A perda das empresas aéreas

Publicação: 2020-04-03 00:00:00
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Segundo a mais recente análise publicada pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA - International Air Transport Association), as companhias aéreas podem gastar US$ 61 bilhões de suas reservas de caixa durante o segundo trimestre que se encerra em 30 de junho de 2020 e devem registrar perda líquida trimestral de US$ 39 bilhões.

Esta análise é baseada na avaliação de impacto elaborada pela IATA e divulgada na semana passada, em um cenário com rigorosas restrições de viagens impostas por um período de três meses. Neste cenário, a demanda do ano inteiro deve cair 38%, com redução de US$ 252 bilhões nas receitas de passageiros em 2020 em relação a 2019. A redução da demanda no segundo trimestre chega a 71%.

Fatores determinantes
As receitas devem ter queda de 68%, abaixo da queda esperada de 71% na demanda devido à continuidade das operações de carga, mesmo com níveis reduzidos de atividade.

Os custos variáveis devem ter queda acentuada, de aproximadamente 70% no segundo trimestre, alinhada à redução esperada de 65% na capacidade do segundo trimestre. O preço do combustível de aviação também caiu consideravelmente, mas calculamos que a cobertura de combustível vai limitar o benefício a um declínio de 31%.

Os custos fixos e semifixos representam quase metade dos custos de uma companhia aérea. Os custos semifixos (incluindo os custos com a tripulação) podem ter redução de um terço. As companhias aéreas estão cortando o que podem, enquanto tentam manter sua força de trabalho e os negócios para a recuperação futura.

Reembolsos aumentam o prejuízo
Além dos custos inevitáveis, as companhias aéreas enfrentam a questão de reembolsos de passagens vendidas mas não utilizadas, devido ao grande número de cancelamentos por causa das restrições de viagens impostas pelos governos. O valor colossal do passivo do segundo trimestre é de US$ 35 bilhões. As reservas de caixa serão usadas com muita rapidez. Segundo a nossa estimativa, as companhias aéreas podem usar US$ 61 bilhões de caixa no segundo trimestre.

"As companhias aéreas não podem cortar custos com rapidez suficiente para superar o impacto desta crise. Esperamos um prejuízo líquido devastador de US$ 39 bilhões no segundo trimestre. O impacto disso nas reservas de caixa será ainda maior com o passivo de US$ 35 bilhões referente a possíveis reembolsos de passagens. Sem ajuda, as reservas de caixa do setor podem ter queda de US$ 61 bilhões no segundo trimestre", informa Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA.

Brasil apóia a aviação nesta crise
Vários governos estão respondendo de forma positiva à necessidade de medidas de ajuda ao setor. Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Cingapura, Austrália, China, Nova Zelândia e Noruega são alguns dos países com pacotes específicos de ajuda financeira ou regulatória para o setor. Mais recentemente, Canadá e Holanda afrouxaram os regulamentos para permitir que as companhias aéreas ofereçam vouchers aos passageiros no lugar de reembolsos.

"As viagens e o turismo estão paralisados, em uma situação extraordinária e sem precedentes. As companhias aéreas precisam de capital de giro para manter seus negócios com extrema volatilidade. Os vouchers no lugar de reembolsos em dinheiro garantem um novo fôlego para que o setor continue operando e ajudará a manter a capacidade do setor de entrega de cargas fundamentais na situação atual e a conectividade no longo prazo que será importante a viajantes e economias na fase de recuperação", comenta Alexandre de Juniac.

Otimismo para o segundo semestre
Fronteiras fechadas, voos cancelados, hotéis e atrações turísticas parados. Segundo a Abav Nacional, a taxa de cancelamento de viagens, em março, chegou a 85%. Mas, enquanto empresas e profissionais contornam as consequências, o setor segue de olho no futuro - mais especificamente, no segundo semestre de 2020.

Segundo a agente de viagens e supervisora do curso de Turismo do Centro Europeu, Raquel Pasini, o setor deve voltar aquecido, principalmente porque houve uma mobilização do mercado pelo adiamento das viagens. 

"Dois fatores devem marcar essa volta: os destinos nacionais e as promoções. Já há companhias aéreas com tarifas interessantes para o segundo semestre. Provavelmente esse retorno vai ser lento, porque existem todas as variáveis para a pessoa investir em uma viagem. Então deverão direcionar as viagens para o Brasil", prevê Raquel Pasini.

Fórum da Internet no Brasil será em Natal
O Comitê Gestor da Internet no Brasil confirma o 10º Fórum da Internet no Brasil para o período de 22 a 25 de setembro, em Natal. Principal espaço de debates no país sobre temas relacionados à governança da Internet, o evento tem caráter itinerante e formato multissetorial. A programação será composta através de processo colaborativo. 

Os workshops serão estruturados com mesa redonda, painel ou debate, sempre com representantes dos setores empresarial, governamental, comunidade científica e tecnológica, além do terceiro setor. Uma Comissão de Avaliação Multissetorial, integrada por especialistas dos quatro setores, será responsável pela aprovação das propostas.