Política
‘Prioridade é Bolsa de R$ 300’, diz Guedes
Publicado: 00:00:00 - 15/09/2021 Atualizado: 23:02:20 - 14/09/2021
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que o governo federal tem como “prioridade zero” a efetivação do Bolsa Família com valor de R$ 300. De acordo com ele, o aumento do benefício será bancado com recursos advindos do imposto de renda e estarão dentro do teto de gastos do governo federal.

“A agenda, prioridade zero, é Bolsa Família de R$ 300. O presidente [da República, Jair Bolsonaro] já disse que é R$ 300, dentro do teto e com responsabilidade fiscal”, disse o ministro no evento Macro Day, promovido pelo banco BTG Pactual, na capital paulista.

Em sua fala, Guedes criticou segmentos empresariais que são contrários à reforma tributária do imposto de renda. “Inadvertidamente, às vezes, o mundo empresarial vai a Brasília, e faz um lobby contra o imposto de renda. Ele, na verdade, está inviabilizando o Bolsa Família”, ressaltou.

“[Isso] vai produzir uma reação do governo que é a seguinte: então quer dizer que não tem fonte [de receita para Bolsa Família]? Não tem tu, vai tu mesmo. Então bota aí R$ 500 logo de uma vez e é auxílio emergencial. A pandemia está aí, a pobreza está muito grande, vamos embora”, acrescentou.

Essa solução, segundo Guedes, seria, no entanto, “um problema tremendo para todo mundo”. “Inclusive para quem vos fala no momento. Eu não estou lá para fazer bagunça. E vai virar bagunça se não houver uma solução tecnicamente correta”, disse. 

O ministro da Economia disse que há um "jogo de disputa pelo poder" e que é preciso "focar em evitar o desrespeito", não só verbal. Ele afirmou que é preciso "respeito à verdade, não falsificar narrativas".

"Eu poderia ter ido para a narrativa de descrença na democracia, nunca fui para isso. Quero continuar com a mesma percepção, de que somos uma democracia, não podemos descredenciar o resultado das urnas", afirmou.

Durante evento do BTG Pactual, mediado pelo economista-chefe e ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida, Guedes pediu também "lucidez" aos economistas. O apelo vem num momento em que o mercado tem ajustado suas previsões para inflação maior e crescimento mais tímido da economia."Os economistas têm que ser serenos e ter lucidez que você tem tido", disse o ministro a Mansueto.

Paulo Guedes também defendeu medidas adotadas pelo governo, como a privatização da Eletrobras. Ele se referiu aos acordos que destinaram recursos a revitalização de bacias hidrográficas, por exemplo, como um "pacto de governabilidade". "Quando você faz um pacto de governabilidade, criticam privatização", disse.

Barulho político
Paulo Guedes comentou que, não fosse o que ele chama de "barulho político", o câmbio de equilíbrio no Brasil estaria hoje entre R$ 3,80 e R$ 4,20.
"Esse dólar já era para estar descendo, mas barulho político não deixa descer. Não tem problema dólar mais alto, mais tempo para exportações. O importante é continuar fazendo tudo certo", afirmou.

Guedes repetiu que o Brasil voltou a crescer "em V", mas admitiu que isso não significa que a taxa de crescimento continuará alta. "Esse é outro desafio", completou.

Para o ministro, o País perdeu muito tempo em relação à recuperação da economia primeiro porque não tinha base parlamentar e, segundo, por conta da pandemia do coronavírus. "O Brasil está em ritmo de crescimento interessante. O setor privado está investindo em todas as direções", afirmou.

Guedes voltou a dizer também que os atores políticos "cometem excessos", mas são limitados pelas instituições brasileiras. "Toda hora tem um no Brasil que pula da cerca para o lado selvagem, mas instituições convidam para voltar para o lado certo. São robustas", completou.

O ministro admitiu que "é evidente" que a crise hídrica bota pressão nos preços. Em evento do BTG Pactual, Guedes ressaltou que a aprovação da autonomia do Banco Central ajudará a manter a alta de preços sob controle.

No evento, Guedes afirmou ainda que o teto de gastos é um símbolo de austeridade. "O teto precisa ficar lá como um sinal de que o Executivo não pode exorbitar", afirmou.

O ministro voltou a dizer que é preciso mudar os pagamentos dos precatórios, que somam R$ 89,1 bilhões, porque, segundo ele, o governo não conseguirá fazer frente à despesa dentro do teto de gastos em 2022. "Tirar precatório do teto é solução que parece fácil, mas teto só pode ser removido quando política assumir responsabilidade por orçamentos", completou.








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