É preciso sensatez e equilíbrio

Publicação: 2020-03-26 00:00:00
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Garibaldi Filho
EX-SENADOR DA REPÚBLICA          

Este artigo deveria detalhar, como prometi no texto anterior, aspectos do estudo desenvolvido pela consultoria carioca Macroplan, fundada por Claudio Porto, sobre a economia do nosso Estado. Iria hoje dar continuidade ao que abordei,  na semana passada, quando falei das nossas potencialidades, mas agora analisando, com base nas informações disponíveis no Mais RN, as debilidades e como superá-las. E o faria convicto de que não podemos deixar este estudo de lado. No entanto, diante da situação tão grave na qual estamos inseridos, com a crise global provocada pela Covid-19, gostaria de fazer algumas reflexões sobre episódios recentes que precisam ser superados para que possamos enfrentar esse momento que tantos impactos começam a ter na saúde pública, na vida social e econômica também do Rio Grande do Norte. 

Os números são preocupantes. Na tarde desta quarta-feira, quanto estou redigindo este artigo, as autoridades informam que são 2.281 infectados em todos os estados do Brasil e foram registrados 47 mortos, uma quantidade que, lamentavelmente, aumenta a cada dia. A mesma Macroplan que fez o estudo sobre a situação do Rio Grande do Norte, em 2014, agora ouviu 150 pessoas entre  economistas, sociólogos, cientistas políticos, engenheiros, gestores de empresas, pesquisadores e professores universitários sobre a repercussão do coronavírus na economia nacional. Para a maioria (86%) o impacto da pandemia, com esse número crescente de infectados no País, será “alto” ou “muito alto” na economia brasileira.

Tudo isso, agora se soma à grande preocupação com o nosso ambiente político-institucional. Depois de um pronunciamento infeliz e insensato, que só deixou a população ainda mais apreensiva, o presidente da República, Jair Bolsonaro, na manhã desta quarta-feira, não conduziu a reunião com os governadores do Sudeste com a capacidade de liderança que se espera de um Chefe de Estado. Ao contrário, trocou farpas com o governador de São Paulo, segundo relatos feitos pelos jornalistas. Ou seja, o clima de hostilidade predominou, quando precisamos de colaboração entre os governos federal e estaduais. 

E não pudemos esquecer a pesquisa da Macroplan sobre as implicações do coronavírus. Não apenas quanto ao aspecto econômico, mas também quando conclui que, infelizmente, a tendência, para a maioria (60%), é que o País passe por esse crise “aos trancos e barrancos”. Ou seja, ora assumindo um comportamento cooperativo, mas com sucessivas recaídas de confrontação. Se estiverem certos, o ambiente, em várias ocasiões, estará com dificuldades institucionais para o combate à epidemia.

E conclui  o estudo da Macroplan, sobre as implicações da pandemia no país, que  o pior cenário, hoje o mais improvável, se daria com a denominada “marcha da insensatez”, que se configuraria se tivéssemos uma ruptura com relação ao Brasil atual. Haveria, em uma conjuntura deste tipo, uma escalada desenfreada de autoritarismo populista. Nesta situação, os laços sociais, já enfraquecidos, se romperiam em uma crescente e ilimitada polarização.

Portanto, vamos aguardar e, na medida das possibilidades de cada um, contribuir para que possamos recuperar os passos necessários para prevalecer a marcha democrática.









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