‘Politicamente correto” é alvo de críticas e humor dos blocos

Publicação: 2018-02-11 00:00:00 | Comentários: 0
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O bloco de embalo Cacique de Ramos esquenta os tamborins para sair a partir deste domingo (11) no carnaval carioca, pela 57ª vez. Fundado no dia 20 de janeiro de 1961, no aniversário do Rio de Janeiro, no bairro de Ramos, zona norte da capital, o Cacique é um dos principais blocos da cidade. Entre seus componentes estão os integrantes do grupo de samba Fundo de Quintal, que se originou do próprio bloco, e o cantor Zeca Pagodinho.

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Este ano, o bloco, que reúne mais de 6 mil componentes a cada ano, enfrenta polêmica divulgada nas redes sociais, que alega que a fantasia de índio é racismo. O diretor do Cacique de Ramos, Ronaldo Felipe, vê a fantasia como uma homenagem aos índios, não só brasileiros, mas norte-americanos. “Não há desrespeito, nem intenção de gerar ofensa”, disse neste sábado (10) à Agência Brasil. Ele lembrou que vários índios, inclusive, frequentam a quadra do bloco. “Essa polêmica não tem sentido nenhum”.

A opinião é compartilhada por Afonso Apurinã, presidente da Associação Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas Aldeia Maracanã. Ele não vê nenhuma ofensa e nem tem nada contra as pessoas se fantasiarem de índio. “Acho que o bloco de embalo exalta e mostra a cultura indígena. Desde que exalte a cultura e faça um desfile voltado para a cultura e falando da cultura indígena, sem desrespeito, acho que não tem nada a ver essa polêmica”.  O Cacique de Ramos “está divulgando a nossa nação, o nosso povo, nossa cultura”, disse Apurinã.

O professor de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mércio Gomes, não vê nenhum desrespeito em relação aos índios no carnaval. “Há uma homenagem a eles, como há homenagem ao pirata, ao árabe e a outras figuras interessantes”, disse Gomes. “A maioria das brincadeiras que eu vejo no carnaval é uma homenagem a uma figura quase simbólica do Brasil”. Ele reconheceu, contudo, a existência de um grupo forte de indígenas que segue a orientação de que fantasiar-se de índio significa chacota, piada. Outro segmento releva a brincadeira ou vê aspecto positivo nela, uma homenagem ao povo indígena como um todo, comentou.

Intolerância
Na sexta-feira (09), as ruas de Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro, foram tomadas por foliões que acompanharam o tradicional Bloco das Carmelitas,ao som do samba Depachito, composição que trouxe o tema da intolerância religiosa. Com versos como “Ó, Tupã, combatei a intolerância” e “Deus é amor, Alá é igualdade”, a canção cita diversos credos e encerra de forma bem-humorada: “É melhor vender cerveja que vender lugar no céu”. Também há menções a judeus e ateus, à Igreja Universal e às palavras axé e namastê, que fazem referência respectivamente ao candomblé e ao hinduísmo.

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