‘Primeiro desafio é o reequilíbrio das contas públicas’

Publicação: 2018-05-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Pré-candidato do “Podemos” (ex-PTN) a presidente da República, o senador paranaense Álvaro Dias considera que o País precisa de reformas amplas, que impliquem em mudanças no Estado brasileiro e na estrutura partidária. Ele afirma que é preciso uma diminuição do número dos partidos,  de deputados e até de vereadores e prefeitos.

Pré-candidato do partido “Podemos” (ex-PTN), Álvaro Dias
Pré-candidato do partido “Podemos” (ex-PTN), Álvaro Dias

Álvaro Dias defende, ainda, o que chama de “descolamento dos setores privado e público para que se crie um novo ambiente de negócios e de respeitabilidade nacional para a atração de investimentos a partir da volta da credibilidade perdida com os escândalos no pais, revelados a partir de 2014 com a deflagração da Operação Lava Jato, que resultou na condenação e prisão de um ex-presidente da República”.

Com relação à situação econômica do Brasil, ele afirma que entre os países de renda média,  em matéria de investimentos, o país só  ganha da África do Sul, e, em produtividade, apenas do Sri Lanka e da Ucrânia. Estamos atrasados, portanto, há mais de 20 anos”, diz o presidenciável do Podemos.

Ele alerta que, na variação da renda per capita do Brasil, comparativamente  a outras nações, fica evidente que houve um retrocesso. Há 60 anos  a renda per capita do brasileiro estava equivalente a 14% da que tinha os americana. Abaixo do Brasil estava Coréia do Sul e Taiwan. Seis décadas depois, o Brasil alcançou 25% da renda per capita americana, enquanto e Coréia do Sul e Taiwan chegou a 60% e 70%, respectivamente.

A cada dia aparece novas investigações da Operação Lava Jato. O senhor acha que a corrupção será a temática principal das eleições deste ano no país?
Sem dúvida. A Lava Jato mudou o cenário eleitoral. Mais do que isso, mudou o cenário da política nacional. A banalização da corrupção foi um desserviço maior que se prestou ao país nos últimos anos. Com a Operação Lava Jato, a população passou a ter a exata noção da importância de se combater a corrupção e dos problemas que hoje nós vivemos, como as dificuldades econômicas, a crise social. Certamente, a corrupção é uma das causas centrais dos problemas que atingem o país, sustentada por um sistema de governança corrupto e incompetente, que empurrou o Brasil para essa tragédia política. Então, pesquisas de opinião pública revelam que os eleitores colocam, como pressupostos indispensáveis para a escolha de candidatos, o passado limpo e a experiência administrativa comprovadamente positiva. São duas exigências do eleitor brasileiro nesse pleito.

O senhor acha, então, que o tema corrupção vai se sobrepor a outros como o crescimento econômico no debate eleitoral?
Não diria... As pesquisas também indicam que a prioridade número é o emprego, a número dois é o combate à corrupção e, a número três, a segurança pública. Na verdade essas questões estão conectadas. Nós vivemos uma crise que se aprofundou e que passa a exigir do futuro presidente da República um enfrentamento de grandes desafios. O primeiro desafio é o ajuste fiscal, o reequilíbrio das contas públicas. Nós estamos com a administração pública desarrumada. Houve a deterioração completa das finanças públicas do país. Basta dizer , de 2014 até 2020, acumularemos um déficit financeiro de recursos públicos, sem correção, de mais de R$ 800 bilhões. Isso não é pouco. É trágico. E a dívida pública cresceu de R$ 1 trilhão e 500 bilhões, em 2008, para R$ 4 trilhões e 900 bilhões agora em janeiro de 2018.  A rolagem da dívida desse ano importa em R$ 1 trilhão e R$ 800 bilhões, ou seja, é um valor superior ao total da dívida de 2008. Nós chegamos a 75% do Produto Interno Brasileiro (PIB) de dívida pública bruta e vamos até o final deste ano, provavelmente, a 80% do PIB. Até 2020, certamente, estaremos superando 100% do PIB de dívida pública. Então, veja-se o desafio à frente do ajuste fiscal, que vai exigir reformas importantes e coragem para que essas reformas ocorram. Exige também capacidade de comunicação do governo para   convencer o país de que essas reformas são imprescindíveis, insubstituíveis em relação ao nosso futuro. E os outros dois grandes desafios são  investimentos e produtividade, a médio e longo prazos. Acho que também será uma tarefa para o presidente eleito descolar os setores privado do  público para que, criando um novo ambiente de negócios e de respeitabilidade nacional e internacional, se possa atrair investimentos, trazer de volta os recursos que se foram e acelerar o crescimento econômico. Isso enquanto se arruma o setor público, se reequilibra as finanças. Então, exige-se agora uma reestruturação competente da economia nacional.

Como fazer essas mudanças profundas sem o toma “lá-dá-cá” da política, que o senhor tanto critica. Há essa possibilidade?
Eu aposto que há essa possibilidade. É nisso que eu acredito. A sociedade evolui, há no consciente coletivo, um movimento de mudança que vai se tornando irresistível e aqueles que tentarem resistir, serão atropelados. Nós temos que inverter o processo. O presidente da República até aqui, especialmente nos últimos mandatos, apresenta a sua proposta ao Congresso Nacional, instala o balcão de negócios e estabelece o toma lá-dá-cá, a compra o voto. Agora tem que ser o inverso, temos que primeiro ouvir a sociedade, discutir as propostas com a população ou convencer a sociedade.

Por isso, digo que, além de gestão, há necessidade de competência de comunicação. Nenhum projeto governamental terá sucesso sem o apoio da população. O apoio popular é a maior arma que tem um governante. Se nós convencermos os brasileiros e mostrarmos que essas reformas são necessárias e imprescindíveis, teremos o respaldo do povo e iremos ao Congresso Nacional obter o apoio de senadores e deputados. Eu  não tenho duvida, o Congresso não rema contra a maré. Nos últimos anos,  tivemos corrupção, sim. E um Congresso com parcelas do seus integrantes envolvidos em esquemas deste tipo. Mas isso só aconteceu porque do outro lado da rua, havia o corruptor. Se nós tivermos um presidente da República sério, corajoso, capaz de propor mudanças e com capacidade de se comunicar com a sociedade para obter o seu apoio, certamente o Congresso acompanhará e reabilitará o seu conceito diante da sociedade brasileira.

É nisso que eu acredito. Se não acreditasse nisso, não seria candidato e nem acreditaria no futuro do Brasil, porque com a preservação desse sistema, me desculpe aqueles que pensam diferente, não vamos alcançar índices de crescimento econômico compatíveis com as nossas potencialidades, com a grandeza do país. Então, a substituição desse sistema, que eu chamo de refundação da República, é a premissa básica para a recuperação econômica do Brasil.

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