‘Populistas querem trazer a recessão de volta ao país’

Publicação: 2018-06-03 00:00:00
A+ A-
Pré-candidato do MDB a presidente da República, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles defende com ênfase as reformas que, segundo ele, podem dar um ritmo mais acentuado à retomada da economia brasileira.

Créditos: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilPré-candidato, Henrique Meirelles defende as reformas e critica candidaturas que adotam o populismo que pode implicar em retrocessosPré-candidato, Henrique Meirelles defende as reformas e critica candidaturas que adotam o populismo que pode implicar em retrocessos
Pré-candidato, Henrique Meirelles defende as reformas e critica candidaturas que adotam o populismo que pode implicar em retrocessos


“Se elas tivessem sido aprovadas, a recuperação da economia seria mais rápida, sólida e duradoura. Mas nunca é tarde para fazer o que tem de ser feito. Sou candidato para tirar as reformas do papel e muito rápido”, disse, nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE.
Para o ex-ministro, os candidatos populistas querem destruir o que foi realizado para a recuperação da economia e isso teria como implicação a volta da recessão.

Meirelles defende as reformas — entre as quais a da Previdência e a tributária — e afirma que a resistência às mudanças no sistema previdenciário parte de quem ganha mais. “Basicamente, são funcionários públicos que ganham muito a custa dos mais pobres. São eles, os que têm menos, que sustentam os mais ricos”, disse. O ex-ministro da Fazenda destaca que é o único pré-candidato do MDB e possíveis composição terão como pressupostos o apoio à sua pré-candidatura, às reformas, ao crescimento, às geração de empregos e à manutenção dos programas sociais.

O MDB anunciou que o senhor é o pré-candidato do partido a presidente. Como pretende dar mais visibilidade a essa candidatura, nestes momentos que antecedem o início oficial da campanha?
O MDB anunciou que sou o único pré-candidato do partido, mas não sou ainda o candidato. Para isso, é preciso ser indicado pela convenção. O foco, agora, é conversar com o partido, visitar os estados, as lideranças e os convencionas. Vamos aproveitar essas viagens pelo Brasil para conversar também com a população em geral, como no Rio Grande do Norte. Aliás, as comemorações do centenário da Assembleia de Deus aqui em Natal foi o meu primeiro grande evento público na condição de pré-candidato do MDB. Foi um marco importante.

É possível esperar unidade do MDB no apoio à candidatura?
O MDB é o partido da democracia. Não vê nenhuma candidatura, inclusive a minha, como uma imposição da direção. Nosso processo é o do diálogo e do consenso. Já recebi o apoio da maioria do partido. Estamos trabalhando para ampliar a adesão

O senhor fará a defesa do “legado” do presidente Temer, o que se aponta como uma exigência dele para apoiar uma candidatura?
Sou candidato para defender as reformas, o crescimento econômico e as conquistas sociais. Sou candidato das reformas econômicas. Elas foram iniciadas neste governo depois de grandes erros cometidos no governo passado. Têm de ser defendidas e ampliadas. Há muito trabalho a fazer.

Embora alguns indicadores mostrem que houve alguma retomada da atividade econômica, o ritmo estaria aquém das expectativas. Por quê?
O Brasil atravessou a mais grave recessão da sua história, maior mesmo que a Grande Depressão dos anos 30. A boa notícia é o fato incontroverso de que o Brasil venceu a crise. A inflação, que estava em dois dígitos, caiu para menos de 3% ao ano. O INPC, que mede a inflação para os mais pobres, é o menor da história. Os empregos voltaram a aparecer. Tivemos 1% crescimento no ano passado. É pouco? Não, porque saímos de um índice negativo de 3,6% em 2016. Ou seja, na verdade, a virada do PIB foi de mais de 4%. Esses são os resultados. A pergunta é: eles são suficientes? Não. Nada é suficiente enquanto as pessoas estiverem procurando emprego e não estiverem encontrando. Nada é suficiente enquanto as pessoas não tiverem bases firmes para confiar que o seu futuro e de seus filhos será melhor que o presente. É para garantir isso que quero ser presidente da República.

