A parte do Leão

Publicação: 2017-04-21 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Lydia Medeiros

As autuações da Receita Federal sobre a Lava-Jato já somaram R$ 10,7 bilhões desde 2014, quando a operação foi deflagrada. O valor é equivalente ao rombo do Rioprevidência, o fundo de aposentadorias e pensões dos servidores do Rio de Janeiro. A cobrança dos tributos devidos por empreiteiras, operadoras e operadores de câmbio, políticos e ex-executivos está só começando, e deve durar anos. De acordo com advogados tributaristas, esse valor poderá ser bem maior ainda. Segundo relatório de planejamento da Receita para este ano, a apuração vai se intensificar em outros setores envolvidos no escândalo, como energia, transporte e saneamento básico.

A mordida de São Paulo

Os estados querem mais um naco do dinheiro que entrou no país com a Lei da Repatriação. O fisco paulista anunciou que pretende recolher Imposto sobre Transmissão "causa mortis" sobre esses recursos. A lei, no entanto, prevê que as informações daqueles que decidiram trazer o dinheiro para o Brasil não seriam compartilhadas. São Paulo, na prática, quer que o contribuinte se entregue.

Lidando com a perda

Com medo de serem derrotados na reforma trabalhista, e ficar sem a farta arrecadação da contribuição sindical obrigatória, deputados ligados a centrais sindicais, liderados por Paulinho da Força (SD), articulam um meio de amenizar o possível rombo nas contas das entidades sem ao dinheiro do imposto. A ideia é criar uma regra de transição para suavizar as perdas. O grupo percebeu que há um clima desfavorável às centrais na Câmara. Nos estados, os sindicatos pressionam os parlamentares contra a reforma da Previdência, divulgando fotos daqueles que apoiam as mudanças com o carimbo de "traidor".

Democracia digital

Acaba de sair um aplicativo para facilitar a subscrição de projetos de iniciativa popular. É o "Mudamos". Criado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade, a ferramenta permite, além da assinatura de propostas, acompanhar e discutir os assuntos na plataforma digital.

Revisão tardia

Ministros do Supremo estão horrorizados com os crimes relatados nos vídeos dos delatores da Odebrecht. E já lamentam a duração das penas impostas aos envolvidos previstas nos acordos fechados com o Ministério Público. Alguns estão quebrando a cabeça em busca de brechas para alterar o acerto. Marcelo Odebrecht, por exemplo, condenado há dez anos, ficará dois anos e meio em regime fechado.

Cobertor curto
Aliados do presidente Michel Temer dizem que o governo está numa encruzilhada para saciar o apetite de parlamentares em meio à discussão da reforma da Previdência. Para distribuir cargos e garantir votos favoráveis à proposta, será preciso exonerar aqueles indicados por outros deputados. Ou seja, é ganhar numa ponta e perder na outra.

Cantinho do Moreno

Renan Calheiros já sabe que será um dos primeiros políticos a serem denunciados por Rodrigo Janot, no mais tardar até agosto deste ano, já que o procurador deixa o cargo em setembro. Por isso, o futuro réu resolveu morrer, politicamente, como um autêntico bode nordestino: berrando. Só que suas posições estão prejudicando o governo e comprometendo ainda mais a imagem do PMDB, partido que lidera no Senado. Daí o surgimento de um movimento, tímido ainda, para destituí-lo do cargo.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários