A poesia musicada de Wescley Gama

Publicação: 2020-03-14 00:00:00
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“Lançar um disco de poesia musicada é uma espécie de resistência. A poesia no seu próprio modus-operandi tem uma forma muito peculiar de ação. Como dizia Ferreira Gullar ela chega como quem não quer... Mas “beija nos olhos os que ganham mal, Embala no colo/ Os que têm sede de felicidade E de justiça. E promete incendiar o país.". As palavras do compositor Wescley Gama anunciam um tanto do disco “Cantigas de Aldeia”, disponível a partir de hoje em todas as plataformas digitais. O pocket show que estava previsto na Livraria Manimbu, hoje, às 10h, dentro da programação “Alvorada Poética”, foi adiado, possivelmente para o dia 21 de março, devido a pandemia do Coronavírus.

Créditos: Reprodução“Cantigas de Aldeia” reúne poemas musicados e parcerias“Cantigas de Aldeia” reúne poemas musicados e parcerias


Com oito faixas, o disco é o  quarto trabalho do artista de Serra de Santana, radicado em Currais Novos e traz como essência a poesia. “São poemas musicados de Iracema Macedo que é “Canção de Amor para uma Moça Judia”, com a participação da cantora Paula Érika, a música “Néctar”, de Marize Castro, “Diadorim”, da Adélia Danielle. Além da poesia, tem  parceria com Alberto Homem na canção que é um “Folk Seridó”, chamada “Cemitério de Flores” e a outra parceria com Júlio César que é a canção “Liberto”,uma canção Hinduísta cristã sobre nossas crenças e esperanças”, conta.

Além das canções citadas, está “Cantiga de Aldeia”, presente no livro “A Força das Folhas que estiverem vivas”, recentemente lançado por Wescley. E uma curiosidade que é “Libre y Feliz”, inspirada no havaiano Israel kamakawiwo. “A letra foi enviada por uma amiga de Mossoró do movimento espírita, e ela me mandou a letra e disse que é atribuída a ele, como uma psicografia. E coloquei como livremente inspirada na obra dele, atribuída ao espírito dele”.

Entre a poesia e a música, Wescley aposta na esperança para os dias. Como a letra que diz: “Cantigas de Aldeia, cantos de partir/ a esperança dança/ a esperança dançará valsa antiga no compasso vivo do amanhecer”.

Para wesccley, a arte é aquele momento de salvação. “Ela nos serve como uma forma de contemplação e transfiguração das coisas, e também como uma válvula de escape, e  uma ferramenta de denúncia dos erros humanos. Costumo contemplar a história da humanidade de uma forma mais ampla. Notando que ao longo dos séculos nós viemos da barbárie à tentativa de implantação de um acesso universal aos direitos humanos básicos, que nos protejam da tortura, da fome, dos efeitos das guerras civis e da guerra urbana, isso está em constante construção e defesa”, reflete.

Independência e mídia de streaming
Para além do existencialismo e da poesia, Wescley acredita que estamos vivendo uma época muito confusa, porém produtiva e transformadora em relação à música. “A gente vive uma época onde o CD se acabou e o vinil está voltando, em uma determinada proporção. As mídias de streaming proporcionam um acesso universal às músicas, coisa que hoje eu não fica presa apenas à TV ou rádio. há muitos nichos diferentes e várias tribos de várias vives se formam, independente da indústria de massa”, disse.

Para ele, a música independente ganha com esse acesso virtual por que ajuda a reunir pessoas que tenham os mesmos interesses estando em espaços físicos diferentes. Wescley aposta, além da música, em um vasto material audiovisual, na produção de vídeoclipes de suas canções, como “Sonho de Quem não quer mais nada”, “Amanhecerá”, “Canção de Amor para uma Moça Judia”, com participação da própria Iracema Macedo, entre tantos outros. O disco sairá pelo selo Frika Records e estará disponível nas plataformas digitais como  Itunes, google play,além do Spotify e do  Deezer.








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