A promissora Zona Norte da capital

Publicação: 2010-03-14 00:00:00 | Comentários: 1
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Sílvia Ribeiro Dantas - Repórter

Fora do mapa dos investidores há até bem pouco tempo, a Zona Norte de Natal é hoje a área mais atrativa para os empresários na capital potiguar, que estão descobrindo o mercado promissor composto pelos sete bairros desta região administrativa. A maior concentração ainda é de pequenos negócios, quase sempre dirigidos pelo proprietário e mais um familiar, mas esse quadro tem mudado à medida em que os grandes investidores passam a perceber o fortalecimento do poder aquisitivo da população da região, que já contabiliza cerca de 300 mil habitantes.

Comércio cresce de maneira desordenada, sem seguir padrões arquitetônicos e com intensa poluição visual. Característica é comum a todos os bairros da regiãoHoje, os empreendedores estão mais profissionalizados e os novos estabelecimentos comerciais não ocupam mais um cômodo da casa do proprietário. Porém, o desenvolvimento ainda ocorre lentamente e de maneira desordenada, ocupando prédios simples, localizados nas principais vias de cada bairro, sem seguir qualquer padrão arquitetônico ou no que diz respeito à sinalização. Essa desorganização pode provocar uma certa confusão em quem trafega pela área, ao se deparar com a poluição visual de quarteirões inteiros tomados por armarinhos, salões de beleza, farmácias, pet shops, lan houses e lanchonetes exibindo uma infinidade de letreiros com tamanhos, formatos e cores diferentes.

Na avaliação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Zona Norte é considerada a região mais promissora para a abertura de negócios em todo o Rio Grande do Norte. Confirmando o bom momento que a região vivencia,  grandes empresas já se estabeleceram no local, como os supermercados Nordestão e Carrefour, a concessionária Espacial Veículos, a Ótica Diniz, além das lojas de departamentos Marisa, C&A e Lojas Americanas.

O diretor técnico do Sebrae, João Hélio Costa, diz ser fácil notar um movimento grande de expansão dos pequenos negócios na área, que ficou mais atrativa após a construção da ponte Newton Navarro e pela expectativa gerada com o aeroporto de São Gonçalo do Amarante. “Esses fatores, aliados ao fortalecimento do poder aquisitivo que a população teve nos últimos anos, fez com que a migração de empreendedores para a região  se tornasse uma realidade”, completa.

João Hélio observa que a chegada de grandes empresas e equipamentos como shoppings e bancos tem sido responsável pela melhora na qualidade dos produtos e serviços oferecidos, fazendo com que os habitantes da Zona Norte não precisem mais ir a outros locais para fazer compras. “Atualmente, as pessoas talvez se dirijam apenas ao Alecrim, que é o bairro mais tradicional do comércio na capital”, constata.

Para Costa, a ideia que muitos natalenses têm de que na Zona Norte são comercializados apenas produtos populares, definitivamente, não corresponde à realidade. De acordo com o diretor técnico do Sebrae, a qualidade do que é vendido é exatamente a mesma, mas os preços praticados na região são mais atrativos do que em outras partes da cidade pelos empresários pagarem um valor menor em taxas e tributos, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o que termina se refletindo no total repassado para o consumidor.

Informalidade

Um ponto que chama a atenção entre os pequenos empreendimentos da Zona Norte é a existência de muitos informais. Mas, segundo João Hélio Costa, a imensa maioria deverá aderir ao programa Empreendedor Individual, que atende a quem tem um pequeno negócio, com um empregado e faturamento anual de até R$ 36 mil. “Não há mais vantagem em manter um negócio sem estar formalizado. Pagando um ISS ou ICMS simbólico, o empresário passa a emitir nota, podendo fornecer para outras empresas, estado, prefeitura”, aponta o diretor técnico do Sebrae.

A mesma expectativa é demonstrada pelo secretário adjunto de tributação de Natal, André Macêdo. Ele comenta ter conhecimento da concentração de pequenos negócios na área, muitos funcionando sem terem sido legalizados, e diz acreditar que a informalidade deve diminuir à medida em que os comerciantes ficam mais informados. “Talvez o que ainda falte aos pequenos da Zona Norte seja acordar para a importância em se regularizar, sabendo que podem ter seu alvará de funcionamento”, afirma.

De acordo com Macêdo, a Secretaria Municipal de Tributação (Semut) não possui um levantamento de dados que possa indicar qual a representação da área na arrecadação de impostos, considerando os estabelecimentos comerciais em toda a capital.