O senhor relaciona as dificuldades para uma recuperação mais consistente, com problemas fiscais do governo ou com a imprevisibilidade das eleições presidenciais?
Sem dúvida. Muito já foi feito. Cinco anos e meio de irresponsabilidade fiscal jogaram o país na maior recessão da história. Foi necessário muito trabalho e o esforço de todos os brasileiros para que essa situação fosse superada com medidas como o teto de gastos públicos. Mas nem tudo está resolvido. É preciso seguir o caminho que acabou com a recessão e perseverar nas reformas. O problema é que os candidatos populistas tanto à direita quanto à esquerda querem acabar com o trabalho que foi feito até agora e trazer a recessão de volta.

Alguns analistas apontaram também que há a fragmentação do quadro partidário, com as implicações que poderão ter na eleição da próxima legislatura, criando dificuldades ainda maiores no Congresso Nacional. Isso poderia indicar empecilho à governabilidade o que teria retraído ou inibindo investimentos? Há esse problema, realmente?
Excelente questão. Os populistas dizem que vão impor sua vontade e mandar no Congresso. Isso não funciona. Quem despreza o Congresso não governa. Os parlamentares têm um peso enorme nas decisões. Para governar o país com sucesso, tem de estar disposto a ouvir, a convencer e a negociar. Foi agindo assim que conseguimos aprovar medidas essenciais para que o país vencesse a crise.

O atual governo conseguiu aprovar o limite para teto dos gastos, mas algumas reformas, como a da Previdência e a tributária, não avançaram. Qual a implicação disto para a economia do país?
Se elas tivessem sido aprovadas, a recuperação da economia seria mais rápida, sólida e duradoura. Mas nunca é tarde para fazer o que tem de ser feito. Sou candidato para tirar as reformas do papel e muito rápido.

Quais projeções o senhor faz para o segundo semestre e para o próximo ano em termos de desempenho da economia?
As perspectivas para este ano são boas. O país vai crescer cerca de 2,5% (? Isso foi revisado pelo MF), de acordo com as previsões mais confiáveis. O próximo ano dependerá da eleição. Se o próximo presidente for alguém comprometido com as reformas, os empregos vão aparecer, a renda vai subir e a inflação ficará baixa. Se for um populista, a recuperação da economia estará ameaçada.

O preço dos combustíveis é um assunto que tem levado preocupação e motivou os protestos de caminhoneiros, com as implicações que esse movimento teve para o País. É possível vislumbrar mudança na política de preços da Petrobras?
Ninguém gosta de pagar muitos impostos. O certo é conter os gastos públicos para abrir espaços para reduzir impostos e, assim, baixar, por exemplo, o preço dos combustíveis. Como vamos fazer isso tudo? Com as reformas. Sem elas, o Brasil não vai para frente.

O senhor conduziu a atual política econômica. Mesmo assim considera que é preciso alguma correção de rumo? Qual?
A direção está correta e as reformas feitas e aquelas que estão propostas são necessárias para o crescimento do país, do emprego e da renda. 
Existe um risco de retrocesso com as propostas de alguns candidatos, mas tenho segurança que serão rejeitadas pela população em outubro.

Naturalmente, a imagem do senhor está ligada às propostas de reformas do atual governo, entre as quais a da Previdência. O projeto que defende é aquele que inicialmente apresentado pelo governo quando enviou a proposta ao Congresso?
Vamos falar algumas verdades sobre a reforma da Previdência. É uma questão de justiça social. São contrários a ela aqueles que ganham muito acima do cidadão comum. Estes [o cidadão comum] não serão afetados. Ao contrário. Logo depois da Reforma a idade mínima da aposentadoria será de 55 anos. Atenção: pessoas que hoje só podem se aposentar depois dos 65, poderão obter o benefício aos  55 anos. Então, quem é contra a reforma? Basicamente, são funcionários públicos que ganham muito a custa dos mais pobres. São eles, os que têm menos, que sustentam os mais ricos. 


Deixe seu comentário!

Comentários