A paixão começa no clique

Publicação: 2017-06-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

Um toque na tela, um clique curioso, e um novo relacionamento surge via internet. Porém, se vai durar mais que um encontro, nem a mais alta tecnologia pode determinar - ainda. A vida amorosa e social online é um  jogo de erros, acertos e regras que as pessoas deste começo de século ainda estão aprendendo a lidar. A cada rede social ou aplicativo para smartphone que surge, novas possibilidades se apresentam. As experiências variam conforme desejos, expectativas e necessidades do usuário.

                                                                                                                                       Adriano Abreu
A cada rede social ou aplicativo para smartphone que surge, novas possibilidades de conhecer alguém se apresentam
A cada rede social ou aplicativo para smartphone que surge, novas possibilidades de conhecer alguém se apresentam

A natalense Rafaella Drumond e o argentino Franco Farías devem boa parte de seus sete anos de relacionamento à internet. Do MSN Messenger até o popular Whatsapp, o casal superou a barreira da distância entre muitos cliques. “A gente começou quando a tecnologia não era tão avançada como hoje. Agora estamos próximos, mas ainda não abrimos mão da comunicação com aplicativos no dia a dia”, afirma a estudante de relações internacionais. Franco, que é educador físico, está temporariamente em Natal.

Tudo começou, é claro, na internet. Em 2010, após chegar de uma viagem internacional, Rafaella passou a usar o site de bate-papo Omegle para conhecer pessoas ao redor do mundo. “Eu e as amigas usávamos mais por brincadeira. Até que numa dessas conheci o Franco. Adicionei no MSN. No começo eu tinha um certo medo, até criei uma conta diferente só pra conversar. Mas ele era um cara legal e nasceu uma amizade forte”, conta. Um ano e meio depois, surgiu a oportunidade de Franco vir ao Brasil para conhecer a amiga pessoalmente.
A natalense Rafaella Drumond e o argentino Franco Farías devem boa parte de seus sete anos de relacionamento à internet
A natalense Rafaella Drumond e o argentino Franco Farías devem boa parte de seus sete anos de relacionamento à internet

Em dezembro de 2011 Franco veio a Natal e os amigos se tornaram namorados. “Quando ele foi embora, assumimos o relacionamento à distância. Felizmente o MSN passou a ser substituído pelo Skype, que tinha mais recursos e permitiu que a gente se comunicasse melhor. A rotina era chegar em casa, ligar o computador e abrir o Skype. Os celulares ainda não eram avançados como hoje”, diz.

Em 2013 Rafaella foi para a Argentina estudar biotecnologia na cidade de Santa Fé, a mesma de Franco. Um ano depois ela desistiu da faculdade e voltou para o Brasil – mas o relacionamento se manteve. A ponte aérea continuou para Franco, que no momento está em Natal desde janeiro. “Estamos esperando minha formatura. A partir daí vamos decidir onde morar e recomeçar a vida juntos de vez”, afirma.

Agora que estão juntos na mesma cidade, Rafaella e Franco usam os aplicativos e redes sociais para contatos cotidianos, durante os intervalos de suas respectivas obrigações. “A gente se fala pelo Whatsapp entre os intervalos do almoço, antes de dormir, e nos intervalos do dia em geral. Os aplicativos suprem essas lacunas”, conta, ressaltando que sair do virtual para o real ainda é a melhor parte das relações online.

Relações online para todas as idades
Os aplicativos e as redes sociais  juntam, mas também separam. Os efeitos colaterais da superexposição e da variedade de opções online é algo que ainda exige jogo de cintura dos usuários. O especialista em marketing digital Glebe Duarte afirma que a tecnologia em si não tem culpa dos encontros ou desencontros entre as pessoas. Tudo depende de como elas próprias usam essas tecnologias.

“Os casais também levam sua personalidade para as redes sociais. Se você sabe que a outra pessoa tem um padrão de comportamento, então respeite isso nas redes, caso contrário, vai gerar um desconforto”, diz. Glebe acha alguns procedimentos indevidos, como o casal que faz um perfil único em redes como Facebook e Twitter. “É muito fácil dar problema, pois o casal não é uma pessoa só, por mais que se ame. Em alguma hora vai ter atrito. A insegurança que um dos dois possui vai para as redes”, analisa.

A relação virtual depende em tudo da harmonia entre o casal no mundo real. “Se o casal passa mais tempo usando o celular pra se comunicar com outras pessoas do que olhando um pro outro, pode ser um indicativo de que a outra pessoa talvez não seja mais tão interessante pra você”, diz Glebe. Até alterar o status de relacionamento no Face é uma decisão que depende de cada um.

O uso cotidiano das ferramentas tecnológicas exige cada vez mais bom senso. “Muita gente não entende o quanto está exposta com a internet. Daí surgem vários problemas, como os vazamentos de fotos e vídeos íntimos na internet. Geralmente, quando um casal acaba mal o relacionamento e um deles decide se 'vingar'. É um ato desonesto, mas acontece muito, infelizmente”, afirma. “É o que eu digo nos meus cursos: a única forma de manter seu material online pessoal, é não fazê-lo. Não grave áudio, mande nude, ou vídeo”, diz. Conhecer suas relações na vida real também pode evitar possíveis dissabores.

O psicólogo clínico e psicanalista José Araújo afirma que as redes sociais e aplicativos  facilitaram a vida dos mais tímidos, mas criaram outros problemas. “Na internet é exibida uma pessoa imaginária. Existe o real e o ideal. Quando a relação sai do computador, é a pessoa real que você encontra, e ela pode não ter nada a ver com aquela das redes”, diz. Araújo ressalta que para a relação funcionar, é fundamental conhecer bem o outro. “É um tipo de convivência baseada no olhar, na visão da personalidade, e nas redes isso pode não acontecer”, completa.

O psicólogo afirma que todo tipo de envolvimento amoroso está sujeito a riscos, sendo ele dinâmico por natureza – até mesmo através de um aplicativo. “Em geral, as pessoas que usam aplicativos de encontros passaram por algum tipo de frustração amorosa. A rotatividade de parceiros é alta, gerando sedutores rejeitados e seduzidos rejeitadores. A carência afetiva é grande, e surgem presas fáceis. É preciso estar atento”, explica. Araújo é mais entusiasta do encontro real. “Ainda sou a favor do olho no olho, de sentir a pessoa como um todo. Só assim para pesar o bom e o ruim da convivência”. 

Em busca de parceiros
Tinder, WeChat, Grindr, Down, Scruff, Anomo, Anonyfish, Twoo, Brenda, Dattch, entre outros, são apenas alguns dos muitos aplicativos que conectam pessoas com interesses em comum, seja um relacionamento sério, sexo, ou uma amizade sincera. Os perfis são os mais variados possíveis, e o mercado tecnológico ainda está explorando todas as possibilidades.

Um exemplo curioso foi criado pelo jornalista gaúcho Airton Gontow: um site para encontros de pessoas maduras, que de tanto sucesso será lançado em junho como um aplicativo. “A idade torna as pessoas mais seletivas. O site é procurado basicamente por homens e mulheres que não têm tempo a perder em encontros sem sentido”, afirma, sobre o 'Coroa Metade', que já conta a marca de 223 mil cadastros – e 47 casamentos realizados. Gontow projeto um crescimento de 200% para o ano de 2017. Cadastre-se para não ficar só.

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