Diversidade é característica da região

Os empreendimentos da região estão nos mais diversos segmentos, predominando os setores de comércio e serviços.

Um dos pequenos comerciantes que decidiram apostar na região foi Almir Fernandes, que abrir a loja de material de construção Comercial das Fronteiras há oito anos. Fernandes diz ter percebido que a concorrência aumentou bastante no local, principalmente desde o início do governo do presidente Lula, que fortaleceu os programas habitacionais, provocando o aumento na demanda por material de construção. “Não fecho nem nos finais de semana, porque aqui ainda é um pouco de cidade dormitório e as pessoas têm mais tempo para fazer compras nos dias de folga”, conta o comerciante.

Outra pequena investidora que optou por se estabelecer na Zona Norte foi a professora Ana Neves. Ela abriu a escola de inglês British há cerca de dois anos, após perceber  que grande parte dos empregados de hotéis, restaurantes e pousadas de Natal mora na área. “Muitos duvidam de empreendimentos da Zona Norte, mas sentimos muito orgulho de fazer parte e estar contribuindo para o desenvolvimento da região e de todo o estado”, destaca Ana Neves.

Entre as grandes empresas, também é fácil notar entusiasmo. O Nordestão, primeira rede de supermercados da capital a se instalar na área, inaugurou a loja no bairro de Santa Catarina em 1981 e a de Igapó, nove anos depois. O superintendente da rede, Manoel Etelvino, diz que a clientela da área é composta principalmente pelas classes C e D. “Essas pessoas procuram produtos de boa qualidade, com preços acessíveis”, avalia.

Presente na região há menos de um ano, a concessionária Espacial Veículos tem obtido resultados acima do esperado, no tocando à venda de veículos. Segundo o gerente geral das concessionárias Chevrolet em Natal, Alexandre Frias, as negociações realizadas na unidade da Zona Norte já representam 10% da comercialização de novos pelo grupo, que conta com mais duas concessionárias localizadas na Zona Sul da capital.

 Frias conta ter encontrado na região, um público que planeja bastante antes de comprar. Essa característica faz com que a Espacial Zona Norte seja a loja do grupo na qual há a maior aprovação de cadastro de consumidores, bem como o mais baixo índice de inadimplência.

Bate-papo: Irene Adalgisa - presidente da Asconorte

Como a senhora avalia o comércio na Zona Norte de Natal?
Estou há sete anos à frente da associação e percebo que a cada ano o comércio na ZN vem crescendo. Com a construção da ponte Newton Navarro, o número de empresas que passaram a se estabelecer na região tem aumentado com uma velocidade ainda maior.

Quais os principais tipos de estabelecimento que podem ser encontrados na ZN?
Dentre os estabelecimentos, vejo que são principalmente lanchonetes, mercadinhos, lojas de material de construção, colégios e farmácias.

A região tem condições de atrair novos estabelecimentos?
Apesar de já possuir muitos pequenos negócios, a região pode suportar ainda mais estabelecimentos comerciais. Mas, para isso se tornar uma realidade, é preciso apoio e planejamento do poder público, melhorando a infraestrutura e serviços que atendem a população da área, como saúde e transportes.

Muitas pessoas em Natal veem a ZN como uma área com comércio popular, onde os produtos são vendidos a preços mais baixos do que em outras regiões da cidade. A senhora concorda com esse posicionamento?
Acredito que isso pode já ter ocorrido, mas atualmente não é mais uma realidade. Prova da mudaná é que grandes empresas vêm se estabelecendo na região durante os últimos anos, registrando crescimento e até expandindo suas atividades. Então, os investidores podem ficar certos de que a ZN é um ótimo local para seus empreendimentos e podem chegar sem medo, pois a região é promissora, sim.

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Comentários

  • gsloan

    Quando há investimentos em qualquer área de uma cidade, naturalmente esse local irá se desenvolver bem mais que as outras áreas que não receberam os tais incentivos, é notório isso. Os governates e gestores, infelizmente não tiveram o cuidado e a visão do último Prefeito Carlos Eduardo que logrou bastante êxito em ter investido bem mais nessa área da capital do qualquer outro gestor municipal. O resultado se encontra estampado nesta matéria, o progresso mesmo que tardio chegou e ransformou a Zona Norte desta capital num nicho empresarial bem mais promissor. É fato que a infraestrutura requer ainda um melhor avanço, mas já estamos progredindo, o que esperamos é que os próximos gestores impulsionem ainda mais esses avanços introdutórios.