A pressão do futuro

Publicação: 2017-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Lydia Medeiros

Lula abriu o coração ontem, diante do juiz Sergio Moro, exibindo imenso ressentimento com o seu ex-ministro Antonio Palocci. Estranhamente, poupou o patriarca Emílio Odebrecht, que no primeiro semestre apresentou ao Ministério Público uma detalhada delação, indicando o caminho das provas sobre fatos considerados suspeitos, agora confirmados por Palocci. O ex-presidente segue no papel que escolheu desde o início da Lava-Jato, o de vítima. E arrasta consigo o PT. Seus tradicionais aliados já discutem alternativas à esquerda para a eleição de 2018, inclusive com correntes petistas. Esses “companheiros” já não veem futuro com Lula.

Mesa cheia
Michel Temer jantará com Donald Trump em Nova York segunda-feira. Estarão lá também os presidentes de Colômbia e Peru. O convite pode ser interpretado como gesto de atenção com a América do Sul. Na agenda dos quatro países, há, entre outros, um tema relevante e urgente: a crise venezuelana. Mas também pode ser visto como desprestígio para o Brasil ter de dividir a mesa com outros dois países. Faltou diplomacia.

Mão pesada
Quatro meses depois da divulgação da gravação de Joesley Batista (foto) com Michel Temer, é a seguinte a situação da holding J&F, que controla o grupo JBS: os donos, os irmãos Batista, dormem na cadeia; as empresas enfrentam nada menos que uma dezena de processos administrativos na CVM, uma CPI no Senado e numerosos requerimentos de informações na Câmara; a Polícia Federal continua vasculhando todos os contratos com bancos públicos e privados; os ativos empresariais têm pedidos de bloqueios apresentados pela Advocacia-Geral da União e pelo TCU. “É o peso da mão invisível do governo Temer”, diz um observador no Congresso.

Suspeitas confirmadas
O Ministério Público Federal afirmou ontem que os irmãos Batista, da JBS, lucraram US$ 100 milhões com operações no mercado usando informações privilegiadas de sua delação. Em 18 de maio, as movimentações suspeitas da dupla no mercado foram noticiadas nesta coluna.

Novo herói
O vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB), virou sensação ontem depois de se referir ao ministro tucano Antonio Imbassahy com palavrões. Articulador político do governo, o tucano anda em baixa. Deputados se queixam de emendas não liberadas e nomeações não efetivadas, mesmo depois de o plenário ter livrado Michel Temer de uma denúncia de corrupção. Ramalho recebeu parabéns de vários colegas, que contavam a ele problemas com Imbassahy.

Voz do povo
Consulta feita pela Câmara na internet mostra que a população quer a votação do projeto que acaba com o Estatuto do Desarmamento. É o resultado, parcial, obtido por meio da plataforma Pauta Participativa, lançada por Rodrigo Maia (DEM). Ele promete levar a plenário os temas mais votados em duas semanas. A pesquisa revelou ainda que, na área da saúde, a proposta vencedora é a que amplia a cobertura de planos de saúde. Na política, o fortalecimento da participação popular.

‘Não conheço Funaro’
O deputado estadual Jorge Picciani (PMDB-RJ) enviou a seguinte nota à coluna: “Não conheço esse bandido de nome Lúcio Funaro, nunca sequer o vi. Como infelizmente a delação está em segredo de Justiça, não tive acesso a ela. Mas, se ele disse o que a coluna relata, ele mente. Nunca recebi nada de Lúcio Funaro ou de seus intermediários, e nem Eduardo Cunha interferiu em minhas campanhas. A vontade de me envolver não pode ser maior que a verdade.”

‘História falsa’
A defesa de Jacob Barata Filho, em nota à coluna, afirma que “repudia os boatos sobre depoimentos cuja existência ou eventual teor é desconhecido da defesa”. E reitera “é falsa e caluniosa a história alegadamente narrada pelo delator”. A coluna faz uma correção: ao contrário do que foi publicado aqui ontem, Jacob Barata Filho não preside a Fetranspor. Ele é, sim, o mais influente empresário do setor de ônibus na entidade.



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