pelos natalenses. Queremos devolver à cidade aos natalenses. As praças  serão arborizadas, com limpeza pública, internet, espaços para skate, patins. Enfim, vamos fazer com que as pessoas ocupem as praças com segurança, óbvio, porque sem segurança ninguém vai conseguir ocupar os espaços públicos.

A senhora tem feito um discurso crítico com relação à administração municipal, depois de ter passado um longo período na base de apoio, quando era do PSB. O eleitor vai assimilar esse discurso mais crítico agora nesse período eleitoral?

Nós não participávamos da administração municipal. Isso eu quero deixar bem claro. O que aconteceu e obviamente nós estamos conversando... Até agora nos nossos contatos com o cidadão, ninguém questionou em relação à Prefeitura. A insatisfação é tão grande com a administração municipal que não houve esse questionamento. E mesmo que haja, não tem problema, a gente explica com muita naturalidade. A nossa candidata à prefeita de Natal em 2012 era Wilma de Faria. Ela deixou de ser pré-candidata para apoiar o atual prefeito, que chamou Wilma, pediu para ela deixar de ser candidata e apoiá-lo como vice-prefeita dele. E ela fez um gesto de desprendimento e de humildade em favor da cidade, que estava passando por um momento difícil, naquela época, e o futuro gestor dizia que iria resgatar Natal com a participação e colaboração de Wilma, que tinha sido gestora em três administrações, com uma grande experiência. Quando assumiu ele esqueceu do que tinha dito à Wilma, isolou Wilma de todo o processo administrativo. Ela não teve a oportunidade de colaborar, de contribuir, de oferecer sugestões para melhorar a qualidade dos serviços públicos em Natal, sequer foi chamada para reunião de secretários. Muitas vezes sabia em cima da hora das reuniões, ou seja, não houve participação. Assim que ele tomou posse como gestor da cidade, esqueceu completamente o diálogo e essa tem sido a sua gestão, pautada pela falta de diálogo.

Candidato
Márcia Maia
Partido: PSDB
Nascimento: 14/02/1965
Atual ocupação: Deputada estadual.