“Os empresários têm muito a dizer”, defende Marcelo Alecrim

Publicação: 2018-02-04 00:00:00 | Comentários: 0
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O empresário Marcelo Alecrim não assume o projeto de disputar um cargo eletivo este ano – por enquanto – mas, já admite que vem analisando planos e propostas políticas. Um dos nomes que, em círculos onde as conversas giram em torno da sucessão estadual, o nome dele é sempre um dos lembrados. Alecrim (sócio do grupo Ale) considera essa lembrança normal, assim como o atual e crescente interesse dos empresários em apresentar projetos políticos e participar diretamente da gestão pública. Defensor de uma política liberal, ele considera que “o Brasil precisa de um Estado menos denso, mais eficiente e adequado para cumprir as funções do Estado nas áreas da saúde, educação, segurança pública etc,” como expresso no manifesto “Brasil 200”, lançado recentemente por outro líder empresarial potiguar, Flávio Rocha. Alecrim acredita que os princípios expostos no documento servem, também, para orientar um novo governo que tire o RN da crise. Confira, abaixo, a entrevista em que ele fala sobre economia, varejo dos combustíveis e política.

Empresário do setor de combustíveis Marcelo Alecrim
Empresário do setor de combustíveis Marcelo Alecrim

A Petrobras adotou, no segundo semestre do ano passado, uma nova política de precificação de combustíveis com base em cotações de petróleo no mercado internacional. Como o senhor avalia essa política e os reflexos dela na venda ao consumidor final?
 A nova política da Petrobras deixa toda a cadeia exposta às flutuações do mercado internacional assim como acontece em outros países, trazendo um amadurecimento para o setor. Passamos a vivenciar momentos de alta do combustível e de baixa também. Os reflexos dessa variação são sentidos por todos da cadeia, desde o produtor, passando pelo distribuidor, pelo revendedor e chegando até o consumidor.

Pela 13ª semana consecutiva, a gasolina aumentou nas refinarias. Como o senhor adequou sua distribuidora a essa variação quase que diária de valores? O senhor precisou reduzir o volume comprado? Tem registrado prejuízos?
 A ALE, como elo da cadeia, tem a política de repassar em seus custos os efeitos das flutuações. Não há impacto no  volume de compra da ALE já que as flutuações afetam todo o mercado.

Do seu ponto de vista, essa modalidade precisa ser revista, assim como foi no caso do GLP? Por quais motivos?
Acreditamos que haverá uma evolução natural com o amadurecimento do mercado de combustíveis no Brasil.

O Cade negou a venda da rede de postos da Ale à Ipiranga no ano passado. Como está esse processo atualmente? A intenção de venda continua? Quando deverá ser concluída e quanto deverá custar?
Com a negativa da operação pelo CADE,  divulgamos para o mercado que o objetivo da ALE seria colocar o pé no acelerador e, novamente, trilhar o caminho do crescimento. Estamos focados em nosso plano de crescimento e em poucos meses registramos conquistas importantes. Crescemos nossas vendas em mais de 40%, acabamos de bater um recorde de vendas no último mês, ampliamos nosso escritório em São Paulo, trouxemos importantes talentos para a empresa. Apesar das adversidades na economia, na política e das práticas regulamentadoras de nosso mercado, estamos firmes, crescendo rápido e preparados para tudo. O respeito e a credibilidade que imaginávamos ter da parte do mercado, parceiros, revendedores, fornecedores e stakeholders foi confirmado na prática de forma positiva e intensa. Nada nos orgulha mais que isso. Só posso afirmar que seguimos motivados a acelerar a expansão de nossos negócios, sem deixar de priorizar o bom relacionamento com nossos parceiros e clientes, prática reconhecida da empresa em seus 21 anos de atividades.

Alguns empresários, a partir da eleição de Dória em São Paulo, estão assumindo e/ou defendo o protagonismo da cena eleitoral, sob o argumento de que é preciso mais gestão e menos política. Como o senhor analisa esse movimento?
 A cada eleição, vemos crescer o interesse do empresariado pela política. Na verdade, os empresários tomam consciência de sua responsabilidade no cenário político-institucional. Trata-se de um esforço para melhorar a qualificação do conjunto de representantes e dos nossos governantes. Já se foram os tempos em que o empresário se escondia em seus abrigos. Hoje, a política exige que todos os segmentos sociais dela participem. Inclusive, o empresariado. O Brasil se torna cada vez mais consciente do dever de ter seus cidadãos presentes no espaço da política. Os empresários têm muito a dizer e a ensinar, principalmente no campo da gestão.

O presidente do grupo Guararapes lançou, recentemente, um manifesto político. O senhor leu e subscreve as propostas do "Brasil 200"?
 Trata-se de uma convocação ao bom senso. Naquele documento, estão princípios e valores do liberalismo. Concordo em gênero e grau com o conjunto de diretrizes ali expressas. O Brasil precisa de um Estado menos denso, mais eficiente e adequado para cumprir as funções do Estado nas áreas da saúde, educação, segurança pública etc. E deixar com a iniciativa privada as tarefas que ela sabe desempenhar com muito mais  eficiência do que o Estado.

O manifesto de Flávio Rocha prega o que os empresários esperam de um novo presidente e o que eles acham que o Brasil precisa. Mas, o que o RN deve esperar do novo governador, a ser eleito este ano, e o que o Estado precisa para sair da atual crise?
De todos os governantes, de todos os Estados, o povo quer ver resultados. O que se espera é ver os impostos que pagamos com o nosso trabalho sendo revertidos em benefícios e oportunidades para nossa gente e o RN prosperarem juntos. Queremos ver os exemplos de empreendedorismo que vemos por todo lado em nosso RN sendo aplicado também pelo Governo.

O senhor tem pretensões e/ou acataria um convite para ser candidato este ano? A que cargo?
Sou um potiguar que quer ajudar o RN a crescer. Trabalhei toda a minha vida e pretendo continuar trabalhando para ver nosso Estado prosperar cada vez mais. Junto com um time de pessoas talentosas, criamos a maior empresa do RN. Em pouco tempo, conseguimos ultrapassar os limites do Nordeste e hoje somos uma empresa nacional com 44 filiais pelo país e faturamento de 12 bilhões que faz questão de manter a sede da ALE aqui no RN. É isso que sei e gosto de fazer: inspirar as pessoas a empreenderem também.  Pretendo ainda acompanhar e apoiar todas as boas ideias e projetos para o RN.  O momento é de conversa e ideias em primeiro lugar. Nomes, só depois.


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